grias e então não tem por que passar adiante históri-
as, que são até ótimas, mas que são pessoais. Para
compensar isso um pouquinho fui buscar histórias
nos estrangeiros que não estão aqui.
E os direitos autorais ...O então ministro Gilberto Gil,
por exemplo, se pronunciou dizendo que abdicava dos
seus direitos.
Midani. Acho que o ministro tenha sido mal interpre.
tado ou talvez tenha se expressado mal. Ninguém vai
abdicar de seus direitos autorais. O ministro não iria ab-
dicar. Estamos num momento de tempestade quanto ao
direito autoral. Primeiro, as entidades de arrecadação,
têm que desaparecer porque são um intermediário des-
necessário entre o compositor e o usuário que vai pagar
para o compositor. Há uns 25 anos deveriam ter desapa-
recido com o surgimento do Ecad. Segundo, o que o Gil
quis dizer ou abrir é uma maior flexibilidade sobre o uso
do copiar. Hoje você pega uma gravação do Gil e não
pode mexer, fazer nada.
Está proibido tocar, como se fosse uma pedra into
cável. Ele argumenta, com toda razão, que deveria
se deixar ao livre arbítrio de muitos músicos poderem
entrar nesta música e interpretar a sua maneira, no
sentido musical, de acrescentar coisas.
O projeto de Lei em andamento no Congresso para
isenção de impostos, a PEC da música pode ser uma
boa alternativa à crise que passa o setor?
Midani - Já é tarde. A indústria está pedindo isso há
30, 35 anos, nunca foi dado esse benefício. Isso
quando o disco era um produto fabril. Isto porque
não devem achar que a música é tão cultura assim,
não há nem cadeira de música nas escolas. E eu la-
mento muito por isso.
Como vai a música
Brasileira no sentido de novos talentos?
Midani - A música brasileira vai bem obrigado.
Ela é rica, é próspera, no sentido da criatividade,
talvez seja o que o Brasil tenha de mais criativo de
tudo que faz, inclusive carnaval e futebol. O que
as pessoas sentem falta é de grandes rasgos de coi.
sas novas. De fato, de alguns anos para cá,a músi.
ca tem tido uma evolução discreta, o que não tem
tido é revolução. Bossa Nova era revolução,
Tropicalia era revolução, rock era revolução. A
última que a gente teve no percurso da MPB foi
Chico Science, e o Chico Science já fazem
quantos anos... Tem artistas maravilhosos como
Adriana Calcanhoto que adoro, Lenine que tam-
bém adoro e muitos que adoro, mas que fazem
música de um caráter evolutivo do que vinha an-
tes deles. O que está faltando é o Big Bang,
Os especialistas dizem que isto é questão de tempo...
Midani - Claro. É muito ligado a situação também do
mundo ambiente aqui do Brasil. Da mesma maneira
que as coisas são evolutivas na política que não tem
grandes esperanças, grandes mudanças, não tem um
político fantástico que fosse complementar o discur-
so de Lula sendo oposicionista ou não. Todo mundo
está acomodado, os sindicalistas estão acomodados,
as oligarquias de ontem estão acomodadas, haja vis-
to o Sarney, não tem grandes ondas e na música
também não. Fico surpreso com essa ausência de
discurso, não digo anti-político, porque a gente quer
e precisa do político, mas esse silêncio dos artistas.
Tem esta bandalha aí e ninguém confronta isso.
Illwww.festanacionaldamusica.com.br))) 29