VISIBILIDADE PARA O FUTEBOL FEMININO

Museu do Futebol

A participação das mulheres no futebol brasileiro

País do Futebol?
É muito comum em nosso cotidiano nos referirmos ao Brasil como país do futebol. No entanto, uma parte dessa história ficou esquecida. Por mais de quatro décadas, as mulheres foram proibidas de jogar bola sob a justificativa de que alguns esportes eram incompatíveis com a “sua natureza”. Apenas em 1983 o futebol feminino foi regulamentado.Esta exposição busca tornar mais conhecida a história das mulheres que lutaram pelo direito de jogar bola. 

A mostra Visibilidade para o Futebol Feminino chegou para provocar nossa maneira de contar a história do futebol brasileiro.

O que consagramos?

O que esquecemos?

O que sabemos sobre a participação feminina no esporte mais popular do Brasil?

Essa e outras questões passaram a fazer parte do engajamento do Educativo do museu com os seus mais distintos públicos.

Visibilidade e pesquisa
Esta exposição busca tornar mais conhecida a história das mulheres que lutaram pelo direito de jogar bola. Compartilhamos a curadoria com as próprias atletas, árbitras e jornalistas de campo que nos indicaram imagens representativas de suas carreiras e abriram seus arquivos pessoais para o Museu do Futebol torná-los públicos por meio do seu Centro de Referência, visando à ampliação das fontes de pesquisa, quase nulas no país.

A entrada do Museu do Futebol foi preenchida com bandeiras com fotos de todas as gerações de jogadoras que vestiram a camisa amarelinha.

Mariléia dos Santos, a Michael Jackson (Seleção de 1988 a 1996)

Suzana Cavalheiro (Seleção de 1988 a 1991)

Daiane Menezes Rodrigues, a Bagé (Seleção 2002 a 2013)

Aline Pellegrino (Seleção 2004 a 2013)

Incluímos a história da participação das mulheres no futebol na exposição principal do Museu do Futebol em maio de 2015. É lá que essa história deve aparecer ao público. Através da plataforma virtual do Google Cultural Institute queremos chegar mais longe, ao público que não pode nos visitar no Estádio do Pacaembu, ou que se interesse em conhecer ainda mais a história dessa modalidade.

"Imagine se te proibissem de fazer algo que você gosta muito?

Objetos de (des)memória?
Para quê colecionamos? Álbuns, postais, brinquedos, ingressos são objetos que simbolizam a nossa paixão pelo futebol. Esse esporte inseriu-se na memória e história pessoal de grande parte da população do Brasil. Mas este acervo de inúmeros objetos do universo do futebol raramente nos lembra das mulheres que fizeram parte deste processo. Mulheres que por sua persistência, contribuíram com a conquista de títulos, lugares e a narração dessa história.
Retorno aos campos
Por meio do decreto-lei de 1941,  as brasileiras foram proibidas de jogar futebol. O seu retorno aos gramados marcam, desde então, uma luta pela igualdade e visibilidade de seu jogo. A nossa seleção nacional foi organizada apenas em 1988, composta majoritariamente pela equipe carioca do Radar, e algumas atletas do Clube Atlético Juventus de São Paulo. Essa equipe participou do primeiro campeonato feminino organizado pela FIFA, o Torneio Internacional de Futebol Feminino em Guangdong, na China, preliminar ao primeiro Mundial oficial que aconteceria em 1991. 

A Noruega derrotou a Suécia na final, por 1X0 e o Brasil trouxe a medalha de terceiro lugar.

A competição contou com doze equipes de seis confederações: Austrália, Brasil, Canadá, China, Checoslováquia, Costa do Marfim, Japão, Holanda, Noruega, Suécia, Tailândia e Estados Unidos.

Marta e Formiga: novas anjas
Desde pequenos admiramos jogadores consagrados e alguns até sonham em se tornar mais um no panteão de ídolos do futebol brasileiro. Este sonho também parece possível quando meninas e meninos tomam como exemplo jogadoras como Marta e Formiga, recordistas em títulos jamais alcançados por jogadores homens. As atletas foram inclusas na Sala Anjos Barrocos, local mais do que apropriado para pessoas assim.

MARTA (Dois Riachos, AL, 1986)
Com um poderoso chute de canhota e invejável velocidade, sua habilidade a tornou a única jogadora eleita e melhora do mundo pela Fifa por cinco vezes consecutivas e a maior artilheira da história da seleção brasileira ao atingir 101 gols em 2015 – feitos inéditos entre homens e mulheres. A única mulher homenageada na calçada da fama do Maracanã abriu caminhos para a visibilidade do futebol feminino no século XXI.

Marta e Dani Alves na seleção Sub-19

FORMIGA (Salvador, BA, 1978)
Por mais de vinte anos na seleção brasileira, Formiga é a atleta com maior número de convocações. É também a única jogadora do mundo a participar de seis Copas do Mundo e seis Jogos Olímpicos. Com passes rápidos e precisos, bom desarme e uma visão de jogo diferenciada, a volante já defendeu equipes como o Malmö FF Dam (Suécia), Santos, São Paulo, Paris Saint German (França) e São José (SP), onde conquistou três vezes a Copa Libertadores e um Mundial de Clubes. Junto com Marta, foi medalha de prata em Atenas (2004) e Pequim (2008), e ouro nos Pan-Americanos de 2003, 2007 e 2015.

Os inícios...
No início do século XX, o futebol chegou ao Brasil praticado exclusivamente pelas elites: negros, pobres não tinham espaço nos primeiro clubes, mas jogavam nas ruas e chãos de fábrica. Já para as mulheres, era incentivada à ida à arquibancada. Nos trajes elegantes da época, as moças carregavam seus lencinhos e torcia-os durante a partida. Ali nascia a primeira contribuição feminina ao futebol: a palavra torcedor.

DECRETO-LEI N. 3.199 - DE 14 DE ABRIL DE 1941

Estabelece as bases de organização dos desportos em todo o país.

O Presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o art. 180 da Constituição,

CAPÍTULO IX: DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 54. Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompativeis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país.

Carta de um cidadão a Getúlio Vargas:

[Venho] Solicitar a clarividente atenção de V. Ex. para que seja conjurada uma calamidade que está prestes a desabar em cima da juventude feminina do Brasil. Refiro-me, Snr. Presidente, ao movimento entusiasta que está empolgando centenas de moças, atraíndo-as para se transformarem em jogadoras de futebol sem se levar em conta que a mulher não poderá praticar esse esporte violento, sem afetar, seriamente, o equilíbrio fisiológico das suas funções orgânicas, devido à natureza que dispoz a ser mãe... Ao que dizem os jornais, no Rio, já estão formados, nada menos de dez quadros femininos. Em S. Paulo e Belo Horizonte também já estão constituindo-se outros. E, neste crescendo, dentro de um ano, é provável que, em todo o Brasil, estejam organizados uns 200 clubes femininos de futebol, ou seja: 200 núcleos destroçadores da saúde de 2.200 futuras mães que, além do mais, ficarão presas de uma mentalidade depressiva e propensa aos exibicionismos rudes e extravagantes

José Fuzeira, carta datada de 25/04/1940

“O futebol é impróprio para moças.”
O Dia. Curitiba, 26 de Junho de 1940.

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LEONOR SILVA, rainha embaixatriz do Vasco da Gama e da seleção brasileira de 1938.

“Certamente ninguém exigirá da mulher que jogue o football ou o rugby, que esmurre antagonistas com o guante de boxe, que arremesse barras de ferro, que se engalfinhe em luta romana. Há exercícios que lhe não são próprios e que lhe seriam prejudiciais, não só à beleza como à saúde e até a sujeitariam ao ridículo”.

Frase do romancista Coelho Netto, conhecido por ser um defensor do futebol, 1926.

Ao lado: Capa da revista Educação Physica 1937

“A mulher esportiva cem por cento, a campeã, além de não ter uma saúde excepcional, a sua plástica muito fica a desejar.”

Dr. Leite de Castro, em Jornal O Dia Esportivo. Curitiba, 26 de Junho de 1940.

Ao lado, capa da Revista Educação Physica, 1937

Mas, as mulheres também queriam jogar e durante a década de 1930, período da popularização e profissionalização do futebol, elas também aprenderam as regras desse jogo.

"Você sabia que o futebol feminino já foi uma atração de circo?"

Equipes suburbanas cariocas femininas como Casino Realengo, S. C. Brasileiro., S. C. Bemfica, Eva F.C. e Primavera A.C. foram pioneiras no enfrentamento e exposição dessa prática para o público. Chegaram até a receber convites para partidas no exterior e realizaram um jogo preliminar a um C. R. Flamengo e São Paulo F. C. na partida inaugural da iluminação do campo do Estádio Municipal do Pacaembu, em 17 de maio de 1940.

“O Conselho Nacional de Desportos (...) decidiu pedir providências aos governadores dos Estados junto aos seus chefes de Polícia, no sentido de não permitirem, em hipótese alguma, a realização de jogos de futebol feminino.”

Folha de São Paulo. São Paulo, 04 de Fevereiro de 1965.

Equipe feminina do Casino Realengo. Rio de Janeiro, Setembro de 1940.

Equipe feminina do Bemfica F. C., Rio de janeiro, 1940.

Primeiros campeonatos
Em uma época em que o futebol brasileiro já era tricampeão mundial, as mulheres ainda eram proibidas de praticar este mesmo esporte. O decreto da proibição caiu apenas em 1979 e só em 1983 a modalidade foi regulamentada, surgindo da ilegalidade alguns clubes e pequenos campeonatos. Somente em 1991, se realizou a primeira Copa do Mundo de futebol feminino organizada pela FIFA. Ao lado, totem multimídia inserido na Sala das Copas, no Museu do Futebol durante o projeto.

"Que sabemos sobre os campeonatos da modalidade feminina?"

O primeiro campeonato mundial feminino ocorreu na Itália, em 1970. O confronto não teve o apoio da FIFA, e por isso, foi praticamente apagado da história.

A Federação Independente do Futebol Europeu Feminino (FIEFF) patrocinou o torneio. Áustria, Dinamarca, Inglaterra, Alemanha, Itália, México e Suíça participaram do evento inaugural.

A Dinamarca venceu a Itália na final em Turim por 2x0 e aproximadamente 50 mil torcedores testemunharam a partida.

Seleção mexicana e italiana se enfrentam pela semi-final, 1970.

No ano seguinte, a segunda edição desse mundial foi realizada no México - um ano após o time masculino brasileiro tornar-se tricampeão mundial nos mesmos campos-, mais de 100 mil torcedores acompanharam outra conquista das dinamarquesas contra as mexicanas (3x0).

A Federação Mexicana de Futebol chegou a tentar coibir a entrada de qualquer jogadora em seus campos. O problema foi contornado quando dois estádios particulares autorizaram uso e abriram suas portas para o torneio: o Jalisco e o Azteca.

O Brasil e a Argentina foram convidados. As Hermanas participaram, enquanto por aqui... nunca nem respondemos aos convites!

Pioneiras
Quem são as pioneiras no mundo do futebol? Quem são as mulheres que cruzaram as fronteiras do preconceito? Aproveitamos esse espaço para dar visibilidade para mulheres que deixaram a sua marca nessa história, ora jogando, apitando, treinando, ora torcendo, narrando e lutando por amor ao esporte. Saber quem são essas mulheres é contar uma história que pouco ficou conhecida e por essa razão, precisa ser reconhecida.
A primeira árbitra FIFA
A mineira Léa Campos foi a primeira mulher no mundo a apitar um jogo, em 1971, durante o mundial feminino realizado no México. Para tanto, foi preciso que Léa desafiasse o regime militar no Brasil e pedisse autorização ao Presidente General Médici, para representar o Brasil na equipe oficial de arbitragem. Ao longo da sua história, a árbitra foi presa 15 vezes e brigou com a própria família para poder trabalhar com futebol. A brasileira tornou-se a primeira árbitra FIFA e abriu caminho para tantas outras juízas e bandeirinhas que surgiram nos anos seguintes.

Saiu nos jornais cariocas de 1922 notas sobre uma suporta senhora que apitou uma partida de futebol. A ilustração do cartunista Waldo satirizou o episódio inusitado com a seguinte frase: "se a moda pega" as partidas de futebol entre os homens se tornariam "lutas de gentilezas".

CINQUENTA ANOS DEPOIS

“Apitar jogo de futebol não é profissão de mulher.”

Revista Placar. São Paulo, 20 de agosto de 1971.

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Léa Campos ao centro da foto.

ARAGUARI ATLÉTICO CLUBE

A equipe do Araguari Atlético Clube, cidade de mesmo nome localizada à 585 km de Belo Horizonte (MG), foi notícia na conhecida revista O Cruzeiro em 28 de fevereiro de 1959. A matéria intitulada o “GLAMOUR” USA CHUTEIRAS chamou a atenção nacional ao revelar um dos raros clubes de futebol com representação feminina que se apresentava publicamente em um período em que, mulheres, estavam desaconselhadas – para não dizer proibidas – a jogar esse esporte.

O Araguari surgiu quando a direção do Grupo Escolar Visconde de Ouro Preto propôs ao clube a realização de uma partida beneficente contra os atletas do seu maior rival, o Fluminense Futebol Clube, com o intuito de arrecadar dinheiro para o colégio.

A proposta chegou aos ouvidos de Ney Montes, um dos diretores do Araguari, e o mesmo incentivou a realização de uma partida entre mulheres.

“(...) as mulheres têm ossos mais frágeis; menor massa muscular; bacia oblíqua; tronco mais longo e por isso menos resistente; centro de gravidade mais baixo, coração menor; menos número de glóbulos vermelhos; respiração menos apropriada a esportes pesados; menor resistência nervosa e de adaptação orgânica.”

Folha de São Paulo, 16 de Julho de 1961.

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Ao lado Eleuza, goleira do Araguari.

Quiçá por ingenuidade, suas participantes e dirigentes almejavam profissionalizar a modalidade. Promoveram amistosos entre outras equipes que também permaneciam na clandestinidade e ganharam as páginas dos jornais e revistas.

A ousadia dessas mulheres acabou por encerrar precocemente a história da equipe. Alguns dizem que por pressão da igreja local, outros por recomendação da Confederação Brasileira de Desportos, a CBD.

Foto do trem quebrado durante viagem dos atletas - homens e mulheres - do Araguari.

Rádio Mulher
Ainda que tenha operado por apenas seis anos – desde sua fundação em 1970 até o seu encerramento em 1976 -, a Rádio Mulher entrou para a história com sua inovação e pioneirismo. Comprada em 1969 com o nome de Santo Amaro AM pelo empresário Roberto Montoro, a estação sofreu uma repaginada no ano seguinte, tornando-se a referência que conhecemos hoje. Desde a motorista até a técnica de som, a equipe da 930 AM era majoritariamente feminina. 

A programação, elaborada por e para mulheres, era voltada ao futebol dos finais de semana.

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Credencial da repórter de campo Germana Garilli, a Gegê, representando a Rádio Mulher.

E foi em um desses programas que ocorreu a primeira narração esportiva feita por uma mulher: em 1972, Zuleide Ranieri faz a locução da entre União Soviética e Checoslováquia.


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Reportagem sobre o espaço da mulher na cobertura do futebol. Zuleide em destaque.

Outros nomes importantes na história da rádio foram Germana Garilli, repórter de campo, Claudete Troiano, repórter e narradora, Jurema Yara e Leilah Silveira, ambas comentaristas, e Léa Campos. A ex-árbitra era responsável pela análise da arbitragem nos jogos.

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Germana ao lado do jogador Jairzinho.

A Rádio Mulher foi ganhando audiência, especialmente por parte do público masculino. Com isso em mente e buscando maior adesão, Roberto Montoro, nas palavras de Zuleide, “casou” a rádio, convidando homens para compor a equipe.

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Credencial da repórter de campo Semiramis Alves durante o período em que trabalhava na TV Tupi.

Aos poucos, a participação masculina foi crescendo, dando à rádio uma nova cara. A partir de 1974, muitas garotas já não trabalhavam mais na 930 AM, que veio a fechar em 1976 por falta de patrocínio.

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A repórter Semiramis Alves entre Carlos Alberto Torres e o goleiro Gilmar.

Germana Garilli, a Gegê, durante as narrações da Rádio Mulher.

Apesar do fim da estação, o legado de existirem mulheres - mesmo que poucas - comentando, narrando e vivendo do futebol, se deve também à Rádio Mulher.

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Ao lado, Léa Campos, Zuleide, Gegê (ao fundo) e Claudete e pessoa não identificada durante premiação da Rádio.

Claudete Troiano entrevista Pelé para a Rádio Mulher.

Rose do Rio
Em campo e na política, outra pioneira foi a jogadora e estudante de direito paranaense Rose do Rio, que resolveu jogar futebol para atacar os rótulos preconceituosos que as jogadoras recebiam nos anos 80. Engajada, fundou e presidiu a Associação de Futebol Feminino do Rio de Janeiro, incentivando outros estados a fazerem o mesmo. FOTO:  Rose após a fundação da Associação de Futebol Feminino no Rio de Janeiro.

Rose ganhou esse apelido por estar envolvida em um importante episódio que marcou para sempre a história da modalidade, período em que o decreto-lei da proibição já havia caído por terra, mas sem regulamentação, mulheres continuavam a ser boicotadas em campo.

Em setembro de 1982, a cidade de São Paulo sediou o Festival Nacional de Mulheres nas Artes organizado por Ruth Escobar. Ruth, atriz e produtora cultural, organizou o festival com o apoio da Revista Nova.

Foi, sem dúvida, uma grande amostragem da produção artística feminina nos mais variados campos de atuação.

No dia do encerramento do festival, foram formadas duas seleções, uma do Rio de Janeiro e outra de São Paulo, para jogar no gramado do Estádio do Morumbi.

A organização do evento recebeu um Mandato de Segurança e conseguiu contorná-lo atribuindo ao jogo o caráter de “espetáculo” preliminar à partida entre São Paulo e Corinthians. O tempo do jogo feminino foi diminuído – vinte minutos cada tempo – a fim de descaracterizá-lo como uma partida autêntica.

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Chute inicial da atriz Ruth Escobar durante partida entre mulheres realizada no Morumbi, 1982.

Compareceram 68 mil torcedores na ocasião, e junto com eles um telegrama da Federação Paulista de Futebol proibindo a realização da partida. Segundo depoimento de Rose do Rio, os jogadores teriam apoiado a iniciativa, e Sócrates, um dos líderes da democracia corintiana, falou em alto e bom som:

“O público está aqui para ver o futebol feminino. Não está para ver Corinthians e São Paulo não. Então se elas não entrarem, nós também não vamos entrar!”.

Momento preliminar a partida entre São Paulo e Corinthians em 1982.

Casagrande ao lado de Rose.

Quando a CND regulamentou a prática, em 1983, as regras da modalidade foram: o tempo da partida em 70 minutos com intervalos de 15 a 20 minutos; a bola de diâmetro entre 62 e 66 centímetros e peso máximo de 390 gramas; as jogadoras devem usar chuteiras em travas metálicas ou pontiagudas; e não podem trocar de camisas com as adversárias após uma partida.

Essa última regra se deve ao episódio ocorrido no Morumbi, quando Ruth Escobar trocou de camisa com uma das jogadoras da seleção paulista.

Nossas seleções femininas
Apenas em 1988, a cidade de Guangdong, na China, sediou o Torneio Internacional de Futebol Feminino da FIFA como um ensaio geral potencial para uma possível Copa do Mundo Feminina.Em 1991, a FIFA concedeu à cidade o direito de sediar o torneio oficial já que possuíam planos e infraestrutura para isso. Naquela ocasião, a FIFA se recusou a conceder o status de Copa do Mundo às mulheres.

O único patrocinador comercial do evento, a fábrica de doces Mars, assumiu a liderança e designou o nome do torneio: M&M’s Cup. Depois de considerar o torneio um sucesso, a FIFA renomeou retroativamente para a “Copa do Mundo de Futebol Feminino”.

Apesar de ostentarem o mesmo nome, a Copa do Mundo da modalidade feminina passará anos se esforçando para se equiparar nas estruturas mais básicas para a realização do campeonato a cada quatro anos.

Transmissão, patrocínio, campos, calendário, público serão temas desafiadores para os organizadores e, consequentemente, para as seleções participantes.

Copa do Mundo de 1991: Brasil 9º lugar
12 equipes, 26 partidas e 99 gols marcam a primeira Copa Feminina, realizada na China, que teve os EUA como campeões
Copa do Mundo de 1995: Brasil 9º lugar
As anfitriãs suecas caíram nas quartas-de-final e o destaque ficou por conta da Noruega, que sagrou-se campeã invicta. Mesmo não passando da primeira fase, nossa seleção já tinha Sissi e Pretinha como destaques. Na foto ao lado, partida entre Brasil e Alemanha. Destaque para a brasileira Cenira.

Delegação brasileira em preparação para a Copa do Mundo de 1995, na Granja Comary.

Seleção brasileira, 1995. Destaque para o uniforme masculino que usavam, cujo modelo foi utilizado pelos homens na Copa de 1994.

Copa do Mundo de 1999: Brasil 3º lugar
As norte-americanas sagram-se bi-campeãs em casa, quando o torneio aumenta de 12 para 16 seleções participantes. Foi a Copa com o maior número de gols até então, a rede balançou 123 vezes. Ao lado, o ingresso do jogo da disputa pelo terceiro lugar, entre Brasil e Noruega, na Copa do Mundo de 1999.

Formiga e Maravilha comemoram vitória brasileira.

Copa do Mundo de 2003: Brasil 5º lugar
O surto da gripe aviária fez com que a China não hospedasse o evento, que ocorreu novamente nos EUA. A campeã Alemanha realizou campanha impecável, com destaque para Birgit Prinz, artilheira e eleita a melhor jogadora do mundo no mesmo ano.  O Brasil teve a estreia de Marta na seleção.
Copa do Mundo de 2007:  Vice-campeã Brasil
Foi a Copa do bi-campeonato alemão, mas o grande destaque foi a Seleção Brasileira que obteve a melhor colocação da história da equipe em Copas do Mundo, com 5 vitórias e apenas uma derrota, para as campeãs. Com sete gols e atuações brilhantes, Marta foi a artilheira da competição.
Copa do Mundo de 2011: Brasil 6º lugar
Estados Unidos e Japão decidiram o campeonato nos pênaltis e as japonesas levaram a melhor com grande atuação da goleira Ayumi Kaiori e da atacante Homare Sawa, eleita a melhor jogadora do mundo em 2012.

Primeiro álbum de figurinhas da Copa do Mundo FIFA de 2011, que só circulou na Alemanha, país sede do torneio.

Copa do Mundo de 2015
A sétima edição do torneio foi no Canadá e contou com a nova tecnologia da linha de gol. Uma das grandes polêmicas desse campeonato foi a disputa totalmente realizada em campos de grama sintética. O Brasil foi representado por atletas de sua seleção permanente, com uniformes exclusivos. Após uma campanha invicta na fase de grupos, as brasileiras acabaram eliminadas nas oitavas de final pela seleção da Austrália.

Corpo e movimento são os protagonistas desse jogo chamado futebol. Um belo lance, uma linda cobrança, um gol inesquecível... Todos executados pelos pés das jogadoras de futebol. Uma trajetória esportiva que já foi apresentada como atração de circo, jogos entre vedetes, partidas beneficentes, passando por anos de proibições e muita resistência.

CENTRO DE REFERÊNCIA DO FUTEBOL BRASILEIRO

Grande parte dos acervos expostos nessa exposição é fruto do trabalho de pesquisa e digitalização do Centro de Referência do Futebol Brasileiro, a área do Museu do Futebol responsável pela dinamização de conteúdos.


“Você têm materiais guardados que possam ajudar a resgatar a história do futebol feminino?”

O maior desafio para se começar a reunir as peças do quebra-cabeça que é a história da participação das mulheres no futebol foi a <b>ausência de fontes de pesquisas nos órgãos e arquivos oficiais</b>. 

Também foi importante compartilhar a curadoria dessa exposição com as protagonistas da história, atletas, árbitras e jornalistas, que nos indicaram imagens representativas de suas carreiras.

Essa porta de entrada nos permitiu conhecer e digitalizar seus acervos pessoais e dessa forma disponibilizá-los no projeto Visibilidade para o Futebol Feminino.

Com isso, hoje nos orgulhamos de ter, no Museu do Futebol, o maior acervo referencial sobre a modalidade no país. Essas coleções são hoje as mais importantes pistas para se começar a entender a história do futebol feminino no Brasil. Está aberta ao público e o acesso é gratuito.

Créditos: história

Exposição Visibilidade para o Futebol Feminino

Versão original - 2015

Curadoria e Textos | Grupo de Trabalho - Futebol Feminino: Suzana Cardoso, Diego Sales, José Rodrigues Neto, Laís de Oliveira Araújo, Tatiane de Oliveira, Daniel Magnanelli, Aira Bonfim, Camila Aderaldo, Julia Terin e Pedro Sant'Anna
Pesquisa | Aira Bonfim, Camila Aderaldo e Suzana Cardoso.
Edição Google | Aira Bonfim, Julia Terin, Pedro Sant'Anna e Camila Aderaldo
Revisão de Textos | Daniela Alfonsi e Camila Aderaldo
Edição de vídeo | Aira Bonfim
Educadores Participantes | Bruna Colluci, Claudia Stocco, Ingrid Ricetto, Leonardo Catella

Versão revisada - 2018

Coordenação | Camila Aderaldo e Aira Bonfim
Adaptação, edição google e tradução | Ana Letícia de Fiori

Créditos: todas as mídias
Em alguns casos, é possível que a história em destaque tenha sido criada por terceiros independentes. Portanto, ela pode não representar as visões das instituições, listadas abaixo, que forneceram o conteúdo.
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