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Documents from Gilberto Gil's Private Archive

Instituto Gilberto Gil

Instituto Gilberto Gil
Brazil

  • Title: Documents from Gilberto Gil's Private Archive
  • Transcript:
    As pessoas parecem ter che- gado à consciência de que, neste momento, é necessário procurar novos caminhos. "As pessoas estão tentando descobrir setores que não estejam necessariamente ligados ao Poder, às correntes de visão materialista. A Ecologia, por exemplo, é um movimento que inclui um compo- nente trascendente, que já a critica e ao desejo de que o homem tem de entender a Criação a partir de uma mentalidade, de formas tradi- cionais". Já eram duas horas da manhã de domingo, quando Gil acabou de atender a todas as pessoas que o procuraram após o show no Pal- meiras. Todos os tipos de convite lhe foram feitos: para jantar, para ir a uma festa na casa do 'sa (do Guarabira), para ir a dezenas de lugares. Gil recusou todos, pois queria mesmo era ir ao Lei Seca, bar da Zona Sul, visitar Nega, sua amiga (por coincidência minha tam- bém), que não via há muito. Imprensa e tietes ão dá para deixar de falar nisso: Gil é uma N fonte de energia inesgotável. Nesses dois dias, ainda não tinha tido um minuto de sossego. No sábado, antes de virmos para o Palmeiras, presenciei apenas alguns momentos em que mostrou uma certa tensão. As olheiras já haviam surgido e o rosto já não estava tão descontraído quando recebeu os editores - José Nogueira e Mora- cy - para a entrevista que permeia esta matéria . Mas o dime de tensão terminou logo. É que a imprensa sempre o o faz "pôr um pé atrás", pois, nestes 16 anos de es- trada, sempre tentou atingi-lo – e a Caetano – de alguma forma, na crítica, nos costumes. "Não disse- ram até que eu havia abandonado a macrobiótica pela coca-cola, quan- do fui para os EUA? São mani- queístas." Mesmo assim, não nega entrevistas a ninguém e atende a todos com disposição simpatia admiráveis, como a coletiva que concedeu no Guarujá, suado, de- pois de duas horas de show. Ao todo, de nosso encontro até sua partida, passamos mais de quarenta horas juntos. E nenhum segundo sozinhos. Entre os grou: pies e amigos que o rante todo o tempo, Beth, 20 anos, paulista , foi a mais próximab esteve hospedada para Salvador. Conversando com ela, soube que Gil é capaz, quando está aqui em São Paulo, de visitá-la na loja em que trabalha (Jeans Store), de gritar seu nome em pleno show no Anhembi, quando a vê chegar. É capaz de ligar de Salvador várias vezes para conver- sar, passar a madrugada conversan- do. Beth é a tiete nº 2. A n° 1 se chama Angélica, mas não a conheci. O próprio Gil numerou. É Beth fala: quo Gil é uma pessoa ótima, com uma calma que muita gente já perdeu. Nunca o vi brigar com ninguém, ele tem o astral elevado. Não é uma pessoa fresca, não é estrela. Fala tudo o o que sente, mas tem alguma coisa no ar, que é difícil sacar. Pelo menos, eu nunca saquei. As pessoas se apaixonam por ele. Eu nunca me apaixonei. Sou ciu- menta, mas não vou ter ciúmes de uma coisa que não me pertence. Nunca transamos". O direito de ser homem primeira oportunida- de de ver o homem que se esconde atrás do nome Gilberto Gil só surgiu no do- mingo, com o fim da "tour". Os músicos foram embora. Ele ficou A mais tempo para resolver o proble- ma da bateria de seu filho Pedro, que estava sendo consertada, e pe- gar a capa que comprou para seu primeiro carro na vida, um Che- vette. Cheguei ao hotel a uma hora da tarde. Ele já havia dado uma entrevista para a revista Doçu- ra(esbarrei na repórter que saía can- tando Toda Menina baiana a altos brados) e conversava com dois ami- gos da Nigéria, que queriam que ele voltasse para fazer um show lá. Há alguma diferença entre o homem e o mito? "Sinto saudades dos filhos, da mulher. Como vou viver imune a todas essas coisas? Não posso viver uma vida não humana. Eu quero ser, e sou, homem, antes de tudo. Essa coisa de mito e símbolo é resultado da carreira, da imprensa. São vocês aqui fazendo sua revista, mais a companhia de discos, mais o show, mais público que compranied os interesses econômicos, os músi- cos. É a música, o negócio, a infor- mação, tudo junto. Isso cria a ima- gem Gilberto Gil , o autógrafo. a grafo, a minha pessoa o autógrafo não salva, não resolve. como os outros, embora no "sofri- mentômetro eu tenha uma cotação baixa. Para isso, tenho investido muito na imunização, me instru- mentado de coisas que me possibi- litem superar questões que outras pessoas não superam". Abaixo o materialismo il afirma que só volta- rá a aparecer antes de um ano se Bob Mar- ley, que considera um gênio, vier ao Brasil e quiser que ele abra o show. Essa é a única condição. Ele não o G
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