Tempo de Reação - 100 anos do goleiro Barbosa

A história de um dos melhores arqueiros brasileiros de todos os tempos.

Do Museu do Futebol

Barbosa faz defesa (1957-10-12), de Última Hora | Direitos ReservadosMuseu do Futebol

Moacyr Barbosa (1921-2000) foi considerado o 3º melhor goleiro brasileiro e 11º do mundo no século XX pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol. Esta exposição expande a mostra realizada no Museu do Futebol (SP) de junho de 2021 a janeiro de 2022.

Barbosa nasceu em Campinas, no interior de São Paulo, em 27 de março de 1921 - era o quinto filho de uma família com 11 irmãos. Com a morte precoce do pai, em 1935, foi morar com a irmã mais velha no bairro Liberdade, em São Paulo. Descoberto por olheiros jogando como amador, começou a carreira profissional no Clube Atlético Ypiranga (SP), onde atuou de 1942 a 1944. Barbosa logo ganhou fama de bom goleiro até ser cortejado por outros clubes da cidade.

Time amador do Laboratório Paulista de Biologia (1941-05-24), de A Gazeta Esportiva | Direitos ReservadosMuseu do Futebol

Entrevista de Barbosa ao jornalista José Rezende.
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Jogou muita pelada na rua e logo passou a integrar o time do Laboratório Paulista de Biologia (LPB), onde trabalhava. Disputava torneios amadores - a essa altura, ainda como ponta direita. Jogava também pelo Almirante Tamandaré, time treinado por seu cunhado, nos campos de várzea da Baixada do Glicério. Foi lá que substituiu o goleiro em uma partida e nunca mais deixou as traves.

Barbosa pega a bola nas redes (1950/1959), de Última Hora | Direitos ReservadosMuseu do Futebol

A caminho do Rio

Foi o craque Domingos da Guia quem deu a dica para o CR Vasco da Gama sobre o promissor goleiro paulista. O time carioca vinha procurando reforços e fez uma oferta ao Ypiranga. Foi assim que Barbosa seguiu para o Rio em 1945, onde se tornou ídolo e viveu o auge da carreira.

Barbosa "polvo" (1957-08-23), de Última Hora | Direitos ReservadosMuseu do Futebol

Barbosa fala sobre o Vasco da Gama.
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Na chegada, um susto: Barbosa quebrou a mão e só se tornou titular efetivamente em 1946. Ficou no Vasco até 1955 e depois voltou entre 1958 e 1961. Foram 431 jogos, 282 vitórias e 16 títulos pela equipe carioca. No áudio, ele fala sobre o começo no clube.

Barbosa em treinamento em São Januário (1952), de Última Hora | Direitos ReservadosMuseu do Futebol

Expresso da Vitória

Barbosa integrou o time vascaíno que ficou conhecido como Expresso da Vitória. Comandado inicialmente por Ondino Vieira e, no auge, por Flavio Costa, aquele Vasco foi o primeiro time brasileiro a jogar com o esquema tático 4-2-4. Aquela equipe  formou a base da Seleção Brasileira entre 1947 e 1950. 

Barbosa durante treino (1959), de Última Hora | Direitos ReservadosMuseu do Futebol

Como um gato!

De acordo com o depoimento do jornalista Duarte Gralheiro ao Jornal dos Sports, seu estilo impressionou: "Era um relâmpago. Descrevia no ar um salto felino e, com o corpo na horizontal, formava a paralela e dava a parada. A bola estava nas suas mãos e o lance morria".

Seleção Brasileira, Campeonato Sul-Americano (1949-04-03), de Correio da Manhã | Direitos ReservadosMuseu do Futebol

Na Seleção Brasileira

Destaque no Vasco, Barbosa foi convocado para a Seleção Brasileira pela primeira vez em 1945, para a disputa da Copa Roca. Foi campeão. Ganhou também a Copa Rio Branco, em 1947 e 1950. Mas seu grande título com a Amarelinha foi o Sul-Americano de 1949.

Barbosa e Juvenal em jogo da Copa do Mundo (1950-07-01), de Jayme de CarvalhoMuseu do Futebol

O primeiro camisa 1 do Brasil

Barbosa foi o primeiro goleiro a usar a camisa 1 da Seleção em uma Copa do Mundo – antes do Mundial de 1950, não era obrigatório numerar os uniformes dos jogadores.

Maracanã, de Acervo Leonardo RomanoMuseu do Futebol

"Maracanazo"

Classificado para a final, o Brasil só precisava de um empate, mas acabou derrotado por 2x1 para o Uruguai no Maracanã. Dirigentes, imprensa e intelectuais construíram uma narrativa que responsabilizava Barbosa, Juvenal e Bigode, três dos jogadores negros do time. 

Pedaço da antiga trave do Estádio do Maracanã (1968), de Ciete SilvérioMuseu do Futebol

As traves do Maracanã

As traves de madeira do Maracanã só foram trocadas em 1968. Barbosa chegou a declarar que queimou uma delas num churrasco! Outra versão é de que teriam ido parar em Muzambinho (MG) - de onde um pedaço foi serrado e presenteado a Tereza Borba.

Barbosa fratura a perna (1953-05-16), de Última Hora | Direitos ReservadosMuseu do Futebol

Fratura

Apesar da narrativa racista que vigorou em alguns setores da sociedade - o que chateava  Barbosa - ele continuou um goleiro amado pela torcida e estava cotado para ir à Copa de 1954, na Suíça. Mas no ano anterior fraturou a perna em um choque com Zezinho, do Botafogo FR.

Barbosa e Clotilde, sua esposa (1968-12), de Direitos ReservadosMuseu do Futebol

Vida em família

Barbosa conheceu Clotilde Melonio (1910-1997) quando ainda estava no Ypiranga. Casaram-se em dezembro de 1943 contra a vontade do pai de Clotilde, que não queria ver a filha metida com jogador de futebol. Ficaram juntos por 54 anos, até ela morrer de câncer.

Tereza Borba, filha do ex-goleiro Barbosa (2021-06-19), de Ciete SilvérioMuseu do Futebol

Uma filha para o craque

Na década de 90, Barbosa mudou-se para Praia Grande (SP). Lá conheceu Tereza Borba, que tinha um quiosque na praia. Tornaram-se amigos a ponto de Barbosa considerá-la filha que nunca teve. Tereza é a grande responsável pela preservação da memória de Barbosa.

Barbosa morreu no ano 2000 por complicações de um AVC. Tereza prometeu a ele que mudaria o modo como era lembrado. E foi a principal responsável pela preservação do acervo que você vê nesta exposição virtual. "A única cruz que o Barbosa carregou foi a de malta", diz ela em referência ao símbolo do Vasco da Gama. 

Grafite homenageia Barbosa em São Januário (2021-12-09), de Olga BagatiniMuseu do Futebol

Homenagens

Barbosa recebeu muitos reconhecimentos ao longo da carreira e mesmo após sua morte. Em 2021, o Centro de Treinamento do Vasco foi rebatizado de CT Moacyr Barbosa, nome escolhido por voto popular. O goleiro também foi eternizado em São Januário pelo projeto NegroMuro. 

Exposição temporária "Tempo de Reação – 100 anos do goleiro Barbosa", do Museu do Futebol (2021-06-19), de Ciete SilvérioMuseu do Futebol

Tempo de Reação

No Museu do Futebol, a exposição "Tempo de Reação - 100 anos do goleiro Barbosa" teve três eixos principais: lembrar o centenário do craque; homenagear goleiros e goleiras nos 150 anos de criação do posto; e problematizar o racismo no futebol.   

Exposição temporária "Tempo de Reação – 100 anos do goleiro Barbosa", do Museu do Futebol (2021-06-19), de Ciete SilvérioMuseu do Futebol

A mostra apresentou camisas e luvas de goleiros e goleiras de vários países.  

Exposição temporária "Tempo de Reação – 100 anos do goleiro Barbosa", do Museu do Futebol (2021-06-19), de Ciete SilvérioMuseu do Futebol

Manifesto

A mostra finaliza com um manifesto antirracista, conclamando os visitantes a se unir à causa. "Tempo de Reação" é não apenas a técnica desenvolvida por goleiros e goleiras, mas também a necessidade de todos nós agirmos no agora pela igualdade, no futebol e na vida.  

Barbosa em sua casa na Praia Grande, Direitos Reservados, 1990/1999, Da coleção de: Museu do Futebol
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Capa da Revista do Esporte, Revista do Esporte | Direitos Reservados, 1960-03, Da coleção de: Museu do Futebol
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Créditos: história


MUSEU DO FUTEBOL 

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
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Conselho de Administração
Presidente - Carlos Antonio Luque
Diretora Executiva - Renata Vieira da Motta
Diretora Administrativa e Financeira Vitoria Boldrin
Diretora Técnica - Marilia Bonas  
EXPOSIÇÃO VIRTUAL TEMPO DE REAÇÃO: 100 ANOS DO GOLEIRO BARBOSA
Curadoria e textos: Renata Beltrão e Olga Bagatini
Pesquisa, metadados e colaboração geral: Ademir Takara, Dóris Régis,  Ligia Dona e Marcel Tonini
Montagem: Renata Beltrão 
Revisão: Fiorela Bugatti e Marcel Tonini 
Tratamento de imagens: Hugo Takeyama 

Vídeo Entrevista com Tereza Borba, filha do goleiro Moacyr Barbosa
Roteiro e entrevista: Ligia Dona e Marcel Tonini
Imagens: Leandro Fortes 
Edição: Renata Beltrão 

Agradecimentos a Tereza Borba e às empresas parceiras que possibilitaram a realização da exposição no Museu do Futebol: SportTV e EMS Farmacêutica, Poker Esportes e UOL Esporte Clube. A exposição contou com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

São Paulo, março de 2022. 

Créditos: todas as mídias
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