Chuteiras: a evolução do futebol na ponta dos pés

Museu do Futebol

Primeiros passos
O início da prática do futebol foi marcado pela adaptação das vestimentas às necessidades do novo esporte. Entre o final do século XIX e início do XX, tanto homens como mulheres jogavam com botas de couro, calçado de uso comum na rotina social e de trabalho. As condições climáticas de frio e chuva nas terras britânicas, porém, não colaboravam para o uso das tradicionais botas durante o jogo: o couro encharcava e o solado liso propiciava escorregões.

Botas femininas usadas para jogar futebol no final do século XIX.

AS REGRAS E O VESTUÁRIO OFICIAL

Desde a primeira reunião oficial da Football Association, em 1863, foram consolidadas regras para organizar e difundir a prática do futebol no país e fora dele.

Nesse documento, ficou acordado o uso obrigatório de calçados e proibiu-se o uso de pregos nas solas, a não ser que estivessem revestidos de couro.

Novos modelos
Anos depois, na década de 1920, os irmãos alemães Adolf e Rudolf Dassler criaram modelos próximos àquilo que hoje conhecemos como chuteiras. De couro, bico de aço e pregos na sola, o acessório ficou mais leve (de 1 para 0,5 quilos) e com o cano mais curto. O modelo também tinha travas intercambiáveis conforme o tipo do campo.

AS CASAS DE ARTIGOS ESPORTIVOS

O futebol ganhou popularidade no Brasil no início do século XX, e a imprensa brasileira logo passaria a anunciar a venda de acessórios esportivos, como os da Casa Clark e da Sportman no Rio de Janeiro, e da Casa Fuchs em São Paulo.

Virou moda homenagear os craques da época com modelos de chuteiras. Por exemplo, as "shooteiras à Marcos", para o goleiro Marcos Carneiro de Mendonça do Fluminense Football Club. Mário Filho, escritor e jornalista e um dos principais entusiastas do futebol na primeira metade do século XX, registrou o costume em seus textos.

O ESTILO DOS JOGADORES DITANDO A MODA

As chuteiras personalizadas com os nomes do jogadores utilizavam de seus atributos futebolísticos para propagandear as qualidades dos acessórios.

Seguindo a moda carioca, em 1917, foi lançada a chuteira de um "crack" paulista: Arthur Friedenreich do Club Athletico Paulistano foi o homenageado da vez.

Depois do tricampeonato carioca, a revista Sport Ilustrado trouxe em suas páginas as chuteiras dos jogadores do Clube de Regatas do Flamengo de 1945.

As marcas calçam os pés
Durante a Copa do Mundo FIFA de 1970, no México, as empresas Adidas e Puma, duas gigantes no ramo de materiais esportivos, acordaram em não realizar ações de marketing com o jogador brasileiro Pelé, a estrela daquele torneio. A Puma, contudo, não cumpriu o combinado.

Ao apostar as suas fichas na popularidade do jogador da Seleção Brasileira, a empresa Puma realizou uma ação de divulgação de suas chuteiras, driblando dessa forma, a alemã Adidas, fornecedora de materiais esportivos da Confederação Brasileira de Desportos, a CBD.

Antes da partida entre Brasil e Peru, válida pelas quartas de final do torneio, Pelé pediu ao árbitro para adiar em alguns segundos o início do jogo para que amarrasse suas chuteiras. Dessa forma, o mundo todo assistiu, pela televisão, ao Rei do Futebol amarrando suas chuteiras Puma, naquela que foi a primeira Copa do Mundo transmitida mundialmente ao vivo e a cores pela TV. Estava consolidada a disputa entre marcas esportivas nos campos de futebol.

Pretinho básico
A Copa do Mundo realizada nos Estados Unidos, em 1994, marcou definitivamente a entrada da empresa americana Nike no ramo do futebol. O Brasil, ao sagrar-se tetracampeão do torneio, transformou-se em alvo de novo patrocínio estratégico, assinando o maior contrato entre uma empresa de material esportivo e uma seleção para o período. Os jogadores brasileiros ajudaram a popularizar um modelo de chuteira que se tornou "um clássico": a preta e branca Tiempo. Em 1994, foi a última final de Copa do Mundo em que todos os jogadores calçaram somente chuteiras pretas.
A era das cores
Pouco exploradas até meados dos anos 1990, as chuteiras multicoloridas deram o tom dali em diante. A origem das chuteiras coloridas está associada a um acontecimento de 1970: o meio-campista inglês Alan Ball, representando o Everton Football Club, entrou em campo contra o Chelsea com chuteiras brancas como parte de uma jogada de marketing da empresa Hummel. O gesto de Ball foi imitado em terras brasileiras pelo jogador corintiano Carlos Casagrande, mas sem muita adesão entre torcedores e jogadores.

A partir dos anos 2000, ingressamos na era dourada (e também prateada, esverdeada...) das chuteiras coloridas.

Super-chuteiras
 As tecnologias de materiais e produção de chuteiras estão em constante evolução. Os recentes modelos com cano mais alto, por exemplo, oferecem mais estabilidade ao atleta. O processo de inovação é contínuo e conta com a participação dos jogadores para o aperfeiçoamento do acessório. Os testes de amostras e protótipos são realizados tando com garotos que jogam nas ruas e quadras escolares quanto com os craques mundiais. 
As chuteiras numa era global
No século XXI, a tecnologia e o marketing põem, em escala global, um costume que fora moda no início do século XX no Brasil: personalizar chuteiras com o nome dos craques! Guardadas as devidas proporções dessa história, a ideia permanece: vestir uma chuteira de um grande ídolo é sonhar em jogar, quem sabe um dia, igual a ele!
Créditos: história

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
Governador | Geraldo Alckmin
Secretário de Estado da Cultura | José Luiz Penna
Secretário Adjunto de Estado da Cultura | Romildo Campello
Coordenadora da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico | Regina Ponte

IDBrasil Cultura, Educação e Esporte
Organização Social de Cultura gestora do Museu do Futebol
Conselho de Administração
Presidente – Carlos Antonio Luque
Vice Presidente – Clara de Assunção Azevedo
Diretor Executivo – Luiz Laurent Bloch
Diretora Administrativa e Financeira – Vitória Boldrin
Diretora Técnica do Museu do Futebol – Daniela Alfonsi

Exposição virtual “Chuteiras - a evolução do futebol na ponta dos pés”


Curadoria, pesquisa e textos – Aira Bonfim e Fernando Breda
Apoio à seleção de imagens – Camila Aderaldo e Julia Terin
Edição de imagens – Rafael Lumazini
Edição final – Daniela Alfonsi

Realização do Núcleo do Centro de Referência do Futebol Brasileiro – CRFB – do Museu do Futebol
Coordenação – Camila Chagas Aderaldo
Pesquisadora – Aira Bonfim
Assistente de Pesquisa – Fernando Breda
Bibliotecário – Ademir Takara
Assistentes de Documentação – Julia Terin e Dóris Régis
Estagiária – Ligia Dona

Créditos: todas as mídias
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