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TIRO LIVRE DIRETO
Paulo Leandro
pleandro@grupoatarde.com.br
A tese do doutor cartola
Os dirigentes afirmam, com uma sabedoria de tese de doutorado,
que a cabeça dos torcedores é refém da paixão pelos clubes.
A TARDE-SALVADOR
ESPORTE
07.01.2007
Garantem que, aos primeiros bons resultados, os exigentes se
dobram à "melhor organização administrativa" e já não lembram,
com tanta clareza, as péssimas campanhas anteriores
É nesta tese da memória curta que os cartolas se apegam para
pedir mais uma oportunidade, depois de uma temporada ruim.
"Quem torce por nosso time, de verdade, não pode nos
abandonar". Esta ladainha, com poucas variações, é o que se ouve
deste segmento de proprietários piratas dos clubes de futebol,
transformados em grandes nações, maiores até que algumas inscritas
na ONU
O que se pode observar, sem a pretensão de um estudo de maior
fôlego, é o definhamento do futebol como paixão popular, ou no
mínimo, um subaproveitamento de seu potencial, por conta desta
tese defendida pelos doutores
dirigentes
E quem, senão os próprios
torcedores, poderiam questionar a
evidencia desta afirmação?
A torcida do Vitória, acusada de
infiel, é a que mais tem se aproximado
do perfil de cobrar resultados do time,
pois abandona o Barradão, quando
percebe alguma fuleiragem por parte
da direção do clube
"Destituição
dos
laranjas é
uma
condição
básica"
MARCOS DRAULA
Mas o exemplo isolado e
insuficiente para fazer com que a
exigência se espalhe pelos outros
clubes.
.
Velhos nomes, que já poderiam ter
pedido pra sair, continuam no
comando de clubes, cujo futuro é
abortado por falta de planejamento.
Mesmo a torcida do Vitória, que
mostra um maior grau de insatisfação
nos momentos dificeis, ainda é incapaz
de se movimentar para exigir mudanças
politicas de maior alcance, como a
participação de uma multidão de
associados em eleições diretas ou a
cobrança dos resultados de
auditoria que vem sendo esquecida.
Transformado em anexo do projeto
politico que sofreu uma derrota nas
eleições mais recentes, o futebol baiano tem em seus postos de
comando pessoas da confiança da alta cúpula do poder que se
mantém vivo, embora posicione como oposição nos próximos
quatro anos
A destituição destes laranjas, que desviam a produção das
riquezas dos clubes, é uma condição básica para passar a limpo o
futebol da Bahia, que um dia já mostrou mais força, e ainda tem um
belo futuro se houver como construir um presente.
É preciso criar meios de estimular os clubes a desenvolver
campanhas para ampliação do quadro de associados e estimular a
participação destes sócios nas assembléias e fóruns representativos.
O ciberespaço poderia ser um grande aliado, como uma força
capaz de provocar a divulgação de informações antes proibidas em
outras mídias mais fáceis de controlar, como o jornal e o rádio.
Só assim, com uma grande participação dos associados e
torcedores nos destinos dos clubes, é que se vai construir uma saída
para um
futebol tao capaz de revelar talentos e ao mesmo tempo,
incapaz de expulsar pessoas "nefastas", como cantava o ministro Gil.
Ministro Gil e as
pessoas nefastas?
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