CO-1943
Barros, Jayme de. [Carta] 1948 out. 5,
Paris [para]
Candido Portinari, Rio de Janeiro, RJ. 2 p. [manuscrito]
Meu caro Portinari:
Sua carta, há tanto tempo esperada, causou-nos viva alegria, ainda mais por que veio acompanhada de palavras amigas também de Maria e da Inês. Fiquei contente quando soube que você havia voltado ao Brasil. Conheço vocês bem, para saber que a vida no estrangeiro não lhes agrada. Vocês teêm, como nós, profundas raízes na terra e esse deslocamento, mesmo provisório, produz abalos. Além disso, um pintor como você, precisa do seu “meio”. Já não compreendo você senão no Brasil, realizando sua obra monumental. A notícia da exposição, que o Loy, almoçando em nossa casa, me havia dado, é magnífica. O Vlaminck viu o seu desenho e os “Retirantes” e gostou muito. O Aurioste fala sempre em vocês.
Suas contas, agora, estão liquidadas – já era tempo! Paguei à Alfândega, mesmo sem receber resposta sua, porque não havia outra coisa a fazer. Darei o saldo ao Loy, como você deseja. Não creio que haja dificuldades na saída, pois a fiscalização não é muito rigorosa. Em todo o caso, se lhe interessar, posso mandar o meu Banco pagar a você aí o saldo, levando o Loy a prestação de contas. Se estiver de acordo, mande dizer.
Saudades e abraços nossos para vocês todos. Do seu amigo de sempre.
Jayme
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