CRIA - Centro de Referência em Informação Ambiental
Natasha Olsen & Mariana Bassani
Povo da floresta (Abril de 2025), de Mariana BassaniFonte original: Mariana Bassani
Um povo da floresta
Os Rikbaktsa vivem nas bacias dos rios Juruena e Aripuanã, no noroeste do Mato Grosso. São cerca de 1.800 pessoas, distribuídas em pelo menos 35 aldeias, nas Terras Indígenas Erikpatsa, Japuíra e Escondido.
Dança Rikbaktsa (Abril de 2025), de Mariana BassaniFonte original: Mariana Bassani
História de resistência
Após quase desaparecerem nas décadas de 1950 e 1960, devido a doenças e violências do contato forçado com não indígenas, os Rikbaktsa resistiram. Sua história é marcada pela luta e pela capacidade de reafirmar continuamente sua identidade.
Paisagem aérea da Amazônia no Mato Grosso (Abril de 2025), de Mariana BassaniFonte original: Mariana Bassani
Território ameaçado
Hoje, cercados por grandes fazendas, os Rikbaktsa enfrentam novas pressões do agronegócio, das queimadas e do desmatamento. Ainda assim, seguem defendendo suas terras e mantendo vivos seus modos de vida.
Alimentos típicos da culinária Rikbaktsa (Abril de 2025), de Mariana BassaniFonte original: Mariana Bassani
Floresta que sustenta
A floresta tropical é a base da vida Rikbaktsa: fonte de alimento, remédio, arte e espiritualidade. Sua alimentação combina agricultura, caça, pesca e coleta. Uma dieta diversa e um modo de vida em equilíbrio com a biodiversidade.
Castanhas Rikbaktsa (Abril de 2025), de Mariana BassaniFonte original: Mariana Bassani
Castanha-da-amazônia
A coleta e comercialização da castanha é uma das principais atividades econômicas do povo Rikbaktsa. Realizada de forma coletiva, proporciona alimento e renda, unindo tradição e sustentabilidade, mantendo a floresta em pé e fortalecendo a segurança alimentar da comunidade.
Meliponário Rikbaktsa (Abril de 2025), de Mariana BassaniFonte original: Mariana Bassani
Abelhas nativas
A meliponicultura é uma prática recente entre eles. Com o apoio do projeto Biodiverso, um meliponário foi instalado na aldeia Pé de Mutum, onde as mulheres iniciaram a criação de abelhas sem ferrão. A atividade pode se tornar uma nova fonte de renda para a comunidade.
Seringueira Rikbaktsa (Abril de 2025), de Mariana BassaniFonte original: Mariana Bassani
Seringueira
Em 2009, os Rikbaktsa retomaram a extração de látex de suas seringueiras nativas, agora de forma coletiva e sem patrões. A atividade gera renda em harmonia com a floresta, unindo saberes tradicionais e práticas sustentáveis para fortalecer a autonomia da comunidade.
Algodão Rikbaktsa (Abril de 2025), de Mariana BassaniFonte original: Mariana Bassani
Algodão
Outra fonte de renda e manifestação cultural nas aldeias é o artesanato. Feito principalmente por mulheres, o trabalho exige delicadeza e experiência. Os fios para colares, pulseiras, cocares e outras peças são tecidos à mão com o algodão colhido no próprio território.
Cores Rikbaktsa (Abril de 2025), de Mariana BassaniFonte original: Mariana Bassani
Cores da floresta
As pinturas corporais e os ornamentos de penas e sementes revelam a estética vibrante dos Rikbaktsa. Cada cor e cada detalhe expressam beleza, identidade e espiritualidade, refletindo a profunda conexão desse povo com a floresta.
Lucinete Rikbaktsa (Abril de 2025), de Mariana BassaniFonte original: Mariana Bassani
Arte plumária
A arte plumária revela um saber refinado no uso das cores e das formas. Penas cuidadosamente preparadas tornam-se cocares, colares, brincos, braceletes e outros artefatos, que no passado também indicavam posição social dentro da comunidade.
Música Rikbaktsa (Abril de 2025), de Mariana BassaniFonte original: Mariana Bassani
Música e espiritualidade
Flautas, chocalhos e tambores, feitos com elementos naturais, acompanham rituais e celebrações. A música é ponte entre a comunidade, a floresta e o mundo espiritual.
Nova geração Rikbaktsa (Abril de 2025), de Mariana BassaniFonte original: Mariana Bassani
Saberes compartilhados
O conhecimento Rikbaktsa é transmitido oralmente entre gerações. Os jovens aprendem com os mais velhos a manejar a floresta, obter alimento, criar arte, realizar rituais e preservar a memória ancestral. A língua nativa permanece como elo importante de resistência cultural.
Homem Rikbaktsa (Abril de 2025), de Mariana BassaniFonte original: Mariana Bassani
Identidade e resistência
Alargadores de orelha feitos de madeira de caixeta são símbolos marcantes da cultura Rikbaktsa. Esses adornos, expressam orgulho, pertencimento e resistência.
União com a floresta (Abril de 2025), de Mariana BassaniFonte original: Mariana Bassani
União com a floresta
Para os Rikbaktsa, a floresta é mais do que sustento: é parte da comunidade. Ela nutre a saúde, a espiritualidade e a cultura, fortalecendo a os vínculos ancestrais com a terra.
Kiara Rikbaktsa (Abril de 2025), de Mariana BassaniFonte original: Mariana Bassani
Protetores do futuro
O modo de vida dos Rikbaktsa mostra que é possível viver em abundância e em equilíbrio com a floresta e toda a vida que ela abriga. Guardiões da biodiversidade, eles inspiram o mundo a repensar sua relação com a natureza.
Autores: Natasha Olsen (CicloVivo) & Mariana Bassani
Edição e revisão: Fernando B. Matos (CRIA)
Referências: Olsen (2025). Biodiverso: a potência da floresta em pé e da união de seus povos (CicloVivo). Utumy & Leão (2018). Descrição dos frutos nativos utilizados na alimentação do povo indígena Rikbaktsa. Revista Exitus 8: 423-451. Humberto Jr. Rikbaktsa et al. (2025) Roça tradicional do povo Rikbaktsa. GeoAmbES 3: 137-154. MAI (2023) Exposição "Mundo Rikbaktsa" (https://maimuseu.com.br).
Agradecimentos: O CicloVivo visitou as Terras Indígenas do Povo Rikbaktsa a convite do Pacto Das Águas, uma entidade sem fins lucrativos apoiada pela Petrobras Ambiental que tem como objetivo garantir alternativas de geração de renda às comunidades da Amazônia apoiando a estruturação das cadeias de produtos da sociobiodiversidade.
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