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Paineis do Chapeleiro - pormenor

Real Fábrica de Louça ao Rato1790/1800

Museu Nacional do Azulejo

Museu Nacional do Azulejo
Lisbon, Portugal

Este conjunto de sete painéis, de gosto neoclássico, narra a ascensão social de um rapaz do campo que foi trabalhar para a loja do seu tio, onde aprendeu o ofício de chapeleiro, vindo a torna-se num bem sucedido industrial de chapéus. A sua prosperidade permitiu-lhe construir uma fábrica na sua quinta, nos arredores de Lisboa, espaço para o qual mandou fazer, perpetuando a sua história, estes azulejos. Os mais significativos episódios da vida do chapeleiro António Joaquim Carneiro surgem, assim, diante dos nossos olhos, organizados cronologicamente, contidos em medalhões ovais encimados por faixas em que cada representação nos é explicada por uma legenda. São enquadrados por motivos neoclássicos, como sejam cestos com flores, grinaldas, festões e pássaros, articulando-se sobre fundo branco, imitando a pintura mural a fresco. Contrariando os habituais métodos de trabalhos dos pintores portugueses de azulejos, estes painéis terão sido realizados de forma direta, sem recurso a fontes iconográficas gravadas, em virtude de se tratar de uma narrativa muito específica. É precisamente este aspeto, evidenciado pela metodologia empregue, que torna este conjunto paradigmático de uma época e das mudanças sociais que então ocorriam em Portugal. Pela primeira vez, uma história apresentada em suporte cerâmico não resulta de uma encomenda da Igreja, representando cenas hagiográficas, ou da Nobreza, com representações de batalhas ou episódios de caça, ao gosto deste grupo social, centrando-se antes na vida de um burguês. É possível que esta encomenda tenha sido inspirada a António Joaquim Carneiro pela série de doze painéis do Padrão do Senhor Roubado, em Lisboa, de cerca de 1744, em que se conta a história de um roubo, efetuado por um trabalhador rural de nome António Ferreira, a forma como o autor foi descoberto e o castigo a que foi sujeito. Efetivamente, a história da vida de António Joaquim Carneiro é proveniente da Quinta do Chapeleiro, Póvoa de Santo Adrião, localidade próxima do Padrão do Senhor Roubado, pelo que faz todo o sentido que estes painéis possam ter sido a sua referência.

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  • Título: Paineis do Chapeleiro - pormenor
  • Criador: Real Fábrica de Louça ao Rato
  • Data de Criação: 1790/1800
  • Localização física: MNAz, Museu Nacional do Azulejo, Lisboa, Portugal
  • Dimensões físicas: 83 cm x 119 cm
  • Proveniência: Quinta do Chapeleiro, Póvoa de Santo Adrião, Loures, Portugal
  • Tipo: Azulejo
  • Material: Faiança policroma
Museu Nacional do Azulejo

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