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Documentos do Arquivo Pessoal de Gilberto Gil

Instituto Gilberto Gil

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Brasil

  • Título: Documentos do Arquivo Pessoal de Gilberto Gil
  • Transcrição:
    CLIENTE: Gilberto Gil VEÍCULO: Hora do Povo - SP Política/Economia 05 a 09/08/2007 CLIPPING SEÇÃO: SERVICE DATA: BNDES vai atrás de maus exemplos do ministro Gil O edital lançado em junho de 2007 para o projeto "QUINTAS NO BNDES” é uma amos- tra de como a música brasileira vem sendo tra- tada pelas autoridades culturais do país, inspi- radas pelos sucessivos maus exemplos do mi- nistro Gilberto Gil. O projeto estabelece remunerações diferen- ciadas para os shows (18.000, 12.000 e 6.000 reais), dividindo os artistas em três categorias: "Renome","Destaque" e "Novos Talentos". A pergunta que se coloca é: Qual o critério utilizado para a definição dessas categorias? Adivinhou quem respondeu que são os "cri- térios de mercado". Ou seja, os critérios esta belecidos pelos monopólios - gravadoras mul- tinacionais e mídia movida a jabá - que sufo- cam o mercado musical brasileiro e tem causa- do visíveis danos à cultura nacional. Por se tratar de um projeto inteiramente financiado com recursos públicos, seria de se esperar que, caso fosse realmente necessário estabelecer diversas categorias, o critério fixa- do levasse em conta o valor artístico e o signifi- cado cultural da obra dos concorrentes. Mas não. O edital afirma, inclusive de for- ma grosseira, que fazem parte da categoria "Renome" apenas os artistas "cujo somató- rio da venda de discos que componham o conjunto de sua obra ultrapasse 1 mi. lhão de unidades" e "detenham mais de uma premiação de performance, como discos de ouro ou platina". Ainda, segun- do o edital, ambos os requisitos devem ser "preenchidos cumulativamente". A categoria “Destaque" segue o mesmo pa- drão: intérpretes "cujo somatório da ven- da de discos que componham o conjunto de sua obra ultrapasse 100 mil unidades" e "detenham discos de ouro ou platina". Na categoria "Novos Talentos" o artista deve provar essa condição pelo "reconheci- mento da mídia, através de matérias pu- blicadas em jornais de grande circula- ção em suas praças de origem " Tais são os pressupostos que tem crescente- mente orientado os investimentos de recursos públicos no setor cultural: a mais completa e abjeta submissão às maiores pragas da cultura nacional - os monopólios da indústria cultu- ral e seus irmãos siameses, os monopólios de mídia, que vivem um acelerado processo de fusão cujos efeitos deletérios dispensam co- mentários. O BNDES apenas teve o mérito de explici- tar esses critérios de modo claro e inequívoco. Se é para seguir nesse diapasão, o presiden- te Lula, que é um homem sensível às carências populares, deveria deslocar esses recursos para outras áreas onde eles possam ser, de fato, úteis. Pois, do ponto de vista da cultura, mais que um desperdício, eles têm representado um mal. (SR) PÁG.: 02
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