Planetário de Marinha, obras de construção, Belém, Lisboa, 1965. (1965-07-20) de Planetário de MarinhaPlanetário de Marinha
A ideia da construção de um Planetário em Lisboa, surgiu do fascínio e entusiasmo pela astronomia de um oficial da Marinha de Guerra Portuguesa, o Comandante Eugénio Conceição Silva, quando visitou o planetário de Nova Iorque.
Construção da cúpula do Planetário de Marinha, Belém, Lisboa, 1965 (1965-07-20) de Planetário de MarinhaPlanetário de Marinha
No início da década de 1960, o projeto para a construção de um Planetário ganhou um impulso através de uma parceria entre a Marinha Portuguesa e a Fundação Calouste Gulbenkian, o sonho do comandante Conceição Silva tornava-se uma realidade, Lisboa iria mesmo ter um Planetário.
Trabalhadores sobre a cúpula do Planetário numa fase de execução da cobertura, Belém, Lisboa, 1965 (1965-07-20) de Planetário de MarinhaPlanetário de Marinha
A obra foi projetada pelo arquiteto Frederico George, que se iniciou em setembro de 1963, tendo sido inaugurada em julho de 1965 como Planetário Calouste Gulbenkian, designação que se manteve até novembro de 2021.
Vista da fachada principal do Planetário de Marinha em construção, Belém, Lisboa, 1965 (1965-07-20) de Planetário de MarinhaPlanetário de Marinha
A genialidade deste projeto reside na sua grandiosidade, ainda hoje, o Planetário de Marinha é o segundo maior da Europa, com uma cúpula de 23 metros de diâmetro e com 250 lugares sentados.
Para a criação da réplica do céu noturno cintilante na cúpula do Planetário, foi escolhido o projetor astronómico, modelo Planetarium UPP 23/4 da Zeiss, uma invenção com patente datada de 1922.
A Fundação Calouste Gulbenkian, ao abrigo da parceria estabelecida, subsidiou a aquisição deste projetor no valor de 7 milhões de escudos, tendo sido adquirido à empresa alemã VEB Carl Zeiss-Jena.
Este projetor astronómico é um equipamento óptomecânico constituído por duas esferas separadas por um corpo cilíndrico.
No interior de cada uma das esferas estava instalada uma lâmpada de tungsténio de 1000W, envolvida por 8 lentes semiesféricas.
Este sistema de projeção era de operação manual, funcionou ininterruptamente durante 39 anos, tendo mostrado a réplica do céu estrelado a mais de 3 milhões de visitantes.
Para dar ao visitante a sensação de estar numa zona alta para observar o céu, fixou-se ao longo da base da cúpula, uma estrutura metálica escura que representava a silhueta paisagística da zona urbana de Belém.
Nessa estrutura metálica identificavam-se monumentos e outros edifícios como, a cúpula do Mosteiro dos Jerónimos, a Ponte 25 de abril, as torres de iluminação do Estádio do Restelo e a estátua do Cristo Rei.
Cerimónia de inauguração do Planetário de Marinha, Pavilhão das Galeotas, Belém, Lisboa 20 de julho de 1965. (1965-07-20) de Planetário de MarinhaPlanetário de Marinha
Em pouco menos de 2 anos a obra estava concluída. A inauguração teve lugar no dia em quem se assinalava o décimo aniversário da morte de Calouste Sarkis Gulbenkian, 20 de julho de 1965, numa cerimónia presidida pelo Presidente da Républica, Almirante Américo Thomaz.
Cerimónia de inauguração do Planetário, discurso aos convidados presentes, Pavilhão das Galeotas, Belém, Lisboa 20 de julho de 1965. (1965-07-20) de Planetário de MarinhaPlanetário de Marinha
Nesse mesmo dia, o jornal “Diário de Notícias” publicava na manchete a inauguração do Planetário, com a novidade em ir à descoberta de um novo mundo: “Uma viagem pelo cosmos ao alcance do lisboeta”.
Cerimónia de inauguração do Planetário, plateia com as entidades convidadas. Pavilhão das Galeotas, Belém, Lisboa 20 de julho de 1965. (1965-07-20) de Planetário de MarinhaPlanetário de Marinha
A cidade de Lisboa passava a dispor de um equipamento cultural por excelência, tal como as principais capitais europeias, onde era divulgado de um modo didático as ciências astronómicas.
Convidados e outras entidades oficiais, aguardam pelo início da sessão inaugural de astronomia, Planetário de Marinha, Belém, Lisboa 20 de julho de 1965. (1965-07-20) de Planetário de MarinhaPlanetário de Marinha
Era o início de um ciclo de “viagens” pelo espaço, inéditas na altura. As sessões de planetário, através da recriação do céu noturno cintilante, onde se projetavam figuras de constelações e explicavam-se fenómenos celestes, como eclipses e chuva de estrelas.
Entidade religiosa entre os convidados na galeria do Planetário, junto à entrada do auditório, Planetário de Marinha, Belém, Lisboa 20 de julho de 1965. (1965-07-20) de Planetário de MarinhaPlanetário de Marinha
O Planetário teve como primeiro diretor, o comandante Conceição Silva, o seu entusiasmo pela astronomia abrangia igualmente a divulgação desta ciência ao publico.
O Comandante Conceição Silva, uniformizado, na companhia do Presidente da Républica Almirante Américo Thomaz, Planetário de Marinha, Belém, Lisboa 20 de julho de 1965. (1965-07-20) de Planetário de MarinhaPlanetário de Marinha
Desde então, os portugueses, com especial incidência do público escolar, passaram a dispor de um novo espaço cultural, proporcionando uma experiência até então desconhecida, as sessões de astronomia projetadas numa cúpula.
Cúpula do Planetário de Marinha terminada, inserida na espetacular paisagem de Belém, Lisboa, 1965. (1965-07-20) de Planetário de MarinhaPlanetário de Marinha
Passados 57 anos, desde a sua inauguração, o Planetário de Marinha volta a proporcionar uma outra viagem pelos cosmos. Não só destinada aos lisboetas, mas a todas as pessoas que visitem o planetário.
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