CLIENTE: Gilberto Gil
VEÍCULO: Correio da Bahia - Salvador
SEÇÃO:
Folia
21/02/2007
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SERVICE DATA:
A
reverência bem
que poderia ter si
do mais intensa.
No ano em que a maior festa
de rua do planeta celebrou o
ritmo musical brasileiro por ex-
celência, sobraram homena-
gens na programação car-
navalesca oficial: palco do
samba, o Bloco da Cidade com
sambistas, e até personagem-
simbolo da folia, representa-
do por um dos mais impor-
tantes ícones vivos do samba
brasileiro, Riachão. Mas, fora
uma ou outra iniciativa isola-
da, faltaram as homenagens
espontâneas, tanto ao samba,
quanto aos bambas baianos.
Grande parte das estrelas da
axé music não teve a sensi-
bilidade necessária para se
curvar diante dos avós do sam-
ba-reggae.
"Estou de plantão para ver
quem é que vai deixar de can-
tar um samba, porque bom su-
jeito não é", anunciou o histo-
riador Jaime Sodré, no sába-
do de manhã. Quem fez muito
bem a lição de casa foram os
já tradicionais blocos de sam-
ba. Com a sutileza dos bons
ritmistas, aproveitaram o es-
paço desprezado pelos
grandes empresários da músi-
ca baiana e pouco visto pela
midia nacional e transfor-
maram as noites de quinta e
sexta-feira de Carnaval, no
Campo Grande, em um es-
petáculo de beleza e harmo-
nia
O melhor é que a roda de
samba trieletrizada já provou
que dá lucro. O Alerta Geral
(antigo Alerta Mocidade)
comemorou os 13 anos de
avenida com todas as 4,5 mil
fantasias esgotadas um mês
antes do início da festa. "O
samba está retomando seu es-
paço de forma moderna, em
Rei Momo cede sua majestade
e brilho ao samba tradicional
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cima de um trio elétrico, com
abadá e cordeiro; não pode-
ria ser igual às décadas de 60
e 70. Mas ele conseguiu
guardar a raiz e a veia poéti-
ca", afirma o professor da Es-
cola de Música da Universi-
dade Federal da Bahia e folião
do Alerta, Jorge Sacramento.
E que ninguém pense que
agremiação de samba é coisa
- apenas - da terceira idade.
"Hoje, eu já tenho 38% de
jovens no bloco", contabiliza
José Luis Lopes, o Arere, pre-
sidente e um dos idealizadores
do Alerta Geral. Já há foliões,
inclusive, que saem de casa
na quinta e na sexta só para
ouvir o som dos bambas. "É
um Carnaval mais tranquilo,
de mais tradição e riqueza nas
composições. Hoje, há muitas
músicas novas sem essência,
vazias. É preciso criar o novo
buscando essa essência",
opina o folião Ranulfo Martins
Carneiro Junior, que já tem
planos de desfilar em um des-
ses blocos em 2008.
Já há, inclusive, quem
aposte em um movimento de
fortalecimento do samba no
Carnaval baiano. "Daqui a al-
guns anos, teremos não só
blocos de samba, mas várias
atividades relacionadas a ele,
a exemplo do que aconteceu
com o axé. Eu estou torcendo
para isso", acredita Jorge
Sacramento. Para Jaime So-
dré, a homenagem ao ritmo
deveria ser eterna. "Assim co-
mo nas escolas de samba, nas
quais há a obrigatoriedade da
ala das baianas, as quintas de
Carnaval deveriam ser dedi-
cadas ao samba. Não seria
uma contradição, afinal o sam-
ba gerou a festa popular na
Bahia", justifica.
O bloco Alvorada, criado
em 1975 por ex-alunos do
Homenageado oficial deste ano,
o ritmo brasileiro confirmou
sua importância na folia
Colégio Estadual Severino
Vieira, levou para o trio elétri-
co representantes dos dois
estados que brigam pela pa-
ternidade do samba: o cario-
ca Jorge Aragão e os baianos
Roberto Mendes e Raimun-
do Sodré. Mas, quando
cavaquinhos, cuicas e pan-
deiros entram em ação, não
há espaço para a discórdia.
Ao contrário, sobram defer-
ências dos dois lados. Beth
Carvalho, que precisou des-
marcar a participação na fes-
ta em 2006, por problemas
de saúde, prestou uma emo-
cionada homenagem a Dori-
val Caymmi (Maracangalha)
e a Clara Nunes (Ê baiana),
Outra reverência foi feita
pela cantora Carla Cristina,
que entoou Não deixe o sam-
ba morrer, no primeiro dia do .
desfile, no Campo Grande. O
Trio Expresso 2222, de Gilber-
to Gil, dedicou a noite da terça-
feira ao gênero musical. Ao la-
do da filha Preta Gil, o ministro
da Cultura recebeu Zeca
Pagodinho (pela primeira vez
no Carnaval baiano), Arlindo
Cruz e Alcione, que puxaram
oilo eo
oxieb
Fotos de Roberto Viana
juntos a bateria da escola de
samba Acadêmicos da Grande
Rio.
Além do Alerta Geral e do
Alvorada, os blocos Amore
Paixão, Pagode Total, Proibido
O Alerta Geral ajudou
a transformar o centro
da cidade numa roda de
samba trieletrizada,
quinta e sexta-feira
Beth Carvalho, uma
das estrelas do
samba que passaram
pela avenida
Proibir, Reduto do Samba, Não
Deixe o Samba Acabar e Re-
velação, integrantes União de
Entidades de Samba da Bahia
(Unesamba), marcaram pre-
sença na avenida.
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