Vestido e Traje masculino (1770/1780) de Autor DesconhecidoMuseu Nacional do Traje
As Casacas
Durante o Antigo Regime as cortes europeias viviam num ambiente de grande luxo e ostentação, onde o traje exibia a riqueza e a opulência através de formas exuberantes, de tecidos luxuosos e de cores vivas.
No princípio do século XVIII o estilo Barroco, mais rígido e solene, foi substituído pelo estilo Rocaille mais elegante, ligeiro e frívolo, ao qual se juntaram motivos decorativos exóticos.
Ao longo do século XVIII, os trajes feminino e masculino não sofreram alterações consideráveis em termos de composição e, até ao último quartel do século, a formalidade e opulência da moda francesa continuou a assumir a sua preponderância na Europa.
O prestígio da corte francesa, instalada em Versailles, influenciou as restantes cortes europeias que lhe seguiram os passos. Portugal não foi uma excepção, tendo adoptado igualmente os trajes e o cerimonial do absolutismo francês durante os reinados de D. João V e D. José I.
Véstia (1712/1720) de Autor DesconhecidoMuseu Nacional do Traje
A véstia
Os lavrados e brocados de seda com motivos florais e vegetalistas policromos, particularmente usados em vestias, são ilustrativos do luxo decorativo exibido ao longo do século XVIII.
A véstia, um elemento do traje masculino que se usava até então sob a casaca, era confeccionada com tecidos luxuosos. Inicialmente comprida, foi ficando mais curta e simplificou-se, transformando-se a partir da década de 1760 no colete, ao perder as mangas.
Casaca (1760/1770) de Autor DesconhecidoMuseu Nacional do Traje
Traje masculino
A forma básica do traje masculino surgiu em França no final do século XVII, durante o reinado de Luís XIV, sendo composta por casaca, colete e calção.
Este conjunto manteve-se no período Rocaille embora as casacas fossem menos amplas e se apresentassem ricamente bordadas. Os calções eram ajustados e terminavam abaixo dos joelhos.
Casaca (frente) (1760/1770) de Autor DesconhecidoMuseu Nacional do Traje
Os Bordados
As casacas e os coletes eram profusamente decorados com bordados de cores vivas que formavam padrões florais e vegetalistas.
Os bordados eram realizados nas peças de tecido antes de se efectuarem os cortes quer das casacas, quer dos coletes.
Casaca (costas) (1760/1770) de Autor DesconhecidoMuseu Nacional do Traje
Os materiais habituais eram os fios laminados de ouro e de prata e os fios de seda em tons policromos.
Estas peças soberbamente ornamentadas davam uma pose elegante aos seus portadores e só podiam ser utilizadas por membros da corte
Three-piece Men's Suit Three-piece Men's SuitMuseu Nacional do Traje
Jabots
Como complementos usavam-se os jabots, as cabeleiras empoadas, as mangas rendadas, as meias de seda e os sapatos de salto.
O jabot era usado ao pescoço, habitualmente de renda ou cambraia bordada, plissada ou franzida.
As cabeleiras artificiais e os cabelos empoados marcaram a imagem deste período. O estilo e o tamanho foram-se alterando, das compridas e armadas com caracóis às mais simples de rabo-de-cavalo preso com fita de seda preta.
Traje masculino (três peças) (1780) de Autor DesconhecidoMuseu Nacional do Traje
Ao longo do século XVIII, os componentes básicos do traje masculino mantêm-se, embora com algumas alterações na forma, na silhueta, e nos tecidos.
A altura do cós e dos punhos, a forma como a casaca ajusta ao corpo e a decoração são características marcantes na evolução das casacas.
Traje masculino (três peças) (1780) de Autor DesconhecidoMuseu Nacional do Traje
Na segunda metade do século XVIII, as casacas eram ricamente bordadas nas frentes, extremidades, paletas dos bolsos , punhos e botões.
O corte foi-se progressivamente ajustando ao corpo, tornando-se mais justo.
Fraque de Autor desconhecidoMuseu Nacional do Traje
As casacas tornam-se menos amplas e as frentes são cortadas numa linha arredondada, principalmente a partir de c.1760.
Também as pregas e machos laterais e traseiros são menos volumosos do que no início do século.
Men's Suit Men's SuitMuseu Nacional do Traje
O traje de moda era um traje de luxo, como os exemplos apresentados de origem aristocrática, visível nos tecidos, cores, bordados, aplicações e materiais.
Os Botões
O século XVIII foi, sem dúvida, o período áureo dos botões. Nas casacas e nos coletes este pequeno acessório tinha um importante papel decorativo. Estas peças de grande engenho artístico podiam ser de tecidos bordados, pintados, de madrepérola e de pedrarias facetadas, incrustadas em ouro ou prata.
Após c.1780, os botões eram maiores e apresentavam-se como um elemento extravagante nas casacas tendencialmente mais simples na decoração.
Traje masculino Traje masculinoMuseu Nacional do Traje
A seda era o material mais usado para o traje formal, de cerimónia ou de corte, sendo em tafetás, veludos ou lavrados.
A lã, mais comum para o uso quotidiano, podia ser apropriada para ocasiões mais informais.
As Cores
As cores vibrantes no traje masculino são uma característica original e muito expressiva no século XVIII, encontrando-se desde os vários tons de cor-de-rosa, vermelhos, azuis, verdes e amarelos.
Casacas (1800) de Autor DesconhecidoMuseu Nacional do Traje
A partir de 1780, o homem começou a adoptar trajes mais simples e funcionais, de inspiração inglesa.
A partir de c. 1800, apesar da simplificação na decoração dos tecidos e da abolição de alguns acessórios como a cabeleira, o traje masculino formal e de corte mantém-se com uma expressão de luxo, continuando os homens a usar o conjunto de casaca, colete e calção.
Textos: Dina Caetano Dimas
Xénia Flores Ribeiro
Exposição Online: Cândida Caldeira
Fotografias: © DGPC/ADF e Museu Nacional do Traje
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