Símbolo do barroco mineiro do início do século XVIII (c. 1712), a Igreja Matriz de Santo Antônio de Pádua situa-se no distrito de Itatiaia, em Ouro Branco, Minas Gerais, Brasil. O templo posiciona-se de forma estratégica ao longo da Estrada Real, a mais importante rota colonial da América do Sul, que ligava as ricas minas de Vila Rica (atual Ouro Preto) aos portos do Rio de Janeiro.
A arquitetura da Matriz revela uma transição técnica singular: enquanto a capela-mor preserva a estrutura de madeira aparente — marca das primeiras construções religiosas das Minas —, a nave exibe a solidez da alvenaria de pedra posterior. Em seu interior, o visitante encontra uma síntese da opulência do Ciclo do Ouro, com retábulos filiados ao estilo Dom João V e pinturas de forro que transitam entre o drama barroco e a delicadeza do Rococó mineiro.
No início dos anos 1990, a igreja foi alvo de um expressivo crime: um furto que resultou no desaparecimento de 21 peças sacras. O cenário de desolação encontrado pela zeladora na manhã seguinte ao crime — com o templo revirado e altares despojados — deu início a um doloroso inventário de perdas que, até hoje, mobiliza especialistas e a comunidade local na esperança de recuperar os fragmentos desaparecidos de sua identidade cultural.
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