Em «Le Luxe», Júlio Pomar explora recortes colados que se aproximam mais da assemblage tridimensional do que do «desenho com tesouras» herdado de Henri Matisse. Os materiais – tela, papel e até pelo sintético – acumulam-se de modo a sugerir, sem perder autonomia formal, o corpo do tigre enrolado.
A série dos tigres associa o felino ao corpo feminino, conferindo-lhe uma carga erótica, mais ou menos perceptível conforme a obra. Pomar justificou a escolha do tigre como recusa aos temas clássicos da pintura, afirmando que «o assunto em pintura (o que é representado) acaba por ser mais o lugar em que se joga do que a própria finalidade do jogo». Ainda assim, o tigre mantém-se como referência literária e, combinado com elementos eróticos, abre diversas leituras simbólicas.
O título remete ao verso «luxe, calme et volupté» de «Les Fleurs du Mal», de Charles Baudelaire, e ao famoso quadro homónimo de Henri Matisse, de 1904, com suas cores fauvistas vibrantes.
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