CLIENTE: Gilberto Gil
VEÍCULO: Estado de Minas - BH
SEÇÃO: Opinião
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Mais cultura
GILBERTO GIL
Ministro da Cultura
Brasil está prestes a ter o seu
primeiro Plano Nacional de
Cultura (PNC), que será
O
uma alavanca para políticas
culturais abrangentes e per-
manentes. Uma parceria
entre os poderes Executivo
e Legislativo e o diálogo de
quatro anos com setores
culturais e da sociedade civil teve como resultado o
Caderno de Diretrizes do PNC, que está disponível
na página www.cultura.gov.br/pnc. Para participar
da elaboração da proposta final do plano, basta aces-
sar a página e registrar críticas e/ou sugestões. Ou-
tro caminho para quem pretenda contribuir é par-
ticipar dos seminários estaduais do PNC, a começar
pelo de Minas Gerais que será realizado entre ama-
nhã e sábado. São oportunidades que se abrem pa
ra a participação democrática de todos, antes da sua
aprovação, que esperamos, ocorra em 2009.
Os índices de leitura divulgados recentemen-
te pela pesquisa Retratos da leitura (3.7 livros,
em 2007, contra 1,8 livro/ano, em 2000) revelam
que o aumento do investimento em educação e
cultura no governo Lula, a redução do déficit de
bibliotecas e a ampliação da política cultural
vêm beneficiando diretamente a população. Os
dados não são totalmente comparáveis, porque
a metodologia de pesquisa mudou, mas fica cla-
ro que houve um salto importante. Significa
que, além de crescimento
econômico, há o de
acesso a bens culturais em nossa sociedade. O
PNC chega como instrumento para que esses in-
dicadores continuem melhorando ao longo dos
próximos 10 anos. Sendo um plano de Estado,
não de governo, seu objetivo é fortalecer políti-
cas de continuidade, permitindo a avaliação pe-
la sociedade e pela imprensa.
O caderno on-line tem sete conceitos norteado
res, 33 áreas de atuação estratégica e mais de 200
diretrizes de ação. O papel do Estado é definido:
universalizar o acesso a bens e serviços culturais,
ampliar a formação cultural nas escolas, diversifi-
car fontes e mecanismos de financiamento da cul-
tura, fortalecer o Sistema Nacional de Cultura, in-
corporar bancos públicos e privados no apoio à cul-
tura, diminuir as desigualdades regionais. O plano
prevê políticas para a cultura dos povos indígenas,
para a música brasileira de concerto direitos auto-
rais, para instalação e modernização de novas bi-
bliotecas, uma política de patrimônio e memória
mais ampla, entre outras dezenas de frentes. Pes-
quisa do Intituto Brasileiro de Geografia e Estatís-
tica (IBGE)/Ministério da Cultura (MinC) sustenta
plano, cujas diretrizes advém da participação social
na Conferência Nacional de Cultura e nas câmaras
setoriais de cultura
Em termos de custos, o plano já sai do papel
com investimentos de R$ 4.7 bilhões até 2010, por
meio do programa Mais cultura: investimentos
em acesso a equipamentos, bibliotecas e formação.
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Apenas 4,2% das
cidades brasileiras
têm órgãos
específicos para
fomentar a cultura
A ascensão social de milhões de brasileiros para
a classe média, bem como a consolidação da edu-
cação como prioridade nacional, torna urgente
garantir os direitos culturais plenos de todos os
brasileiros, indo além da formação de novos con-
sumidores. A desigualdade social se reflete em
perversa exclusão da vivência cultural e estética:
apenas 10% dos brasileiros costumam freqüen-
tar cinemas e teatros. Apenas 4,2% das cidades
brasileiras têm órgãos específicos para fomentar
a cultura. As demandas culturais - especialmen-
te da população de baixa renda - são hoje (par-
cialmente) atendidas por uma economia infor-
mal. O potencial económico de uma política efi-
ciente de acesso universal é também a formaliza
ção de milhões de empregos e oportunidades da
economia da cultura
A execução desse plano pode ser um dos bons
consensos de nossa democracia, sob a responsa-
bilidade do governo Lula e de futuros governos. A
presença de mais de 400 deputados e senadores
na Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultu-
ra é evidência de que o retrato da área como aces-
sório vem se apagando de vez. As condições são
favoráveis ao novo lugar da cultura no projeto de
desenvolvimento. Aprovado, o plano estará sujei-
to às atualizações e, mais importante, à responsa-
bilidade de executá-lo.