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Rassegna stampa, Oggetto 124

Lonzi Marta18 ottobre 1969 - 23 ottobre 2001

La Galleria Nazionale

La Galleria Nazionale
Roma, Itália

  • Título: Rassegna stampa, Oggetto 124
  • Criador: Lonzi Marta
  • Data de criação: 18 ottobre 1969 - 23 ottobre 2001
  • Transcrição:
    Resgatando a Mulher Negra Alzira Rufino O Coletivo de Mulheres Negras realizou um trabalho de resgate histórico da participação de 30 mulheres negras no campo das lutas sociais, da cultura e da política do pais, preenchendo uma lacuna de informação sobre a atuação da mulher Degra na sociedade brasileira Com grande dificuldade recolhemos dados esparsos pelo pais, recorrendo a pesquisadores, a materiais inimeografados, a tesos, a bibliotecas e aos grupos negros existentes no pais. Pelo fato da mulher negre no ter recebido até agora a atenção dos historiadores, quase nada há impres so sobre a vida das mulheres de que trata a Cartilha 1 Mae Aninha e Mãe Senhora da Bahia Que uma caladeira de papéis tenha se trans formado numa escritora traduzida em 13 idiomas (Carolina de Jesus), que uma princesa africana Lenha se tornado lenda no Rio de Janeiro (escrava Anastácia), que uma favelada tenha sido eleita para a Constituinte (Benedita da Silva), que uma menina negra tenha começado sua carreira de pintora famosa, usando como tela as paredes de sua casa (Maria Auxiliadora da Silva), não é mais surpreendente do que o anonimato em que se encontra estas mulheres, objeto de pesquisa de Cartilha Nos do Coletivo de Mulheres Negras da Baixada Santista, pretendemas com esta Cartilha mudar a visão que a criança, a mulher e o homem negros tem sobre sua propria raça, além de fomecermos subsídios para apresentar a verda- deira imagem da nossa etnia, que lutou por sua liberdade, que procurou superar todas as barrel ras da discriminação para afirmar a sus cultura, a sua arte, as suas raízes Só podemos atribuir esse desinteresse à margi- nalização a que é relegada toda a comunidade negra e à desinformação, já que algumas dessas mulheres possuem una biografia que interessa- ria não apenas os estudiosos, mas até o público das novelas de televisão. É o caso de Agualtune, filha do rei do Congo, que tendo ido para a frente de batalha, com 10.000 guerreiros sob seu comando, para defender o reino do seu pai, é aprisionada por inimigos, e vendida como escra va para Pernambuco. Mais tarde, junto com Ganga Zumba organizou Quilombo de Palma- res. Luiza Mahin participou de várias insurrei- ções pela libertação da sua raça, embora seja mais conhecida como a mãe do abolicionista Luís Gama. Estamos conscientes da importância da educa cão e dos meios de comunicação para questionar essa conceituação pejorativa relacionada a cor negra, por esse motivo lançamos essa cartilha como subsídios às escolas, buscando revelar a verdadeira participação dos negros na história e na formação brasileira Essa Cartilha, realizada por Alzira Rulino, poeta e enfermeira, Maria Rosa Pereira, profes Ngo foi apenas pela liberdade social que as sora e Nilza Iraci, jornalista, é mais um passo mulheres negras lutaram. Tarnbem a sua religião era perseguida e praticar a lé era motivo de para mudar esse quadro de desinformação oficial. Nosso trabalho não está terminando. E prisão, como atestam as biografias de algumas líderes religiosas do candomblé, como Mãe um convite para que outras pessoas continuem esse resgate Menininha do Gaulois. Estas lalorixas (Māos-de- santo) por sua dignidade e conhecimento forna- ram-se figuras de importância nacional e inter- nacional, como atestam também as biografias de As pessoas interessadas na Cartilha "Mulher Negra tem História" entrem em contato com o Coletivo de Mulheres Negras, pelo fone: 2132-349976 20 - Negro e literatura Alzira Rufino Mário de Andrade, em carta a Drum mond, dizia: "Ser brasileiro implica, ne cessariamente, em aceitar o negro em nós. Aceitar todos os valores que impregnaram, através dos séculos, a vida brasileira, apesar do apartheid econômico, político e cultural, a que fomos submetidos no convívio cordial que a casa grande dedicou è senzala" A presença negra na literatura brasilei- ra, nem sempre de forma assumida, está representada pelos nomes de Machado de Assis, Lima Barreto, Cruz e Souza, Gregó rio de Matos, Kilkerry, Mário de Andrade, Solano Trindade, Auta de Souza, Maria Firmina Reis, Carolina de Jesus e outros nomes menos conhecidos A explosão literária negra registra gru- pos como Quilombhoje, em São Paulo, que há dez anos vem publicando prosa e poesia negras; o grupo Negrícia, no Rio de Janeiro, e o Gens, na Bahia Apesar do valor da nossa presença, o negro está confinado à favela da literatura, Recentemente, numa feira de livros, entre cem mil obras, quando muito poderia ser achada uma centena de autores negros. E muito maior a produção de estudos sobre o negro do que o número de poetas, contistas, romancistas e teatrólogos negros publica- dos Se, em geral, para o escritor ha dificul- dade de editar seus trabalhos, nós, os negros, enfrentamos um descrédito maior, pelo preconceito que, também no meio literário, abafa nossas expressões criado- ras. Nossa sensibilidade é considerada folclo- re, assim como toda a arte negra, Solano Trindade, que como poeta dava seu recado aos oprimidos e racialmente discriminados, não é conhecido e divulga- do, embora com sua poesia tenha sido um dos fundadores do teatro negro no Brasil. Solano, participando do concurso nacional de danças, dando espetáculos na Europa para platéias de 2 a 5 mil pessoas, tendo uma grande participação na imprensa begra e branca, e, no entanto, desconhecido pela maioria dos estudantes de literatura brasileira. Sua obra não estudada, não é divulgada, não é respeitada como deveria. Carolina de Jesus iniciou sua trajetória literária de maneira bastante: curiosa. Catadeira de papéis, achou uma caderneta onde passou a anotar suas impressões de favelada. Tendo sido descoberta por um jornalista, teve suas anotações publicadas sob o título de "Quarto de despejo". Traduzido para 13 idiomas, o seu livro caiu em total esquecimento. É importante que nós, escritores negros, ocupemos espaço de fato nos meios editori ais, nos meios de comunicação e nos livros didáticos, desmistificando a imagem de que o negro é incapaz de produzir obras de cunho intelectual E importante invadir essa praia, com nossa cor, com a nossa explosão. Eparrei! - 21 -
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