Editorial Feature

O que está por vir para o Museu Nacional?

A história do mais antigo museu de história natural do Brasil e os planos do diretor Alexander Kellner para o futuro

O Museu Nacional é a instituição de história natural mais antiga do Brasil fundada em junho de 1818 pelo rei D. João VI de Portugal, Brasil, e Algarve. Originalmente era chamado de Museu Real pois quando a família real migrou para o Brasil, todo seu império foi transferido, tornando Portugal e Algarve parte do Reinado do Brasil. Logo depois, o museu foi usado para estimular a pesquisa científica no reinado.

Ao fim do século XIX, o Museu Nacional começou a investir nas áreas de antropologia, paleontologia, e arqueologia, refletindo as preferências pessoais de Sua Majestade, o Imperador D. Pedro II (1825-1891). O Imperador era um ávido cientista amador e um apoiador entusiasmado de todas as vertentes científicas, tendo ele próprio contribuído com diversas coleções inclusive doando artefatos do egito antigo que ele adquiriu durante diversas de suas viagens ao exterior. Como um resultado deste esforço, o Museu Nacional foi modernizado e se tornou o mais importante museu de história natural e de ciências sociais da América do Sul.

Coffin of Sha-amun-en-su (From the collection of Museu Nacional)

Em 1946, a administração do museu passou para a Universidade do Brasil, hoje a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Para encorajar e nutrir novos cientistas, o Museu Nacional oferece cursos de pós-graduação em antropologia e sociologia, botânica, geologia e paleontologia, e zoologia.

Titanosaurus (replica) (From the collection of Museu Nacional)

Através dos séculos, o museu se tornou casa de mais de 20 milhões de itens históricos e científicos. O futuro desses objectos, contudo, foram colocados em perigo em 2 de setembro de 2018. Três meses após celebrar seu bicentenário e alguns dias antes do 196º aniversário da Proclamação da República do Brasil, um fogo de grandes proporções se espalhou pelo Museu Nacional, atingindo quase todas as suas salas e destruindo completamente grande parte de seu prédio.

Enquanto o dano total ainda está sendo investigado, acredita-se que 92.5% de seu arquivo tenha sido destruído. Ao escrever em uma carta aberta sobre o incêndio, o diretor do museu, Alexander Kellner, disse que o foco para ele e aqueles que trabalham no museu é continuar o trabalho dos pesquisadores e estudantes do instituto. "Apesar de termos perdido uma parte significativa do acervo, o Museu Nacional jamais perdeu a capacidade de gerar conhecimento", explicou Kellner.

Meteorite Bendegó (From the collection of Museu Nacional)

Nos meses que se seguiram ao incêndio, inúmeros apoios ao museu surgiram, com muitos chamando o incidente de uma "tragédia cultural". O que está claro é que não é o fim do museu. "O Museu Nacional vive!", proclamou o diretor em sua carta. Isso realmente tem sido posto em prática por meio de campanhas que encorajam os visitantes e patronos do museu a compartilhar suas fotografias do espaço e dos objectos, assim como outras formas de ajudar nos esforços de recuperação.

O plano para restaurar o museu em sua antiga glória está em andamento como parte de um evento em que serão anunciados os esforços planejados para a reconstrução nos próximos anos. O projeto é estimado em R$ 10 milhões e o dinheiro é oferecido pelo governo brasileiro provindo de um orçamento de emergência.

Human skull of female individual (From the collection of Museu Nacional)

Enquanto isso, o Google Arts & Culture convida você a revisitar e descobrir o museu digitalmente por meio de uma experiência com os tesouros que uma vez decoravam suas galerias e usar o Street View para navegar por seus majestosos espaços. Aqui você pode ver as preciosidades, como o mais antigo esqueleto humano das Américas, o meteorito Bendegó, e uma coleção incomparável de cerâmicas brasileiras antigas.

Créditos: todas as mídias
Compartilhar esta história com um amigo
Google Apps