CO-177
Ayres, João. [Carta] 1956 set. 17,
Maputo [para] Candido Portinari, Rio de Janeiro, RJ. 2 p. [manuscrito]
Prezado Mestre e amigo Portinari
Não por falta de lembrança, mas por absoluta falta de tempo não tenho dado notícias como era meu desejo.
Também estive adoentado, dessa moléstia comum que é o apêndice!
Operado, melhorei consideravelmente, pois parece-me que era a origem de todos os meus males.
Tenho estado ocupado com enormes pinturas murais sobre o nosso velho tema das descobertas.
Muito gostei de ver os recortes que me enviou da “Guerra e Paz”, que igualmente já vi reproduzida em várias revistas.
As minhas felicitações, Mestre, por ter completado o que considero uma das maiores pinturas do nosso tempo.
Veio recentemente de Lisboa meu pai, vinha satisfeito com a edição da Selva, do F. Castro, de quem é muito amigo.
Tenho-a aqui sobre a secretária.
A edição é de fato muito boa e as gravuras estão esplêndidas! Como vai o meu querido
Brasil em matéria artística? Muitas exposições?
Quantos “ismos” apareceram mais? Cada vez a confusão é maior. Vejo aqui homens - que nem sabem desenhar - fazerem purismos com régua e esquadro - e o mal (sinal dos tempos) é que existem críticos que não sabem distinguir o gato da lebre. Resta sempre a consolação que o tempo se encarrega de colocar cada um no seu lugar!
Meu caro mestre, muito gostaria de saber de si e da sua saúde - mais fácil saber da obra - assim como de sua esposa e [?] senhora - o filho deve estar um homenzinho.
Cumprimentos para vocês de minha mulher - ela está famosa. Saudades e cumprimentos aos seus e um grande abraço para si
João Aires