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Documentos do Arquivo Pessoal de Gilberto Gil

Instituto Gilberto Gil

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Brasil

  • Título: Documentos do Arquivo Pessoal de Gilberto Gil
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    Música Show: O iconoclasta sob o terno do ministro 016 -69 26 É fato. O artista se debate de- baixo do terno do ministro, e wameaça escapar. Gilberto Gil - trouxe seu novo show Banda Larga para São Paulo, e es- treou na noite de quinta-feira, smo Citibank Hall, com um pi- mque e uma sofreguidão que pa- recem referendar seu desejo atual de voltar-se mais para o slado músico do que permane- -10er na seara política. Gil, aos 65 anos, é o próprio Novas canções que Gil mostra em Banda Larga são cheias de sarcasmo e ousadia formal, mas a faceta política está sempre lá JOSÉ PATRICIO/AE Vovô-menino: saltita no palco, rebola, faz careta de Jimi Hen- drix solando ao lado do filho, Bem Gil (guitarrista de sua banda), manda beijinho pela in- ternet para a filha Bela, que o assiste em Nova York, e faz pa- pel explícito de pai coruja ao lembrar da recente viagem da outra filha, Preta, para assistir ao show de Beyoncé, que ela gravou no celular e lhe mos- trou, "bonitinho, com a ima- gem perfeita, som perfeito". Lá pelo final do show, uma mulher ordena dos camarotes. "Para de falar e canta!" Prova- velmente, uma típica represen- tante daquilo que o ex-governa- dor Cláudio Lembo chama de "elite branca" - era como se dis- sesse: comprei a mercadoria e quero a entrega agora! Para aquela senhora, não se tratava de arte, mas de consumo. Mas o cantor não perdeu o rebolado. "Deixa eu falar. Não são muitas as oportunidades que a gente tem para falar livremente", pe- diu, como desarmador jeito zen queo caracteriza, sob aplausos. CLIENTE: Gilberto Gil VEÍCULO: O Estado de S. Paulo - SP SEÇÃO: Caderno 2 DATA: 18/08/2007 "Tenho 65 anos, a voz cansa- da. Não precisava estar aqui. Podia fazer como fiz em março, quando peguei meu violãozinho e passei três semanas tocando nos Estados Unidos. Tocando aquelas coisas, Super-homem, a Canção. Mas estou aqui por vo- cê, Bela, minha filha. Por você e por todos os meninos aqui, do Brasil e do mundo", disse. O show começou às 22 horas com Pela Internet e terminou com o velho éxtase coletivo, to- do mundo dançando ao som de Could You Be Loved?, de Bob Marley, e Toda Menina Baiana, à meia-noite. No meio de tudo, Gil apresentou um set de reden- ção ao samba, com uma aula so- bre as diferentes "famílias" do gênero: o samba de breque, o samba rock, o samba jazz. E so- bre a diáspora do baião. Entre um e outro bloco, ele encaixa músicas inéditas, no- vas pérolas de um cancioneiro robusto: o Oco do Mundo, Não Grude não e Não Tenho Medo da Morte, essa última belíssima vi- são crepuscular, que ele apre- senta ao violão. Evoca a nova canção de Paul McCartney, The End of the End, sobre o mesmo tema: a aproximação da morte. Ele compara a morte, entre ou- trasimagens, aum ex-presiden- te que se vê obrigado a passar a faixa para seu sucessor. VOVÓ-MENINO-Gil parece mais feliz que nunca com o palco e a música Mundo, com a letra projetada num telão ao fundo, ele mos- tra que sua poética está cruen- ta, sarcástica: "O oco do mun- do além/Além do mal e do bem/ Da verdade nua e crua/Além do saber dos sábios/Além do Deus dos esnobes/O oco do mundo é o bobs/No cabelo da perua." Os versos o reapresentam como um compositor ousado, letrista desafiador, iconoclas- ta. Em Não Grude não, ele diz "Me ajude a me escafeder/ Quem se escafede não fede" e brinca marotamente com pa- lavras e expressões dúbias, co- mo "Quer alho?". Em o Oco do Brinca com a própria per- formance no "carnaval ecléti- co da Bahia, onde os trios elé- tricos tocam até o Bolero de Ravel". Aí, diz que não conse- guiria tocar o Bolero, mas cer- tamente pode tocar Dorival Caymmi e Beatles. E emenda Marina e Get Back. Há rumores de que Gil pre- tenda deixar o ministério e tal- vez dedicar-se à disputa pela prefeitura do Rio. Seus assesso- res mais próximos crêem que, se ele deixar o MinC, vai ser pa- ra tirar o time de campo tam- bém da política. Mas, em Gil, o que é arte nunca prescinde do político, e seu show não pode- ria ser mais engajado. Épolítico quando reafirma a importância cultural de artis- tas populares como Gorduri- nha, Jackson do Pandeiro, Car- tola. É político quando discur- sa sobre as múltiplas possibili- dades que a tecnologia traz pa- ra o novo mundo, acenando com "novas possibilidades de uma certa restituição do prota- gonismo popular". É por conta disso que "setores conservado- res estão reticentes", pondera. É político ao cantar um ro- ck'n'roll que não cantava havia muito tempo, Sou Feliz por Um Triz, e comentar: "Tem uma le- tra que permanece contempo- rânea, felizmente. Ou infeliz- mente." Na letra, tudo se expli- ca: "Mal escapo à fome/Malesca- po aos tiros/Mal escapo aos ho- mens/Mal escapo ao vírus." A turnê Banda Larga passou por 17 cidades da Europa e pelo Rio. Ontem, Gil tocaria mais uma vez no Citibank Hall..
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