Mitologia e Alegoria

Os artistas do Renascimento buscaram inspiração na Antiguidade Clássica, representando cenas e personagens da mitologia greco-romana em suas obras. As narrativas sobre os mitos, lendas e deuses cultuados na Grécia Antiga continuaram despertando interesse e sendo representadas no mundo das artes.

Cabeça de Diana (1845) by Autor não identificadoMuseu de Arte da Bahia

"O mito é uma narrativa especial, particular, capaz de ser distinguida das demais narrativas humanas." (Everardo Rocha)

A deusa Ártemis, ligada à vida selvagem e à caça; mais tarde, também se tornou associada à lua e à magia, chamada de Diana pelos romanos. Jovem e bela, quase sempre é representada munida de arco e flecha, banhando-se ou descansando das caças. 

Leda e o Cisne (1798) by Autor não identificadoMuseu de Arte da Bahia

Na mitologia grega, Leda, mulher de Tíndaro, foi amada por Zeus, que tomou a forma de um cisne para conquistá-la. Desse amor nasceram dois pares de gêmeos: Castor e Polux, Helena e Clitemnestra. Na mitologia romana, Zeus foi identificado com Júpiter. O romance de Leda com Zeus foi imortalizado por artistas como Leonardo da Vinci, Michelangelo, Veronese e Rubens.

Figura de mulher (Grega) (1820) by Autor não identificadoMuseu de Arte da Bahia

Ruínas by Autor não identificadoMuseu de Arte da Bahia

O Rapto de Helena (1798) by José Teófilo de JesusMuseu de Arte da Bahia

Helena foi considerada a mais bela das mulheres pela mitologia grega. Era a esposa do rei Menelau, rei de Esparta. Seu rapto por Páris, príncipe de Tróia, provocou a lendária guerra. A cena se passa ante o palácio onde vivia, cujas arcadas aparecem ao fundo. Em primeiro plano, Helena, de perfil e quase de joelhos, estende a mão para Páris, escoltado por dois guerreiros troianos. À esquerda, barco de velas prestes a zarpar.

Alegoria da Paz (1720) by Sebastiano ConcaMuseu de Arte da Bahia

A alegoria é uma composição figurativa que representa personagens identificáveis pelos seus atributos, procurando traduzir conceitos ou ideias, que podem ser religiosas, sociais, culturais etc. Na arte, foi amplamente utilizada no século XVII.

Auréola dourada representada na forma circular que emana luminosidade e circunda os corpos gloriosos, instituídos pela fé católica.

O Anjo acentua o aspecto protetor e sublime.

A Pomba branca representa o Espírito Santo, símbolo universal da Paz, para o Cristianismo.

Alegoria da Ciência (1720) by Sebastiano ConcaMuseu de Arte da Bahia

Nesta figuração artística a alegoria encerra em seu significado maior a Ciência, que envolve permanente pesquisa e descobertas sobre o ser vivo.

Ábaco, técnica muito antiga para efetuar cálculos na realização das operações matemáticas.

Caduceu, bastão envolto por uma serpente, emblema adotado pela Associação Médica Mundial, simbolo de Asclépio, compreendido como deus da medicina da civilização antiga, que tem sua origem na mitologia grega.

Disputa entre Cosmógrafos ou Alegoria ao Novo Mundo (1880) by José Antônio da Cunha CoutoMuseu de Arte da Bahia

Disputa entre cosmógrafos

Em torno de um globo terrestre, veem-se cinco personagens: Pedro Álvares Cabral se encontra ajoelhado, vestido com colete vermelho e segurando um manuscrito, tendo ao seu lado Paolo Toscanelli (de óculos) com compasso aberto sobre o globo, mais ao fundo, Cristóvão Colombo, com a mão junto à bússola, Vasco da Gama apoiando o braço direito sobre o globo e Américo Vespúcio, com as mãos erguidas. Embaixo, composição com uma arara, folhas de palmeira e cocar indígena, presentes levados por Cabral ao rei. Todos estes elementos sugerem, além de um debate entre cosmográfos, uma alegoria ao Novo Mundo.

América - Série de Alegorias dos Quatro Continentes (1810) by José Teófilo de JesusMuseu de Arte da Bahia

Alegoria da América

Alegoria que integra um conjunto de representações pictóricas dos Quatro Continentes, tema nascido na pintura flamenga do século XVI, que se espalhou pela arte europeia, tornando-se modismo. Aparece na pintura brasileira tardiamente, já no século XIX, pelos pincéis do baiano Teófilo de Jesus. A obra é representada por uma índia, circundada por elementos da fauna e da flora, com ênfase no tropical cenário brasileiro. América se encontra recostada num banco simples de madeira, ao contrário dos outros continentes que estão na garupa de algum animal. Observa-se a natureza exuberante e intocada, representada, sobretudo, por grandes árvores frutíferas. Ela aponta para uma caixa em forma de tesouro, com a nova terra sendo definida como um lugar de futuro, com tesouros guardados para serem descobertos. 

África - Série de Alegorias dos Quatro Continentes (1810) by José Teófilo de JesusMuseu de Arte da Bahia

Alegoria da África

A África aparece sentada sobre um grande elefante, ricamente adornado, e porta uma sombrinha para lhe proteger do sol do continente. Traz à cabeça uma grande pena e uma coroa; nas mãos, um cetro. O ambiente é representado como exótico, a vegetação e a fauna contrastam com aquela encontrada no clima temperado europeu. 

Europa - Série de Alegorias dos Quatro Continentes (1810) by José Teófilo de JesusMuseu de Arte da Bahia

Alegoria da Europa

A Europa tem pele e cabelos mais claros, coroa vistosa e monta um cavalo branco. Há muitos animais na pintura  e todos parecem estar adestrados, "domados" pela civilização. Um obelisco com as marcas do papado destaca-se bem no centro da pintura e, ao fundo, vê-se uma cidade, prova da urbanização vigente. Pacotes e barris de madeira mostram produtos que circulam pelo rico comércio do continente. O trigo, fonte do pão, principal alimento Ocidental, destaca-se à direita. A imagem apresenta o equilíbrio entre os homens, sua civilização e a natureza.

Credits: Story

Ana Liberato
Diretora do Museu de Arte da Bahia

Equipe:
Camila Guerreiro
Celene Sousa
Mateus Brito
Olivia Biasin
Verônica Rohrs

Credits: All media
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