EDITORIAL FEATURE

7 coisas que talvez você não saiba sobre o MASP

Do seu design "flutuante" aos roubos mais famosos

1. Foi o primeiro museu moderno brasileiro

O Museu de Arte de São Paulo é uma galeria de arte fundada em 1947 pelo empresário brasileiro Francisco de Assis Chateaubriand. Uma das primeiras pessoas a trazer a televisão para o Brasil, Chateaubriand foi um empresário e magnata das comunicações de grande renome. Muitos se referem a ele como o Citizen Kane brasileiro... A tal ponto que suas sórdidas artimanhas foram parar na tela do cinema em 2015 com o filme "Chatô, o Rei do Brasil".



Chateaubriand era conhecido pelos ambiciosos projetos públicos que lançava, como a sua campanha nacional de aviação. Durante os anos 40, passou a dar mais atenção às artes. No dia 2 de outubro de 1947, abriu o seu Museu de Arte de São Paulo, mais conhecido pela abreviação MASP.

O MASP é considerado por muitos o primeiro museu moderno brasileiro.

Vista da pinacoteca do MASP na avenida Paulista, 1970, Paolo Gasparini (Da coleção de MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand)

2. É um museu para todos

Chateaubriand não podia abrir o museu sozinho. Durante os anos 1940, ele contratou o especialista de arte italiano Pietro Maria Bardi para ajudá-lo. Bardi teve uma forte influência no projeto, tornando-se cofundador e diretor. Inicialmente, Chateaubriand queria abrir um "Museu de Arte Clássica e Moderna", mas Bardi o impediu. Ele acreditava que não deveriam existir distinções entre formas de arte – tais quais as artes plásticas e o design – e que as galerias de arte deveriam ser mais acessíveis. Então, Bardi renomeou o museu de maneira mais simples e generalizada: "Museu de Arte". Desde então, o museu manteve-se fiel a essa abordagem aberta e original das artes, com um programa abrangente de mostras temporárias, cursos, palestras, além de espetáculos de música, dança e teatro.

Pietro Maria Bardi, 1981, Madalena Schwartz (da coleção do Instituto Moreira Salles)

3. É o filho de um casal vinte

Tanto por seu edifício quanto pelo que ele em si encerra, o museu é o resultado do trabalho de um dos casais vinte mais talentosos e bem-sucedidos que já existiu. Pietro Maria Bardia não veio da Itália para abrir o museu sozinho. Ele foi acompanhado por sua esposa, a arquiteta e designer de talento, Lina Bo Bardi.

Lina Bo Bardi na Casa de Vidro, projeto de sua autoria, São Paulo. Foto de Chico Albuquerque, 1952 (da coleção do Instituto Moreira Salles)

Nascida na Itália em 1914, Lina Bo Bardi se mudou para o Brasil em 1946 com o seu marido. Lina Bo Bardi era uma arquiteta modernista pioneira que projetou diversos edifícios emblemáticos, incluindo a Casa de Vidro, onde vivia com o marido e, claro, o Museu de Arte de São Paulo. O design que Lina Bo Barbi projetou para o MASP fez deste edifício um dos maiores marcos da cidade de São Paulo, uma obra-prima da arquitetura do século 20.

O talento de Lina Bo Bardi ia além de suas atividades como arquiteta: também era editora, professora, desenhista, curadora e ativista política. Bardi era uma visionária e uma erudita.

Lina Bo Bardi testa suporte de vidro para a Pinacoteca do MASP, 1967, Lew Parrela (Da coleção do MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand)

4. É flutuante

Além de abrigar obras-primas da arte, o edifício do museu é uma obra de arte por si só. Um marco da arquitetura moderna brasileira e um exemplo notável do Brutalismo, Lina Bo Bardi utilizou vidro e concreto para criar um prédio que parece flutuar pelos ares. O edifício principal encontra-se suspenso sobre duas grandes vigas de concreto que se apoiam em duas pilastras enormes. Essa disposição não apenas concede ao edifício um efeito de luz e espaço extraordinários, como também cria uma praça pública na parte de baixo. Conhecido como "vão livre", Lina Bo Bardi concebeu esse espaço debaixo das galerias como praça pública onde a comunidade pode reunir-se, abrigar-se da chuva e do sol, além de assistir a eventos públicos. É lindo E prático.

5. Ali a arte expõe-se em "cavaletes de cristal"

O prédio não é a única coisa que Lina Bo Bardi concebeu para dar a impressão de suspensão. O desenho feito para o edifício é complementado pelas "cavaletes de cristal" que ela criou no interior da galeria. Tão radical quanto na concepção do exterior, o projeto de Bardi era de suspender as obras de arte em molduras de perspex (acrílico). Livre de muros, as obras de arte ficam penduradas no meio de uma vasta galeria, fazendo com que os visitantes escolham seu próprio percurso pelas obras de arte e pelo espaço, estabelecendo suas próprias conexões e escolhendo sua própria viagem pela história da arte.

Vista da pinacoteca do MASP, 2015, Eduardo Ortega (Da coleção do MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand)

6. Foi alvo de um roubo de obra de arte digno de um filme de Hollywood

O MASP esteve no centro não só de uma, mas de duas tentativas de furto de obras de arte. No dia 29 de outubro de 2007, dois homens atacaram os seguranças para roubarem dois quadros inestimáveis, mas tiveram que fugir sem nenhum deles. No dia 20 de dezembro de 2007, um segundo grupo de homens arrombaram o museu a fim de roubar algumas das obras de arte, dentre as quais o Retrato de Suzanne Bloch, de Pablo Picasso. Os ladrões partiram com quadros que custam um total de US$ 70 milhões. Mas tudo terminou bem. As obras de arte foram reavidas e devolvidas ao museu.

Retrato de Suzanne Bloch, 1904, Pablo Picasso (Da coleção do MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand)

7. Abriga alguns nomes BASTANTE conhecidos

Apenas as melhores galerias de arte são alvos de ladrões e o MASP tem uma vasta coleção de obras de arte de alguns dos nomes mais famosos da história da arte. Hoje em dia, a coleção do MASP contém 8.000 obras, incluindo pinturas, esculturas, objetos, fotografias e vestimentas de diferentes períodos históricos, englobando formas de arte da África, Ásia, Europa e das Américas. Abriga obras de Raphael, Titian, Paul Cézanne, Pierre-Auguste Renoir e tantos, tantos outros. De fato, a coleção de arte ocidental do museu é o maior do hemisfério sul.

Madame Cézanne em vermelho, Paul Cézanne, 1890 - 1894 (Da coleção de MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand)

Explore a coleção do MASP e suas galerias no Street View.

Words by Léonie Shinn-Morris
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