um quadro de nuances ali que não era apresentado.
Tudo era apresentado como preto e branco Ministério
é o preto, e a oposição do setor é o branco. Não é assim.
Marcelo Salles - A posição do Ministério da Cultura tem
sido louvável por ser um ministério muito pequeno, que
tem menos de 1 por cento do orçamento, 0,2 por cento
gerou essa reação toda, essa exposição em forma de
reclamação...
Não, não estou qualificando a avaliação. Porque venham
questionar o Ministério da Cultura sim, mas venham
assim: "Por que é que o artigo 220 não está lá?" E eu vou
lá saber se o Ministério da Cultura ignora essa questão,
vai , fica sabendo e vem e presta conta a você. Porque
o Ponto de Cultura é assim, como é que estão sendo
instalados, o que é que estão fazendo. Ver a política de
museus, o que é que é, enfim. A questão patrimonial
, está
trabalho do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico
e Artistico Cultural), como está o trabalho da Funarte
Ou seja, a avaliação tem que ser qualificada, tem
que
ser em cima dos fatos, das propostas, dos projetos, do
desempenho do ministério. É isso que a gente deveria
exigir cada vez mais, quer dizer, uma coisa escapa um
pouco daquilo - é um que chega e diz: "Eu não sei direito
o que o ministério faz, mas não sei e não gostei".
O
Mylton Severiano - O Paulo Autran.
É. "Não sei o que está fazendo, mas não gosto."
Marina Amaral - O Paulo Autran foi mais longe, disse
que o ministro Gil "está fazendo show e ganhando mui-
to dinheiro".
Mas não estou fazendo shows para o ministério nem
como ministro e nem estou ganhando direito do
governo. Estou fazendo como artista, como ele também
é e faz como ator. Quer dizer, vão proibir o Paulo Autran
de fazer as peças de teatro dele?
Marina Amaral - E o que o Ministério da Cultura faz pelo
teatro?
Eu tenho toda uma política. Agora mesmo fizemos
dois prêmios, grandes, importantes, com 100 milhões
distribuídos nesses anos.
José Eduardo Mendonça (assessor do Minc) - O inves-
timento na área de artes cênicas do Minc nos últimos
três anos é de cerca de 90 milhões de reais, isso é iné-
dito, esse número não existia.
Por outro lado, existe uma concentração de cobrança
sobre o governo federal, sobre o Ministério da Cultura,
que eu não acho correta. Por exemplo, a prefeitura do
Rio de Janeiro tinha um programa de atendimento
à área teatral acima de 50 milhões de reais que foi
retirado nos últimos a
sanos,
s, e evidentemente causou uma
dificuldade para o setor no Rio. E aparentemente esse
déficit vai para a conta do Ministério da Cultura quando
não está na conta do Minc. Ou seja: o Minc deveria ter
a capacidade de
de prontamente repor esse atendimento?
Acredito que sim. Agora, por isso estamos lá gritando:
"Me dá mais orçamento, me dá mais dinheiro...".
Claudius - Você acha que há pouca pressão, participa-
ção popular?
Sem dúvida. Tem que fazer um acompanhamento
qualificado da atuação da pasta, o que, no caso da
Cultura, é muito mais fácil talvez por causa do tamanho.
Na Saúde é uma coisa imensa, na Educação é uma coisa
imensa, mas no caso da Cultura esse acompanhamento
talvez fosse mais fácil. As câmaras setoriais que criamos
são uma tentativa de instrumentalizar essa participação
qualificada da sociedade na fiscalização, na avaliação,
na discussão, na reconceituação, no compartilhamento
das idéias com o Ministério da Cultura, mas é preciso
muito mais. A mídia também teria que ter um papel
muito maior nisso, quer dizer, vindo fazer coisas como
esta, periodicamente sentando com o Minc, não só
com o ministro, mas com as próprias secretarias, com
as áreas, pra ter os números exatos, os conjuntos das
iniciativas mais propriamente focadas etc. Porque é isso
que dá empoderamento ao ministro e sua equipe pra
ir lá brigar, pra ter uma certa condição nesse conflito
distributivo que se dá dentro do governo.
Marina Amaral - De que maneira o seu ministério foi afe-
tado pela crise política?
Acho que a crise política nos propiciou a condição de nos
voltarmos mais pra dentro de nós mesmos e pra dentro
das nossas relações intragoverno, para trabalharmos
melhor a questão com a Fazenda, Planejamento, Casa
Civil, com o Congresso, com as demandas que a gente
tinha na Câmara dos Deputados, Senado etc. Nesse
sentido, a crise nos ajudou.
Marina Amaral - Por quê?
Porque tivemos que nos voltar pra dentro. O pau está
comendo aí, CPI pra cá e pra lá, acusações disso, daquilo,
todo mundo voltado para aquele grande espetáculo
midiático em que se transformou a gestão. Vamos
trabalhar!
Marina Amaral - Você se sentiu atingido, teve vontade
de reagir?
Tive que reagir em alguns momentos, tivemos que
reagir, tive que falar coisas, defender o nosso trabalho,
defender o presidente também, fiz algumas entrevistas,
falei da caça às bruxas.
Claudius - Não foi tão tranquilamente, Gil.
Comparativamente foi. Qual foi o momento, repassando
a história destes últimos seis, oito meses, em que o
governo tenha fincado pé antidemocraticamente em
relação a ser investigado? Você não me aponta nenhum
momento. Nenhum.
Marina Amaral - Como você acha que evolui a imagem
do Brasil fora? Ainda é a terra do futebol e do samba?
Graças a Deus, ainda é.. Mas vai além também, cada vez
João de Barros - Foi de caso pensado, como se diz, a
crise?
mais.
Mas sem dúvida, política não tem caso não pensado. O ano do Brasil na França foi uma comprovação disso
e das expectativas que se tem da intensificação das relações
A oposição não tem negócio por acaso, é feita ali com o mundo ibérico através das várias instituições que
sistematicamente. Elouvável que um governo como o do representam o mundo ibérico, a começar pelo Ministério
presidente Lula tenha tãotranqüilamentecompartilhado
dessa coisa. Enfim, deixou tranqüilamente que as CPIs
fossem instaladas, e abriu as investigações, deixou a
Polícia Federal aberta, o Ministério Público tranqüilo, o
Congresso. É uma prova extraordinária de compromisso
democrático, de maturidade, de tolerância. Agora, vêm
os prejuízos naturais...
da Cultura da Espanha, Ministério da Cultura de Portugal,
o mundo da CPLP (Comunidade dos Paises de Lingua
Portuguesa), as relações com outros países da África, como o
Senegal
, o Marrocos,com os quais temos uma pauta cada vez
crescente de temas e de coisas comuns. Com o mundo sul-
americano todo, através especialmente do Mercosul, com
os Estados Unidos, onde lançamos em Miami um projeto
de difusão das manifestações culturais brasileiras com 150
culturais.
instituições americanas, incluir
atros
centros de exposição. E mais o lançamento de três Pontos de
Cultura: um na área de Miami, um na área de São Francisco
eum na área de Boston. E o ano do Brasil na França (2005).
com quatrocentos e tantos projetos brasileiros, 15 milhões
de pessoas atendendo, 2.500 artistas
s brasileiros de teatro, de
música, de dança, de tudo quanto é tipo de manifestação
foram para a França, agora a Copa da Cultura (2006) em
Berlim, duzentos projetos brasileiros e programas alemães no
Brasil, um intercâmbio. Vejo que vai muito bem a presença
brasileira lá fora e as expectativas e demandas em relação a
uma performance brasileira para o mundo vai muito forte,
muito bem, há muita presença brasileira, nesse sentido.
Claudius - Não é bem assim, só pelo argumento histó-
rico. O governo politicamente tentou evitar não só as
CPIs, como a continuação das CPIs, porque está no
seu papel...
Sim, mas sem fincar pé, sem opor resistências
intoleráveis, sem nenhuma intolerância. Foi vencido e
pronto.
Planejamento, Fazenda e Casa Civil. Planejamento
é o primeiro, é todo dia. Depois vem o das Relações
Exteriores evidentemente, toda a pauta internacional
tem que passar pelos ministérios, as embaixadas estão
envolvidas,consulados, programas brasileiros noexterior
envolvem diretamente instâncias das embaixadas e dos
consulados, e a questão da concepção política, Mercosul
tudo isso, fóruns internacionais
, o Itamaratyéparceiro direto
nessa administração dos temas, dos conceitos, na avaliação
fazer
das posições brasileiras, e tudo isso a gente tem
em sintonia absoluta com o Itamaraty. Depois eu colocaria
também o Ministério da Justiça, as questões relativas as
políticas culturais para indios que rebatem lá na Funai que
está no ministério, o Ministério do Comércio Exterior, com
o qual temos política de incentivo à exportação de música
brasileira.Como Ministério do Meio Ambiente estimulamos
uma agenda comum por várias razões e temos construído
uma pauta comum. Com o Ministério das Comunicações
temos uma pauta importantíssima.
Claudius - Quais são os ministérios com os quais o
Minc tem um diálogo permanente?
Marcelo Salles - Como é a relação com esse ministério?
É a melhor possível, a questão das rádios comunitárias, a
questão da Lei das Comunicações, aquestão do fornecimento
das antenas-satélite para os Pontos de Cultura, e temos
uma pauta grande com o Ministério do Trabalho, que são
as bolsas para a capacitação de agentes do Ministério da
Cultura para os Pontos de Cultura, para outros programas
também, bolsa do primeiro emprego, e também com o
Ministério da Educação, a questão das políticas do livro.
da leitura, a questão da educação a distância, que envolve
aspectos que desembocam na questão da cultura digital,
que é um departamento importante, Internet. Televisão
digital com o Ministério das Comunicações também é uma
pauta atual, a questão do modelo brasileiro para a televisão
digital
Marina Amaral - Brasil cresceu?
Claro que o Brasil cresceu com o presidente Lula. Obvio,
isso é óbvio, é preciso ser dito assim com essa pachorra. O
Brasil entrou no mapa político mundial com o Lula, está
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