Por Fundação Calouste Gulbenkian
Texto de Lígia Afonso / Plano Nacional das Artes
Embora se relacione com o espaço, a arquitetura e a paisagem, o trabalho de Inês Botelho é eminentemente escultórico. Explora materiais como cal, barro, madeira e metal, desafiando-os tecnicamente com propostas de resultados tão exatos quanto impossíveis.
A partir de um desenho previamente projetado, e apoiando-se na experiência e colaboração de artesãos de ofícios tradicionais, Botelho ensaia a alteração das qualidades e estados físicos das matérias-primas para ludibriar e subverter fenómenos e conceitos elementares e universais como massa, movimento, sombra, gravidade, orientação e tempo.
Rotação a 19 graus, translação e prumo (2013) de Inês BotelhoFonte original: Cortesia da Artista
Rotação a 19 graus, translação e prumo, 2013
Barro, cal sobre barro e sobre o chão, ferro (chapa e corrente soldadas)
125 x 240 x 197 cm
Cortesia da Artista
No desenho como na escultura, as suas ações assentam num vocabulário geométrico – como linha, rebatimento, translação e rotação –, arquitetónico – como muro, tenda, prumo, estaca e habitante – ou geográfico – como fronteira, mapa, paisagem e território –, a partir do qual se constrói a sua poética formal. As suas obras são desenhos no espaço que se formalizam enquanto propostas insólitas de interação.
Põem em causa os paradigmas de ordenação do mundo, nomeadamente os ciclos cósmicos e planetário, e desestabilizam as dinâmicas das relações entre pessoas, objetos e espaços, induzindo à perceção irrealista da escala e da perspetiva e colocando em tensão a ideia de espaço comum.
Outros e os mesmos objectos rolantes na paisagem (2014 e 2020) de Inês BotelhoFonte original: Cortesia da Artista
Outros e os mesmos objectos rolantes na paisagem, 2014 e 2020
Tinta-da-china e água sobre papel de algodão
158 x 114 cm
Cortesia da Artista
Do cimo, um Ciclo (2016) de Inês BotelhoFonte original: Cortesia da Artista
Do cimo, um Ciclo, 2016
Barros, pigmentos, bronze e ferro
Dimensões variáveis
Cortesia da Artista
Saiba mais sobre a artista:
Inês Botelho – Website
«LADRÃO DE BARULHOS», Inês Botelho
Seleção de obras apresentada na exposição Tudo o que eu quero: Artistas portuguesas 1900-2020, no seu primeiro momento no Museu Calouste Gulbenkian, no âmbito da programação cultural que decorre em paralelo à Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia 2021.
Exposição organizada pelo Ministério da Cultura de Portugal, Direção Geral do Património Cultural e a Fundação Calouste Gulbenkian, em co-produção com o Centro de Criação Contemporânea Olivier Debré, Tours e com a colaboração do Plano Nacional das Artes.
Curadoria:
Helena de Freitas e Bruno Marchand
Texto de Lígia Afonso / Plano Nacional das Artes
Seleção de recursos online Maria de Brito Matias
Conheça melhor as obras de Inês Botelho apresentadas no contexto desta exposição:
Tudo o que eu quero: A Palavra
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