CLIENTE: Gilberto Gil
VEÍCULO: Meio Norte - Teresina
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CLIPPING SEÇÃO:
SERVICE DATA: 22/01/2008
MODA
Ministro defendeu a liberação das leis de incentivo à cultura para a indústria da moda
falou na necessidade da criação de um fundo especial para incentivar os designers
Gil mostra seu lado moda
na São Paulo Fashion Week
Jotabê Medeiros
AGENCIA ESTADO
m visita a São Paulo
Fashion Week, o mi-
nistro da Cultura, Gil-
berto Gil, mostrou um lado de
"guerrilheiro fashionista" que
quase nunca mostra. Ele co-
mentou, por exemplo, sobre o
pequeno número de modelos
negras na passarela.
"É pequeno, como é
pequeno o número de negros
nos quadros das universida-
des, no mundo político. Isso
acontece por força da escravi-
dão, como o assinalaram Joa-
quim Nabuco e Caetano Velo-
so. Vivemos numa segunda a-
bolição, que ainda não se deu
plenamente. Ainda que seja
majoritária demograficamen-
te, a presença no negro ainda
é incipiente nesses setores.
Especialmente naqueles que
tém a ver com a riqueza, com
a concentração de riqueza."
Ele também se disse favorá
vel ao manifesto da estilista
inglesa Vivienne Westwood,
de 67 anos, participante da
SPFW, contra o consumismo
desenfreado. "A ameaça eco-
lógica vem de um produtivis-
mo exagerado", concordou,
dizendo que só com a "regula
ção desses processos, tanto
de produção quanto de consu-
mo", é que se pode ter algum
efeito prático. "Vivienne não
fala de forma impositiva, de o-
brigar as pessoas a consumir
menos mas de uma indução
natural", considerou.
O ministro defendeu a li-
beração das leis de incentivo
à cultura para a indústria da
moda, assim como falou na
necessidade da criação de
um fundo especial para fo-
mentar e incentivar os de-
signers do setor. Paradoxal-
mente, também convocou o
setor da moda para trabalhar
no sentido da democratiza
ção de seus produtos para as
classes menos favorecidas e,
conomicamente.
Gil falou para um auditório
lotado no terceiro andar da
Bienal de São Paulo. Ele falou
sobre o avanço da moda no
País, e de como esse avanço
já tem um reconhecimento do
Estado brasileiro. "Há 10 a-
nos, não viria aqui um minis-
tro para falar, e não haveria
um repórter como você para
questionar", disse, dirigindo-
se a uma reporter.
O ministro afirmou que já
não é possível mais falar em
"padrões de consumo", por-
que os consumidores atuais
fazem escolhas perpassadas
por decisões "éticas, biológi-
cas, étnicas, identitárias,
sociopolíticas e outras tantas
mais". Por causa disso, consi-
dera, é preciso estar atento
aos movimentos da "perife
ria", hoje mais capazes de i-
novar e emitir tendências.
Gil, falando de sua própria
relação pessoal com a moda,
confessou-se um homem
"vaidoso", profundamente li-
gado ao mundo fashion, "Eu
adoro. Eu sou vaidoso. A ele-
gância é uma diversão que
sempre permeou minha vida
desde a infância. Ser elegante
não é exclusividade de um
grupo, de uma classe social.
Um indio pode ser extrema-
mente elegante. Como ele-
gantes são os negros da Bahia
do Ile Aiye, dos Filhos de
Gandhy", afirmou Gil.
Em seguida, armou uma
FRASE
"A elegancia é
uma diversão
que sempre
permeou mi-
nha vida desde
a infància"
pequena arapuca para os re-
pórteres que o entrevistavam.
"Essa semana, em Salvador,
eu usei durante o show uma
calça do dia a dia dos meninos
do candomblé, a calça que uso
no terreiro de Opo Afonjá, em
Salvador", ele contou, acres-
centando que o traje se com-
punha ainda de uma camiseta
regata de uma dessas marcas
populares", mais a sandália.
"E eu tava elegantissimo.
Minha moda vai disso até um
terno Prada como esse aqui",
afirmou, mostrando o paleto
na cadeira. A platéia fez um
"uuuhhhhhhh" sonoro, de re-
gozijo. Mas ele zombou da
reação. "Vocês fazem uuuhhh
porque essa ainda é uma mar-
ca colonizada de nossa reação
à moda. Um terno Prada não
é mais elegante que um tur-
bante do le Aye ou dos Filhos
de Gandhy." Gil revelou que
já entra em estúdio em feve-
reiro para gravar seu primeiro
disco só de inéditas, já intitu-
lado Banda Larga, que deverá
ser lançado em junho. Antes
do lançamento do CD, Gila-
firmou que músicas e videos
já estarão disponíveis no You-
tube. "As músicas do CD te
rão várias versões, assim co
mo os vídeos que vamos gra-
var no decorrer do trabalho e
O mais interessante é que as
pessoas poderão acompanhar
tado pelo Youtube."
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