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Responde à carta aberta dos jovens pintores potugueses, chocados com afirmações de Portinari, em entrevista transcrita no nº 112 da revista "Vértice" (dez. 52). Procura esclarecer interpretações errôneas de suas palavras.

Details

  • Title: Letter
  • Creator: Candido Portinari
  • Date Created: 1953-09-03
  • Location: Portugal , Rio de Janeiro RJ
  • Provenance: Portinari Project Collection
  • Subject Keywords: Arte/Cultura, Artistas, portugueses, Vida Pessoal, Entrevistas/Declarações, 1950-62
  • Transcript:
    CO-2120 Portinari, Candido. [Carta] 1953 set. 3, Rio de Janeiro, RJ [para] Lima de Freitas, Portugal. 2 p. [datilografado] Prezado amigo Lima de Freitas Com agradável surpresa, deparei no último número de Vértice, a carta aberta que os jovens pintores portugueses me dirigiram. Surpresa agradável porque não imaginei que os jovens emprestassem valor ao que eu pudesse dizer. Por isso, avesso a escrever, aqui estou tentando, penosamente, com dificuldade de linguagem, esclarecer as dúvidas suscitadas. Não tendo à mão a entrevista original publicada no Rio, não posso compará-la com os fragmentos insertos no número 112 de Vértice. A entrevista do Rio não foi deturpada, mas uma afirmação minha: “Primeiro penso como homem” – em vez de ficar no início da palestra saiu no fim, dando margem a confusões. O que penso como homem, penso como artista – e quando disse que no ato de pintar só me preocupa a pintura quis, com isso, esclarecer que a forma e a cor me preocupam. O abstracionismo é o embrião do quadro. Não quero dizer com isso que meus quadros sejam abstratos, nem que com formas abstratas se exprima um conteúdo realista. Trata-se do esquema material do quadro. Primeiro, parto da necessidade de exprimir um tema que eu sinta. No ato de executá-lo faço logo uma distribuição de formas, para em seguida apurá-la e tornar o assunto legível, como penso ter feito em meus trabalhos já realizados. Quando pinto (ato de pintar) não me preocupo com o tema porque este já está amadurecido dentro de mim. Não se pode separar a forma e o conteúdo; disse que me preocupo com as cores e formas tanto ou mais do que os que se arvoram em seus senhores. Está claro que não pretendo reduzir a arte moderna a certos formalismos da Escola de Paris. Quando falo dos murais (14) de Batatais dizendo ter partido de formas abstratas – com isto quis esclarecer que não são histórias em quadrinhos (como certos críticos daqui qualificam os realistas) Na questão da técnica é preciso um pouco de calma e não pensar que só por ter encontrado um bom tema o quadro já está realizado. Creio que é preciso saber o ofício como o sabiam os antigos. Quanto ao Tema: o Tema é o homem. Com respeito à sua quinta pergunta, minha frase foi incompreendida. Um artista deve ser modesto e procurar ver a sua obra passada, não para renegá-la, mas sentindo a não a haver feito melhor. Portinari 2
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  • Type: letter
  • Publisher: Projeto Portinari
  • Rights: Candido Portinari
  • External Link: http://www.portinari.org.br
  • Number: 2120
  • Collection Data Type: CO

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