Celebrando 15 anos!

A Exposição Nacional de 1908

Descubra o espetáculo que revelou as ambições modernas do Brasil em um cenário de arte, técnica e celebração no Rio de Janeiro, a partir do acervo da Memória da Eletricidade.

Palácio da Indústria (1908), de Augusto MaltaFonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/135419/if0304-04-palacio-da-industria

Em 1908, a Urca se iluminou com palácios e pavilhões monumentais. 
A Exposição Nacional celebrava o centenário da abertura dos portos e projetava, sob o brilho da eletricidade, o ideal de um Brasil moderno.

Panorama da Exposição (1908), de Augusto MaltaFonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/135417/if0304-02-panorama-da-exposicao

A solenidade ocupou 182 mil m² no bairro da Urca e recebeu cerca de 
1 milhão de visitantes. Mais de 30 construções temporárias se distribuíram pela Avenida dos Estados, atual Av. Pasteur. O acesso era feito por bondes elétricos, via férrea e barcas com ancoradouro próprio.

A Exposição Nacional de 1908 reuniu lideranças como Afonso Pena, Miguel Calmon e o prefeito Francisco Marcelino de Souza Aguiar. O engenheiro Sampaio Corrêa coordenou as obras, e arquitetos como René Barba, Raphael Rebecchi, Francisco Oliveira Passos e Domiziano Rossi assinaram projetos marcantes. No campo cultural, Alberto Nepomuceno e o fotógrafo Augusto Malta contribuíram para o registro e a divulgação do evento.

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Portal Monumental (1908), de Augusto MaltaFonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/135418/if0304-03-portal-monumental

Porta Monumental

Inspirada na Exposição Universal de Paris (1889), a Porta Monumental marcou a entrada da exposição com 8.000 lâmpadas incandescentes e 30 de arco a vapor de mercúrio, instaladas pela Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Company.

Ao chegar, o visitante era recebido por um amplo eixo ladeado por jardins, praças e pavilhões. Esse corredor cênico conduzia até o Palácio das Indústrias e servia como palco para desfiles, encontros e o intenso fluxo de pessoas que circulava pela exposição. Logo na entrada, o primeiro edifício era o Palácio dos Estados, que se destacava na paisagem e simbolizava a união das diferentes regiões do país em torno do grande evento.

Palácio dos Estados (1908), de Augusto MaltaFonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/135423/if0304-08-palacio-dos-estados

Os Palácios


O Palácio dos Estados foi instalado no edifício projetado para a Universidade do Brasil (1881) e adaptado por Francisco Isidoro Monteiro. O local reunia representações de diversos estados da Federação.

Palácio dos Estados (1908), de Augusto MaltaFonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/143628/if0304-18-palacio-dos-estados

Organizado em estandes, vitrines e áreas expositivas, o Palácio dos Estados exibia um retrato do país. Mais que um espaço de mostra, simbolizava a união das regiões no projeto republicano, ressaltando a diversidade cultural, riquezas naturais e potencial produtivo nacional.

Vista lateral do Palácio das Indústrias (1908), de Augusto MaltaFonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/143626/if0304-16-vista-lateral-do-palacio-das-industrias

No extremo da avenida, encontrava-se o Palácio das Indústrias. Instalado no antigo prédio da Escola Militar e totalmente reformado por René Barba, tornou-se o núcleo de exibição da produção e tecnologia brasileiras. Reunia manufaturas, inovações técnicas e bens industriais.

O Palácio dos Estados era o primeiro a se destacar, situado logo após a Porta Monumental. Já o Palácio das Indústrias erguia-se no outro extremo da avenida, conduzindo o visitante a atravessar toda a Exposição para alcançá-lo. Esse caminho, que unia simbolicamente os dois edifícios, abria passagem para os pavilhões, que reuniam representações estaduais, institucionais e culturais, revelando a pluralidade do país.

Pavilhão da Bahia (1908), de Augusto MaltaFonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/135420/if0304-05-pavilhao-da-bahia

Pavilhões Estaduais

O Pavilhão da Bahia foi projetado por Rafael Rebecchi no estilo Renascença Italiana, com 38 metros de altura e cúpula coroada pela deusa Vitória. Localizado logo na entrada da Avenida dos Estados, simbolizava a força econômica e cultural baiana na época.

Pavilhão de Minas Gerais e Pavilhão da Bahia (1908), de Augusto MaltaFonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/143627/if0304-17-pavilhao-de-minas-gerais-e-pavilhao-da-bahia

Com 650 m² o Pavilhão de Minas Gerais também foi projetado por Rafael Rebecchi  onde rompia com estilos definidos e impressionava pela ornamentação refinada. Localizado na entrada, transmitia altivez e sobriedade, simbolizando o peso político e a relevância econômica mineira.

Pavilhão do Distrito Federal (1908), de Augusto MaltaFonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/143622/if0304-22-pavilhao-do-distrito-federal

O Pavilhão do Distrito Federal foi projeto de Francisco Oliveira Passos, com 1.100 m², fachada sóbria e cúpula central. No térreo, exibia as recentes obras e serviços municipais; no pavimento superior, realizava bailes e recepções.

A Exposição de 1908 contou com cinco pavilhões estaduais: Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina e o Distrito Federal. O acervo da Memória da Eletricidade guarda imagens de três deles, preservando e transmitindo parte dessa diversidade e história.

Pavilhão dos Telégrafos e Correios (1908), de Augusto MaltaFonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/135425/if0304-10-pavilhao-dos-telegrafos-e-correios

Pavilhões Institucionais

O Pavilhão dos Correios e Telégrafos apresentava a modernização dos serviços postais e telegráficos, símbolos da integração nacional e da inserção do Brasil nas redes internacionais de comunicação.

Pavilhão do Corpo de Bombeiros (1908), de Augusto MaltaFonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/135424/if0304-09-pavilhao-do-corpo-de-bombeiros

O Pavilhão do Corpo de Bombeiros exibia equipamentos, veículos e técnicas de combate a incêndios, ressaltando a profissionalização e eficiência do serviço.

Pavilhão da Sociedade Nacional de Agricultura (1908), de Augusto MaltaFonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/135422/if0304-07-pavilhao-da-sociedade-nacional-de-agricultura

O Pavilhão da Sociedade Nacional de Agricultura destacava práticas e avanços do setor agrícola, com mostras de produtos, teconologias e inovações.

Pavilhão da Fábrica Bangu (1908), de Augusto MaltaFonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/143631/if0304-21-pavilhao-da-fabrica-bangu

O Pavilhão da Fábrica de Tecidos Bangu foi projetado em estilo mourisco, vitrine da indústria têxtil nacional e do design arquitetônico de inspiração oriental.

Pavilhão Anexo Bellas-Artes (1908), de Augusto MaltaFonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/135421/if0304-06-pavilhao-anexo-bellas-artes

Pavilhões Culturais e Artísticos

As áreas expositivas reforçavam a dimensão estética da Exposição. Entre eles, o Anexo de Belas Artes reuniu obras de artistas como Visconti, Bernardelli e outros, evidenciando o prestígio da produção artística apresentada ao público.

Teatro João Caetano (1908), de Augusto MaltaFonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/135426/if0304-11-teatro-joao-caetano

Com 870 m², o Teatro João Caetano era um dos espaços mais elegantes da Exposição Nacional de 1908. Sua decoração em verde e ouro, criada por Raul Pederneiras, unia ousadia e refinamento.

Palácio Manuelino (1908), de Augusto MaltaFonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/143623/if0304-13-palacio-manuelino

Presença Estrangeira

Único país estrangeiro convidado, Portugal ergueu um pavilhão inspirado na arquitetura manuelina, evocando o passado marítimo e os laços históricos com o Brasil. Com ornamentação e referências às grandes navegações, projetava tradição e modernidade.

Vista lateral Palácio Manuelino, Augusto Malta, 1908, Fonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/143624/if0304-14-vista-lateral-palacio-manuelino
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Vista geral do Pavilhão de Portugal, Augusto Malta, 1908, Fonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/143630/if0304-20-vista-geral-do-pavilhao-de-portugal
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Quiosques (1908), de Augusto MaltaFonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/135416/if-0304-01-quiosques

Quiosques e sociabilidade

Além dos palácios e pavilhões, a Exposição também oferecia quiosques e serviços que ampliavam a experiência do público. Esses espaços funcionavam como pontos de encontro e descanso, onde os visitantes podiam desfrutar de refeições e bebidas, tornando a visita mais agradável.

Vista frontal do Château d'Eau (1908-09-24), de Augusto MaltaFonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/3635/if0036-03-vista-frontal-do-chateau-deau

Château d’Eau: espetáculo de luz e águas

Construído em cimento armado, o Château d’Eau integrava reservatório, espelhos d’água e chafarizes iluminados, que à noite ofereciam um espetáculo de cores e movimento. Situado no encerramento do percurso, representava o domínio técnico e a modernidade exaltada pela Exposição.

Vista frontal do Château d'Eau, Augusto Malta, 1908-09-24, Fonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/3635/if0036-03-vista-frontal-do-chateau-deau
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Iluminação noturna e chafariz, Augusto Malta, 1908-09-24, Fonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/3636/if0036-04-iluminacao-noturna-e-chafariz
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Entrevista com a museóloga e arquiteta Ruth Levy, autora do livro Entre Palácios e Pavilhões: a arquitetura efêmera da Exposição Nacional de 1908, publicado em 2008.

Fotografias estereoscópicas (2025), de Memória da EletricidadeMemória da Eletricidade

O acervo

As imagens da Exposição Nacional de 1908, preservadas pela Memória da Eletricidade, foram produzidas a partir de fotografias estereoscópicas de Augusto Malta. Elas registram a arquitetura efêmera, as inovações técnicas e representam um raro testemunho visual do início do século XX.

A Exposição Nacional de 1908 foi concebida para durar apenas alguns meses e, com o tempo, muito pouco restou de seus palácios, pavilhões e jardins monumentais. Valorizar essa memória é reconhecer a importância de um momento único da história do país, que projetou o Brasil como uma nação moderna e voltada para o progresso.  

Iluminação noturna do Chateau d'Eau (1908-09-24), de Augusto MaltaFonte original: https://memoriadaeletricidade.com.br/acervo/3633/if0036-01-iluminacao-noturna-do-chateau-deau

Nas palavras de João do Rio...

"E a vibração da luz é tão forte, tão intensa, tão inédita, que a todos parece um pouco do próprio ser, transfundido na alma luminosa do espaço".   
Gazeta de Notícias, 16 de agosto de 1908.

Créditos: história

CENTRO DA MEMÓRIA DA ELETRICIDADE NO BRASIL
Copyright © 2025

Presidente | ALBERTO GALVÃO MOURA JARDIM
Diretora-executiva | CLAUDIA TRIGUEIRO
Gerente de Acervo e Pesquisa | AMANDA CARVALHO
Gerente de Produção e Editoração interina | CLAUDIA TRIGUEIRO
Gerente de Comunicação e Marketing | LEILA GUIMARÃES
Gerente Financeira e de Recursos Humanos | ALESSANDRA SOUTO MAIOR


Exposição | A EXPOSIÇÃO NACIONAL DE 1908
Realização | MEMÓRIA DA ELETRICIDADE
Parceria | GOOGLE ARTS & CULTURE
Lançamento | OUTUBRO, 2025


Ficha Técnica:
Coordenação | AMANDA CARVALHO
Curadoria | BRUNA MARTONI
Pesquisa e Conteúdo | BRUNA MARTONI
Tradução | UNO TRADUÇÕES
Imagens e Acervo | MEMÓRIA DA ELETRICIDADE
Tratamento de Imagens | VANESSA BARANDA 
Digitalização | VANESSA BARANDA E NICOLAS VETROMILLE
Mídias Sociais | DANDARA MAGALHÃES 
Fotografia | LAMARK MORAIS
Roteiro e Entrevista | GABRIEL RECHENIOTI
Vídeos e Edição | LAMARK MORAIS E GABRIEL RECHENIOTI

Agradecimento Especial: 
Ruth Levy | Arquiteta e Museóloga

Créditos: todas as mídias
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