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Documents from Gilberto Gil's Private Archive

Instituto Gilberto Gil

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Brazil

  • Title: Documents from Gilberto Gil's Private Archive
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    com o gesto de um giro. "Aliás, a úni- ca constante do universo é que tudo muda. Portanto, a mudança é divina. Equilibrar a mudança da vida é um processo diário", diz Gilberto Gil, que desde os anos 60 vem mudando diante dos olhos dos brasileiros com uma desenvoltura espetacular. Já foi um ícone da contracultura, criou a No exílio com Caetano Veloso, na fase da Tropicalia; nos shows internacionais; e na semana passada, na Bahia, Gilberto Gil é sempre múltiplo e sempre uno tropicalia, voltou do exílio com o reg- gae na mala, fez música que ganhou Grammy e virou ministro. Gil foi agente de uma mudança muito interessante no cenário brasi- leiro: é um ministro que da forma mais transparente do mundo concilia seu serviço ao país com a carreira. Afinal, a lógica financeira exige que ele continue com sua agenda de shows. "O índice de transparência com que equilibro minha vida de mi- nistro com a agenda de shows é total. Agora, para o segundo mandato, quando fui conversar com o presi- dente, mostrei a ele que já tenho mui- tos compromissos agendados e que a continuidade no Ministério só seria viável se eu pudesse mantê-los. Ele entendeu. Acho isso um enorme avanço. Na verdade é um avanço em escala mundial”, diz Gil. “E mais: eu me gratifico por ter tido a possibilida- de de inaugurar esse indice de trans- parência aqui no Brasil”, arremata. Gil revela que seu estilo de ser e de atuar como ministro é muito bem re- Gil é a demonstração viva de que a melhor forma de ser vencedor é ser original e completo, ao mesmo tempo que mutável e diverso cebido, e até é objeto de admiração por seus pares, ou seja, os outros mi- nistros da cultura. "Eles percebem le- gitimidade em mim. Pelo fato de seu ser artista, de viver da cultura e para a cultura. De não ser um erudito que vive escondido mas sim de alguém que vive a cultura de forma ativa e proativa. E pelo fato de eu ser autor, de, com o meu trabalho, contribuir para o conjunto da cultura brasilei- ra”, conta no seu tom simpático que mistura humildade e entusiasmo. incontrolável. Considerar um movi- mento, como o funk, ou uma obra boa ou ruim, é sempre questão de referen- cial. Às vezes, a produção cultural po- de vir da falta de cultura. Exemplos não faltam!!! O punk foi considerado falta de cultura; o jazz também. João Gilberto, foi criticado e chamado de desafinado; Bob Dylan sofreu. Os modernistas fo- ram hostiliza- dos. Mas a cultu- ra avança, sem- pre. A com- preensão do no- vo acaba che- gando", analisa Gil. "O que te- mos de perceber é que a socieda- de humana tem investido muito no destemor. As vezes, de forma Em relação ao futuro da cultura, Gil é conciliador e ecumênico em re- lação a manifestações que muitos consideram incultas. “Na cultura, na arte, na vida, em todo lugar, o bom e o ruim simplesmente ocorrem. Isso é natural, às vezes com arrogância. Mas o fato é que hoje há menos superstição e mais confiança no imanente. A glo- balização ampliou a compreensão en- tre os povos”, diz o compositor e mi- nistro que representou o Brasil na ONU durante a produção da Conven- ção da Diversidade Cultural. Gil afirma que se sente tão bem na tribuna da ONU quanto no pal- co. "O ministério me atirou no mun- do!", arremata Gil, que virou uma de- monstração viva de que a melhor maneira de ser um vencedor é ser original e completo, ao mesmo tem- po que mutável e diverso. Essa é mais uma lição de um homem que ensi- nou toda uma geração de brasileiros a falar com Deus. F FORBES BRASIL 7 DE FEVEREIRO DE 2007 77
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