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Documents from Gilberto Gil's Private Archive

Instituto Gilberto Gil

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Brazil

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  • Title: Documents from Gilberto Gil's Private Archive
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    Mais: estão criando boatos e fatos. Requentam notícias com intuito de se opor. É clara a inten- ção, sobretudo, de desmoralizar o presidente. Não diria que assino embaixo integralmente, mas que, se assim é, é por razões até compreensíveis. Essa elite que dominou se revezou no poder, eles detestam a idéia de que o underdog ("coitado"), como dizem os americanos, tenha chegado ao poder. Só não diziam isso porque têm que fingir o republicanismo, portanto a favor da alternân- cia de poder, são democratas e tal. Mas no fundo é muito fingimento. Na hora que podem ver uma oportunidade de desestabilizar o underdog, estão fazendo um grande esforço para isso. Até comi- go. É uma coisa horrorosa. Não vou me preocu- par com isso, não. Porque, se quiserem me ti- rar de lá, venham com dose de veneno suficien- te, porque pequenas doses, essas bobagens só me fortalecem. Se têm veneno, que mostrem. Se não têm, melhor calar a boca do que ficar com essa coisa ridícula. Qual a importância da cultura? Como pode fortalecer nossa nação? É só o que pode. Máquinas, ferramentas, tudo is- so é só para que o homem conviva com o homem. Para que se falem as várias linguagens: dos fa- lares, dos cantares, dos dançares, dos pintares, dos fazeres, dos pensares. Não há desenvolvimento sem cultura que não se- ja com e para a cultura. Ainda ontem estava na premiação de um programa, e dois adolescentes foram chamados para recitar Drummond, E Ago- ra, José? Fui chamado a falar e disse: "E agora, José?" Quer dizer, correndo, bufando por aí, nes- sa ganância toda, nesse produtivismo todo, pra quê? Se não for para o gáudio do espírito, o en- riquecimento da convivência, a entronização da comunicação, da linguagem do coração huma- no? Então, tudo é cultura, ela é primordial, ela é o porquê de todas as coisas. Só existem duas coisas: a cultura e a natureza. E a própria natureza só existe por causa da lingua- gem. Tudo está na linguagem. Até Deus. Como di- go: Deus é uma criação do homem. É o criador criado pelo homem. Porque ele é eu-dizer-o- seu-nome. Se não digo, ele não é nada. Para mim não tem outra coisa. E tudo cultura. Eu parto desse princípio. Nossa cultura hoje chega a todos os lugares. Por exemplo, o dvd do Nóbrega. Isso é novo, mas a cultura sempre chegou. Só que agora com possibilidades de tradução. São as tecnologias pós-modernas. Você vive uma refundação pela cultura. O circunstancial Simultaneidade, essa é a palavra-chave. Simultaneidade e complexidade. Se a gente consegue fazer com que o ser humano passe a lidar com essas duas dimensões de forma mais confortável, tem a possibilidade de fazer do século 21 um resolutor de problemas, mais que criador. contemporâneo está refazendo, reinstituin- do essa integridade, essa dimensão integral da comunicação humana, da possibilidade de 23 intercâmbio com os homens. E aí o disco do Nóbrega hoje pode ser um produto universal. As possibilidades que a cibernética e todas essas novas técnicas proporcionam. Dá para pensar numa refundação, a possibilidade da construção das redes. De trocas múltiplas que vão ter uma influência profunda na questão da democracia, na questão republicana, do que é o Estado, a sociedade, quais as relações. Tudo isso está sendo refundado. A questão da mi- gração, o império. É um mundo novo. Que nos dá a simultaneidade da informação. Veja o caso de tortura de iraquianos. Em pou- co tempo o mundo todo ficou sabendo. Simultaneidade, essa é a palavra-chave. Simul- taneidade e complexidade. Se a gente consegue fazer com que o ser humano passe a lidar com essas duas dimensões de forma mais confortá- vel, tem a possibilidade de fazer do século 21 um resolutor de problemas, mais que criador. Queríamos agradecer o carinho. E uma decla- ração de tiete: temos o maior orgulho pelo que já fez por nossa cultura. Eu é que agradeço a vocês. É recíproca minha admiração por vocês e por esse trabalho que fa- zem. Eu também sou fã. Junho 2004
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