Vincent

Ainda me lembro a primeira vez em que vi um Van Gogh original ao vivo. Eu já havia visto Goyas, Rembrandts, Andy Warhols, Fridas, Riveras, Oiticicas, Monets, Manet, Toulouse-Lautrecs, Modiglianis, Degas, Rodins, Camilles, Boteros, Renoirs, Picassos, Velázquezs...E nunca, em toda a minha vida, fiquei tão emocionada no sentido maravilhosamente abalada como quando vi meu primeiro Van Gogh. Senti todos os pêlos do meu corpo ouriçar e um calafrio daqueles que sobem pela espinha. Pude sentir cada pincelada e enxerguei todas as cores que ele utilizava para dar expressão a sua paleta final. Foi como se cada cerda de seu pincel tivesse carregado consigo uma cor diferente, mas todas no mesmo tom, formando uma única e infinita cor. Meus olhos se encheram d'água e fiquei ali mesmo no cantinho do museu chorando. Minha mãe morreu de rir da minha cara. Devia estar assombrosa. Eu já havia rodado o museu, estava cansada, nervosa, com a língua dolorida de tanto falar español por mim e por meus familiares, e posso dizer sem culpa que Van Gogh me tocou de uma maneira nada tendenciosa. Eu já havia lido "Cartas à Théo" mas, "Van Gogh - o suicida da sociedade" (de Antonin Artaud) ainda não. Confesso inclusive que eu nutria uma certa antipatia por aqueles girassóis desmilinguidos e aquelas paisagens beges do interior da Holanda. E de toda a decadência e generosidade que o pobre Van Gogh demonstrava em suas cartas direcionadas a seu irmão. Não entendia o porquê das pessoas supervalorizarem um Van Gogh, ficava até irritada. E finalmente mordi a própria língua. Hoje, de uma certeza eu tenho: Eu não morro sem antes dar um pulo na Holanda e visitar o museu Van Gogh. Torço para que eu ainda tenha a oportunidade de ver alguns quadros do meu artista favorito, Gustav Klimt, e que sua obra desperte em mim ao menos a metade daquilo que senti quando vi Le Moulin de la Galette.

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