Considerado como yōkai, Namazu é o mítico peixe-gato gigante causador de terramotos que vive enterrado na lama. As ilhas do Japão encontram-se nas suas costas. Quando Namazu acorda, sacode-se e mexe-se em todos os sentidos, causando terramotos. Segundo a lenda, o kami Takemikazuchi, de Kashima, é o único capaz de conter o peixe, graças à sua espada. Mas, às vezes, este kami adormece e relaxa a vigilância. Namazu então acorda e começa novamente a mover-se, causando novos terramotos.
O terramoto da Era Ansei (1854-1860) que ocorreu na cidade de Edo no 10.º mês do ano de 1855 deu azo à produção de diversas ilustrações referidas como namazue (imagens do peixe-gato), assim denominadas devido à crença popular de que os terramotos eram causados pelo yōkai Namazu, que se movia no interior da terra. De modo transversal, o peixe-gato seria retratado como um peixe de corpo longo sem escamas, cabeça achatada e uma grande boca com dentes afiados, de ambos os maxilares saindo dois pares de barbilhões. Em função da crença segundo a qual Takemikazuchi era o único capaz de dominar a criatura, a sua figura seria, igualmente, associada ao terramoto de Ansei em diversas gravuras.
Nesta imagem, em cima de um estrado, Takemikazuchi, kami do santuário xintoísta de Kashima, aponta para uma imagem do Namazu, acusando-o de ser responsável pelos terramotos, perante a população que observa com expressões zangadas e de surpresa. No título, a palavra jishin significa «terramoto». Publicado possivelmente em 1856, o Ansei kembun shi (Registo de observações pessoais sobre a Era Ansei) refere que após o sismo estariam em circulação cerca de 320 gravuras, panfletos e livros referentes ao acontecimento, os quais eram prontamente adquiridos na rua pela população. Raramente estas publicações surgem assinadas por um artista ou editor e, ainda que não tenham inscrição de qualquer data, é possível assumir que grande parte delas tenha surgido após o terramoto.
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