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Porta de Boate

Investigação coletiva sobre transformismo na noite paulistana

IMG_0747 (2023), de Mariano FigueraAcervo Bajubá

Uma pesquisa coletiva sobre memória LGBT+ e a noite paulista

As histórias e memórias da vida noturna acessam materialidades de práticas cotidianas e reconhecem as boates como importantes espaços de sociabilidade, produção artística e ativismo para pessoas LGBT+.

missboneca66 (1966), de CruzeiroAcervo Bajubá

A arte transformista é um dos primeiros registros que encontramos sobre pessoas dissidentes, participantes de um processo de produção de identidades e de expressões de gênero, que resultaram na leitura que fazemos hoje de quem são as pessoas LGBT+.

IMG_0769 (2023), de Mariano FigueraAcervo Bajubá

Em junho de 2023, o Acervo Bajubá realizou a exposição Porta de Boate, no Bananal Arte e Cultura Contemporânea, espaço cultural que funciona em São Paulo, desenvolvida a partir de um processo de pesquisa e curadoria coletiva de itens do acervo.

Apresentamos aqui cinco eixos: toalha na cabeça (inspirações e primeiras montações), pedraria (materiais, ofícios e tecnologias desenvolvidos pelas artistas), mixtape (performance e a noite), frasqueira (itinerários e circuitos) e after (outros caminhos possíveis para o trabalho de pesquisa).

IMG_0762 (2023), de Mariano FigueraAcervo Bajubá

Toalha na Cabeça

O transformismo é uma arte de exercício de liberdades, e é comum que comece com um momento de experimentações e descobertas. A toalha na cabeça vira picumã, o lençol vira vestido e ganha vida com a dublagem e a interpretação de músicas com microfones improvisados.

3Acervo Bajubá

E como toda criança viada, é basicamente o mesmo esquema. Cabelo é toalha. Uma picumã incrível, né? A bicha achava que tinha um cabelo cacheado que chegava quase no chão. A bata, a bata de banho virava um vestido. E a bicha só ficava girando, girando e cantando... (Lufer Sattui)

IMG_0751 (2023), de Mariano FigueiraAcervo Bajubá

Pedraria

Preparar a pele, maquiar-se, pentear a peruca, separar o look, definir o calçado,  aquendar, finalizar os enchimentos.  Escolher a música, treinar a dublagem e ensaiar a coreografia. Preparar as piadas e dominar o pajubá.

IMG_0768 (2023), de Mariano FigueiraAcervo Bajubá

Artistas transformistas montam suas performances a partir de aprendizados nos bastidores das boates, nos concursos de beleza e na vida cotidiana. Materiais, ofícios e tecnologias sobrevivem ao tempo graças aos relatos das mais experientes.

IMG_9414 (2023), de Alessandro FritzenAcervo Bajubá

victoriaprincipal
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Victoria Principal (à esquerda) vendia flores na porta da Homo Sapiens até que um dia Frank Ross notou que ela sabia dublar as músicas e a convidou para se apresentar no palco da Homo Sapiens. Escute o áudio para conhecer como ela iniciou sua carreira.

DDA5AC02-D7B0-4519-B30B-CB0F08EA51AD (2023), de Mariano FigueiraAcervo Bajubá

Mixtape

Apresentadoras, caricatas, parodistas, cantoras, dançarinas, burlescas, misses... Cada tipo de performance precisa encontrar o seu palco. Em São Paulo, encontramos a partir da década de 1970 uma variedade de clubes noturnos nos quais as artistas transformistas se apresentavam.

FL244 F, de Acervo BajubáAcervo Bajubá

Hi-fi, K7, Medieval, Nostro Mondo, Off, Shock, Gay Club, Homo Sapiens, Val Improviso, Prohibido’s, Studio Twenty For, Grant’s, Gent’s, Mad Queen, Tunnel, Danger, Blue Space, são algumas das casas noturnas que compuseram o roteiro de shows de transformismo cidade.

medieval, de Acervo BajubáAcervo Bajubá

Yuri Fraccaroli talks about fragmented memories
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Medieval e Nostro Mondo foram duas boates pioneiras de shows de transformismo na noite de São Paulo. Ambas abriram no começo dos anos 1970. Mas, enquanto a Medieval fechou em 1984, a Nostro funcionou até 2014. Escute o aúdio de Yuri Fraccaroli sobre os dois espaços.

Greatta Star apresentando concurso na NostroMondo, de Acervo pessoal Gretta StarAcervo Bajubá

Olha gente, eu não sei o que está acontecendo. Essa música tem muito a ver com a minha vida. Com tudo o que passou. Mas eu queria dizer pra vocês , se vocês tem dúvidas, eu vou tirar as dúvidas de vocês agora. Eu estou soropositiva, só que estou bem. (Gretta Starr)

rogeria (1990), de Acervo BajubáAcervo Bajubá

Frasqueira

Rogéria: a travesti da família brasileira. Desde os anos 1960, ela fez de tudo, carregando sua frasqueira e sua arte para além das casas noturnas. Assim como ela, a partir dos anos 1980, as transformistas circularam na televisão, no teatro e no Carnaval.

rogeria (1990), de Acervo BajubáAcervo Bajubá

O Clube do Bolinha foi um programa de auditório exibido aos sábados pela Rede Bandeirantes, entre 1974 e 1994. Nos anos 1980 e 1990, em um dos seus quadros, “Eles e Elas”, apresentava shows de transformismo.

travestilandia (1979), de Acervo BajubáAcervo Bajubá

Isso nem sempre significou reconhecimento de seu ofício, estabilidade financeira ou respeito pelas expressões de gênero que mobilizaram. O exílio e a migração forçada para o exterior são experiências comuns que perpassam muitas de suas jornadas.

dita (2023), de Alessandro FritzenAcervo Bajubá

lufer
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Sofá da Dita

Entrevistas realizadas por Dita Absinthe inspiradas no icônico Sofá da Miss Bia da Nostro Mondo, no qual a personagem Herbe, entrevistava celebridades. Participaram: Thalia Bombinha, Gretta Starr, Victoria Principal, Marcinha do Corintho, Ginger Moon, Hinácio King e Júpiter.

IMG_0150 (2023), de Alessandro FritzenAcervo Bajubá

After

A festa nunca acaba: nossa pesquisa trouxe para a pista outros temas possíveis: relações entre transformismo e sexualidade, desdobramentos da epidemia de HIV/Aids, concursos de misses, arte drag king e queer, circuitos de economia criativa, etc.

Ok Mag 15 maio 97 p14 15 (1997), de Acervo BajubáAcervo Bajubá

Foto de Marcos, Bananal, 2023, Da coleção de: Acervo Bajubá
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Créditos: história

Curadoria
Acervo Bajubá

Pesquisa
Bruno O., Lufer Sattui, Marcos Tolentino, Natan, Rafael Vasconcelos Barboza, Thiago Melo e Yuri Fraccaroli

Apoio
Juan Gonçalves, Julia Gumieri, Otavio Torres e Otavio Oliveira

Produção
Alessandro Fritzen, Bruno O., Lufer Sattui, Marcos Tolentino, Natan, Rafael Vasconcelos Barboza e Thiago Melo

Arte Original
Natan

Design
Bruno O.

Tradução
 Bruno O. e Marcos Tolentino

Agradecimentos
Bananal, Grupo de Incentivo à Vida (GIV), Andressa Turner, Ginger Moon, Gretta Star, Hinacio Kuing, Júpiter, Marcinha do Corintho, Thalia Bombinha e Victoria Principal.

Créditos: todas as mídias
Em alguns casos, é possível que a história em destaque tenha sido criada por terceiros independentes. Portanto, ela pode não representar as visões das instituições, listadas abaixo, que forneceram o conteúdo.

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