Do MM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
MM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
O Prédio Rosa, inaugurado junto com a capital Belo Horizonte, em 1897, foi completamente restaurado e adequado para receber o MM Gerdau - Museu das Minas e do Metal, a partir de 2010. O edifício já abrigou a Secretaria do Interior e da Educação ao longo do século. O restauro constatou que a decoração interna seguiu o gosto afrancesado da época, com vocabulário neoclássico e art nouveau, o que refletia a influência francesa na arquitetura da nova capital e, de modo mais amplo, a valorização de um estilo europeu, bastante difundido, aceito e valorizado à época. As pinturas originais do Prédio Rosa são de autoria de Frederico Steckel. Por meio desta exposição, você poderá conhecer os simbolismos por trás da decoração interna, a iconografia e os detalhes internos desse edifício histórico e patrimônio de Minas Gerais.
A imponente decoração interna, com predominância do estilo neoclássico francês, revela as referências européias na construção da Nova Capital e aspirações do poder elitizado na ordem do dia.
Os elementos estruturais e/ou decorativos de ferro forjado importados da Bélgica e Alemanha, largamente empenhados nas edificações ecléticas, representam o estilo Art Nouveau na arquitetura.
Hall principal do Prédio Rosa (Century 21th), de Raquel EsperMM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
Os ladrilhos hidráulicos foram amplamente aplicados nas edificações ecléticas, remetendo aos mosaicos bizantinos. No Brasil, seu uso antecede tal estilo, com forte influência portuguesa.
Estrutura de ferro forjado (Century 21th), de Eduardo FrancischelliMM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
Após a Revolução Industrial, o ferro fundido passa a ser extensivamente utilizado. Além de mudanças decorativas, o desenvolvimento da tecnologia possibilitou revoluções estruturais nas edificações.
Porta principal em ferro forjado (Century 21th), de Raquel EsperMM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
Portão Principal em ferro fundido do Prédio Rosa
Diversos povos do continente africano dominam milenarmente técnicas metalúrgicas relacionadas ao ferro e ao ouro, dentre eles os Akan, Ashanti, Fante e Nzema, da atual região de Gana e Costa do Marfim, no oeste africano. Dentre as ferramentas, artefatos, adornos e esculturas produzidas com o uso de metais, está a representação do ideograma Sankofa, pertencente a um conjunto de símbolos gráficos Adinkra, de origem dos povos Akan. Contendo inúmeros significados, esses ideogramas expressam conceitos filosóficos que retratam culturas, costumes e percepções sobre o mundo. Tais símbolos são reproduzidos em diversos objetos: esculturas utilizadas como contrapesos em balanças de uso comercial; amuletos; estampas de tecidos; gradis de portais, portões e janelas; jóias e demais ornamentos. No Brasil, tais técnicas e elementos culturais foram difundidos por pessoas escravizadas, oriundas das regiões africanas citadas. A representação da Sankofa por estas pessoas, em território brasileiro, pode ser compreendida como forma de resistência, face ao contexto de violência a que foram submetidas. Não existe uma expressão escrita que traduza o seu significado exato, mas tal ideograma representa a importância de se retornar ao passado para ressignificar o presente e construir o futuro.
Dentre seus ornamentos, encontram-se os ideogramas do Estado e as Sankofas, de origem africana, que na simbologia Adinkra, significam “nunca é tarde para voltar e apanhar aquilo que ficou atrás”.
Os ornamentos em ferro forjado representam elementos da natureza, como folhagens, galhos, flores e animais, conferindo leveza à estrutura - características do estilo Art Nouveau.
Hall da escadaria (Century 21th), de Eduardo FrancischelliMM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
A estrutura da escada monumental remonta a um período de forte industrialização. Fabricada e forjada na Alemanha, foi montada no edifício sob orientação de responsável enviado pelo fabricante.
Sistema estrutural da escada (Century 21th), de Eduardo FrancischelliMM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
Os elementos modulares da escadaria desempenham função estrutural. A adoção do ferro fundido permitiu a construção de mais pavimentos, maiores volumes e vãos livres.
Rosa ornamental em ferro forjado (Century 21th), de Raquel EsperMM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
A representação de elementos da natureza corresponde à estética original e pura, dominada, incorporada e reproduzida por meio das técnicas e materiais produzidos pela sociedade industrial.
Hall da escadaria (Century 21th), de Eduardo FrancischelliMM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
Os elementos geométricos evidenciam a filosofia racionalista do período neoclássico, além de indicar o processo de industrialização dos materiais.
Hall da escadaria (Century 21th), de Leonardo MirandaMM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
Produto da revolução industrial do século XIX, o sistema Joly consolidou o conceito de arquitetura industrial. Era prático, rápido e eficiente, pois aumentava a velocidade das construções.
A marmorização, técnica de imitação de rocha por meio da pintura, característica do neoclássico francês, foi preponderante na arquitetura da Nova Capital.
Hall da escadaria (Century 21th), de Leonardo MirandaMM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
Conjunto de temas neoclássicos: frontão arqueado, interrompido com volutas e capitéis em volutas, além de palmetas e conchas. Destaque para a técnica Trompe-l'oeil utilizada nas pinturas parietais.
Salão nobre do Prédio Rosa (Century 21th), de Jomar BragançaMM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
O Salão Nobre do Prédio Rosa
A maçonaria é um movimento filosófico, filantrópico e progressista, cujos princípios apoiam-se nos ideais de fraternidade e igualdade. Sua etimologia vem do francês, “marçon” e remonta aos pedreiros-livres que se uniram para proteger e compartilhar, em um grupo fraterno, suas técnicas construtivas. No Brasil, a Maçonaria esteve presente nos principais acontecimentos históricos, desde o Período Colonial à transição do sistema de governo do país de Monarquia para República. Fora do domínio do Estado, as relações de poder e as questões políticas da nação brasileira eram decididas nos círculos maçônicos. Os mais importantes políticos, artistas, arquitetos e intelectuais do final do século XIX e início do século XX eram maçons. A maçonaria tem sido perpetuada entre as gerações, principalmente, por meio de linguagem não textual, simbólica, baseada em mitos, rituais e alegorias advindas de culturas múltiplas como a grega, egípcia, oriental e judaico-cristã. A arquitetura e decoração das edificações da Nova Capital de Minas Gerais, nascida sob a égide republicana, estão repletas desses símbolos, revelando as memórias e ideologias presentes na república nascente e na cidade de Belo Horizonte.
O Salão Nobre, criado para a realização de solenidades, foi restaurado conforme sua concepção original. A sua decoração exuberante é símbolo do poder da nova ordem política do país - a República.
Os tetos em caixotões também evocam o gosto clássico. Naquele estilo, corresponderam a importante avanço: os módulos ortogonais intercruzados são leves e possuem eficiente função estrutural.
Teto com motivos grotescos (Century 21th), de Leonardo MirandaMM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
O estilo grotesco é inspirado nas decorações e artefatos descobertos, a partir do Século XIV, em ruínas soterradas em Roma. Geralmente, representam temas mitológicos.
Pintura parietal em estêncil (Century 21th), de Leonardo MirandaMM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
A maçonaria atuou de forma ativa no movimento republicano. A estrela flamígera, um de seus símbolos, representa o indivíduo dotado de poder e inteligência.
Os padrões formados por arcos interligados remetem à arte mourisca, também conhecida como arte mudéjar, com forte ocorrência na Península Ibérica, entre os Séculos XII e XVI.
Pintura parietal com tema mourisco (Century 21th), de Leonardo MirandaMM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
Os padrões formados por arcos interligados remetem à arte mourisca, também conhecida como arte mudéjar, com forte ocorrência na Península Ibérica, entre os Séculos XII e XVI.
Rodateto com palmetas (Century 21th), de Leonardo MirandaMM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
As formas das palmetas derivam das folhas das palmeiras. Na arquitetura clássica, foram entalhadas em madeira ou moldadas em cerâmica. Também podem ser feitas com o uso de estuque, como nesta imagem.
Mesmo nos ambientes privativos, como nas salas que abrigavam os gabinetes de trabalho das antigas secretarias de Estado, a decoração apresenta requinte e riqueza de detalhes.
Forro em tela, decorado com alegoria de anjo em policromia (Century 21th), de Eduardo FrancischelliMM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
As descobertas arqueológicas de Pompéia, a partir do Século XVIII, trouxeram outras referências de temas grotescos, que passaram por releituras neoclássicas, como o anjo da revelação.
Forro em tela, decorado com alegoria de anjo em policromia (Century 21th), de Leonardo MirandaMM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
As descobertas arqueológicas de Pompéia, a partir do Século XVIII, trouxeram outras referências de temas grotescos, que passaram por releituras neoclássicas, como o anjo da revelação.
Detalhe para piso de parquet ricamente trabalhado, utilizando braúnas escuras e pinho-de-riga, importados da Letônia.
Pintura parietal em estêncil (Century 21th), de Leonardo MirandaMM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
A técnica do estêncil foi amplamente utilizada, originalmente e no processo de restauro do Prédio Rosa, com a finalidade de reproduzir padrões nas pinturas parietais.
Antigas caçambas e moinhos d’água doaram suas madeiras para a restauração dos pisos, feitos em sua maioria por braúnas escuras, pinho de riga, ipê, peroba do campo, jatobá, dentre outras.
Pintura parietal de faixa arabesca em espiral (Century 21th), de Leonardo MirandaMM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
De inspiração Art Nouveau, as formas orgânicas e naturais, de linhas sinuosas e ondulantes, foram amplamente utilizadas nas pinturas parietais da edificação.
Janela de prospecção (Century 21th), de Leonardo MirandaMM Gerdau - Museu das Minas e do Metal
Janela de prospecção, evidenciando diferentes tipos de pinturas decorativas utilizadas ao longo dos diferentes usos do edifício.
Realização: MM Gerdau - Museum of Mines and Metal
Patrocínio: Gerdau
Apoio: CBMM
Direção: Márcia Guimarães
Curadoria de Geociências: Andrea Ferreira
Coordenação de Museologia: Carlos Jotta
Coordenação de Comunicação: Paola Oliveira
Coordenação do Educativo: Suely Monteiro
Coordenação da TIC: Alexandre Livino
Curadoria da exposição "Por dentro do Prédio Rosa: detalhes da restauração": Carlos Jotta, David Bruno, Guilherme Borges, Lucas D'Ambrósio, Luciana Miglio, Márcia Guimarães, Mateus Nogueira, Paola Oliveira e Suely Monteiro.
Pesquisa e textos: David Bruno, Guilherme Borges, Suely Monteiro
Traduções: Lucas D'Ambrósio, Luciana Miglio e Paola Oliveira
Fotografia: Eduardo Francischelli, Jomar Bragança, Leonardo Miranda e Raquel Esper.
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