CLIENTE: Gilberto Gil
VEÍCULO: Correio do Estado - Campo Grande
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Variedades
31/01/2008
GILBERTO GIL
Segundo o ministro da Cultura, ainda que seja majoritária demograficamente, a presença do negro ainda é incipiente em vários setores da sociedade
Em visita a São Paulo
Fashion Week (SPFW), há
duas semanas, o ministro da
Cultura, Gilberto Gil, mos-
trou um lado de "guerrilheiro
fashionista que pouca gente
conhece. Ele criticou, por
exemplo, o pequeno número
de modelos negras na passa-
rela do evento. "É pequeno,
como é pequeno o número
de negros nos quadros das
universidades, no mundo
político. Isso acontece por
força da escravidão, as-
come
Caetano Veloso. Vivemos em
e
uma segunda abolição, que
ainda não se deu
mas se acu pada
Gil critica escassez de modelos negras nos desfiles
ARQUIVO/PAULOPINTO/AE
JOTABE MEDEIROS (AE)
demograficamente, a presen-
ça do negro ainda é incipiente
nesses setores. Especialmente
naqueles que têm a ver com a
riqueza, com a concentração
de
riqueza.
Gilberto Gil também se
disse favorável ao manifesto
cont
da design
de sapatos inglesa
Vivienne Westwood, de 67
anos, participante da SPFW,
consumismo desen-
freado. A ameaça ecológica
vem de um produtivismo exa-
gerado",
concordou, dizendo
que só com a "regulação des-
tanto
ses processos,
de
pro-
dução quanto de consumo", é
que se pode ter algum efeito
prático. "Vivienne não fala de
forma impositiva, de obrigar
O ministro Gilberto Gil defendeu a liberação das leis de incentivo à cultura para a indústria da moda
as pessoas a consumirem
menos, mas de uma indução
natural", considerou.
moda, assim como falou da
necessidade da criação de um
fundo especial para fomentar
e incentivar os designers do
setor. Paradoxalmente, ele
também convocou o setor da
moda para trabalhar no sen-
tido da democratização de
seus produtos para as classes
menos favorecidas
economi-
camente no Brasil.
O ministro defendeu a li-
beração das leis de incentivo
a cultura para a indústria da
Gil discursou para um
auditório lotado no terceiro
andar da Bienal de São Paulo.
Ele falou sobre o avanço do
mercado da moda no País e
explicou como esse avanço já
tem conseguido um reconhe-
cimento do Estado brasileiro.
"Há 10 anos, não viria aqui
um ministro para falar e não
haveria um repórter como vo-
cê para questionar", disse, di-
rigindo-se a uma jornalista.
Ministro fashion
Bahia, do Ilê Aiyê, dos Filhos
de Gandhi", afirmou.
“Essa semana, em Salva-
dor, eu usei durante o show
uma calça do dia-a-dia dos
meninos do candomblé, a cal-
ça que uso também no terrei-
ro de Opô Afonjá, lá em Salva-
dor", ele contou, acrescentan-
do que o traje era composto
ainda por uma camiseta do
estilo regata de uma dessas
marcas populares"
, mais a
tradicional sandália. "E eu
estava elegantissimo. Minha
moda vai disso até um terno
Prada
como esse aqui", afir-
mou, mostrando o paletó que
Gil afirmou que já não é
possivel falar em “padrões de
consumo" porque os consu-
midores atuais fazem esco-
lhas influenciadas por deci-
sões "éticas, biológicas, étni-
cas, 'identitárias sociopolíti-
cas e outras tantas mais". Por
causa disso , na opinião dele,
é preciso estar atento aos mo
hoje
estava sobre a cadeira.
platéia da SPFW fez um
"uuuhhhhhhhhh" sonoro, de
pleno regozijo,
mas ele zom-
.
da "periferia
seriam "mais capazes de ino-
var e emitir tendências".
bou da
da reação entusiasmada
das pessoas. "Vocês fazem
'uuuhhhhhhhhhhhh
uuuhhhhhhhhhhhh' por-
colonizada de nossa reação à
moda. Um terno Prada não é
mais elegante do que um tur-
bante do Ilê Ayê ou dos Filhos
Falando sobre sua relação
pessoal com o mundo moda,
Gilberto Gil confessou ser
so", profundamente ligado
ao circuito fashion. "Eu ado
ro. Eu sou mesmo vaidoso.
A elegância é uma diversão
que sempre permeou minha
vida desde a infância. Ser ele-
gante não é exclusividade de
um certo grupo, de uma de-
terminada classe social. Um
indio pode ser extremamen-
te elegante. Como também
elegantes são os negros da
um homem bastante "vaido- de Gandhi", alfineto vevelou
A reportagem , Gil
que já entra em estúdio em
fevereiro para gravar seu pri-
meiro disco composto ape-
nas por músicas inéditas, já
intitulado "Banda larga"
. O
trabalho deverá ser lançado
no mês de junho. Antes do
lançamento do CD, o minis-
tro afirmou que músicas e
vídeos já estarão disponíveis
para o público na internet.