CLIENTE: Gilberto Gil
VEÍCULO: Jornal de Brasília - Brasília
SEÇÃO: Guia TV
DATA:
E lá se vão quatro anos e meio de
Sr. Brasil. O tempo passou assim,
digamos, rapidinho, bem no ritmo
de um trem pelo interior do Pais. O
programa da TV Cultura mais pa-
rece a casa (ou a extensão dela) de
Rolando Boldrin. Toda terça, ele leva
para sua residência convidados ilus
tres, conhecidos ou não, mas sempre
bons representantes da música bra-
sileira. A atração raramente passa da
faixa dos 2 pontos de audiência, mas
número não é a questão principal. O
Casa de todo brasileiro
brasileiro
Perto de completar cinco anos no ar, Rolando Boldrin faz do
seu quintal palco da cultura nacional no programa Sr. Brasil
que fala mais alto é a qualidade. Não
Gil, Milton Nascimento, Emilio San-
é sempre que se pode ver Gilberto
tiago, Ney Matogrosso e Fagner aa-
nando à capela, sentados num ban-
quinho (ou em pé mesmo) com
violeiros famosos ao lado.
"Pode se dizer que o programa é,
sim, continuação da minha casa. Sou
ator, mas, quando estou no meu
cenário, estou de corpo e alma. Vol-
tado para minha casa, minha gente,
infància, pais, irmãos, amigos, d-
Boldrin: "Pode-se dizer
que o programa é, sim,
continuação da minha
casa... tudo ali sou eu"
dade. tudo ali sou eu. Meus sen-
timentos afloram por meio dos ar-
tistas que recebo. Eles cantam o que é
nosso. Sem nenhuma interferência
de fora", filosofa Boldrin.
O formato de Sr. Brasil é antigo
É uma versão melhorada do Som
Brasil, criado e dirigido pelo apre-
sentador em 1981. O programa
teve vários estilos e apresentadores
e chegou ao que é hoje. Boldrin
deixou um legado. "Quando o foco
é o Sr. Brasil, cujo nascimento veio
láááá de longe, num projeto pes-
soal de vida, plantado e mostrado
há 28 anos nas manhås da Globo, e
por saber que ele é aceito até hoje
com o mesmo interesse, dá para
imaginar o prazer em realizá-lo,
né?", pergunta ele
Boldrin conta que, antes do pro-
jeto que criou nos anos 80, a música
brasileira era somente samba. "Os
grandes historiadores da nossa mú-
sica tratavam do assunto musical
sempre focando os grandes sam-
bistas do Rio e da Bahia. A exemplo
de Noel Rosa, Almirante, Sinhô, Car-
tola, Ismael etc. Eu, desde mocinho,
achava injusto com as outras cul-
turas ngionais. Somos um país com
uma infinidade de ritmos brasileiros,
do Norte, do Nordeste, do Sul, mi-
neiro, goiano... o grande Luiz Gon
zaga e tantos outros, como Jackson
do Pandeiro, acabaram por impor os
ritmos nordestinos", diz.
Num pais que muitos dizem nio
ter memória, Boldrin não pode se
queixar. Em 2010, ele será home-
nageado por uma escola de samba
de São Paulo. "Estes "brasis' que eu
canto e conto estarão desfilando no
sambódromo com a escola de samba
Pérola Negra Osamba-enredo conta
a minha história de amar o Brasil. O
tema é "Vamos Tirar o Brasil da
Gaveta'." Alguém duvida de que ele
va ser aplaudido?
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