«Tigre» é uma obra que condensa algumas das mais relevantes propostas ou questões de trabalho desenvolvidas por Júlio Pomar. A obra, bem como toda a série que se centra neste felino, surge a partir das ilustrações que o artista realiza para o livro «Rose et bleu», de Jorge Luis Borges, editado pelas Éditions de la Différence, em 1978. Nas palavras de Júlio Pomar, este tigre, personagem central do conto, tem a particularidade de não existir. O felino apenas é identificado, nomeado em relatos, por pessoas que viram as marcas e pegadas da sua passagem. A presença enigmática deste tigre no conto torna-se de tal modo misteriosa que motiva um ciclo onde o animal ocupa o lugar central, tal como no conto, servindo para desenvolver questões sobre a pintura, como o gesto, o movimento, as texturas, a cor e o erotismo. Felino de porte ágil no modo de se mover e sedutor na sua pelagem matizada, a paridade entre os lados sensíveis da pintura e do animal seria suficiente para explicar o interesse de Pomar pela figura do tigre. Acresce a essa razão que o tigre corporiza simbolicamente uma dimensão fugidia da imagem, i.e, a dificuldade ou impossibilidade da sua fixação.
Você tem interesse em Visual arts?
Receba atualizações com a Culture Weekly personalizada
Tudo pronto!
Sua primeira Culture Weekly vai chegar nesta semana.