Desde o advento da humanidade que a comunicação foi fundamental para a vida quotidiana, pelo que com o aperfeiçoamento da navegação marítima torna-se ainda mais fundamental nesta tarefa mais exigente. À semelhança da comunicação humana em terra, a comunicação naval terá sido numa primeira fase essencialmente oral, muitas das vezes através de estafetas em pequenas embarcações, registando-se as primeiras evidências históricas do uso de sinais sonoros e visuais, como as bandeiras ou sinais luminosos, na batalha naval de Salamina, em 480 a. C.
Como forma de comunicação, estes métodos continuaram inalterados até finais da Idade Média, porém o uso de bandeiras para fins cerimoniais generalizou-se a partir do séc. XIII, indicando nacionalidade, propriedade do navio ou o comandante da embarcação ou da armada, usos muitas das vezes regulamentados por legislação, sendo exemplo a ordenança aragonesa de 1354, que definia que bandeiras se deveriam usar e onde as colocar
Crê-se que o costume de toldar as embarcações de popa à proa com panos das cores nacionais ou reais terá sido introduzido pelos portugueses, aquando do envio da embaixada do prior do Hospital à rainha da Sicília no reinado de D. João I
A partir do séc. XVI, a expansão marítima europeia trouxe novos desafios à navegação e comunicações, tornando-se imperiosa a identificação das embarcações num contexto de crescente competição e conflitos nos oceanos, assim como de frotas cada vez maiores que cruzavam os oceanos
Navios de Guerra PortuguesesBiblioteca Central de Marinha - Navegue no Conhecimento
Para uniformizar e facilitar a comunicações entre os navios das frotas, os comandantes passaram a elaborar e distribuir regimentos que definiam o uso de sinais sonoros como tiros de peça, de mosquete e tambores, sinais visuais diurnos com bandeiras, galhardetes, velas e flâmulas e noturnos com faróis e foguetes, cada um deles com o seu significado consoante as situações a reportar ou ordens a transmitir
a segunda metade do séc. XVIII são introduzidas nas comunicações navais pelos espanhóis, as bandeiras numerais, que segundo um regimento previamente estabelecido, transmitiriam números que teriam um significado específico através da combinação de bandeiras e galhardetes
Quando a visibilidade não o permitisse, esses números seriam transmitidos por sinais sonoros como tiros de artilharia e mosquete e visuais como os faróis. Este novo sistema seria implementado também na Marinha Portuguesa pouco tempo depois, estando já largamente difundido em 1798.
Em 1846, com a publicação do Código Comercial de Sinais, para uso da marinha mercante internacional, recorreu-se ao uso de bandeiras, flâmulas, balões, e outros meios para transmitir informações através da combinação de consoantes do alfabeto, combinadas em pares ou grupos de três e quatro, que transmitiam números, palavras e frases predeterminados.
Ao longo do século XIX, foram feitas alterações e acréscimos nos diversos regimentos em uso, não se observando alterações profundas nos métodos de comunicação naval.
Com base neste novo código, foram adicionadas posteriormente novas bandeiras correspondentes a novas consoantes, vogais e numerais, ampliando a variedade de informações a transmitir,6 formando a base do Código Internacional de Sinais (CIS) implementado em 18937, que ainda hoje se utiliza.
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