Dez fatos que você precisa saber sobre Portinari

Descubra sobre um dos mais importantes artistas brasileiros

Do Google Arts & Culture

Candido Portinari (1903–1962) é considerado um dos pintores mais importantes do Brasil, e uma figura-chave do modernismo brasileiro. Tendo certa vez declarado “pintar a realidade brasileira nua e crua como é”, o artista capturou, em sua obra, o espírito do país e de seu povo. Descubra mais sobre Portinari abaixo, com dez fatos que você precisa saber.

1. Portinari cresceu numa fazenda de café

O lavrador de café, Candido Portinari, 1934, Da coleção de: MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
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O artista era filho de Giovan Battista Portinari e Domenica Torquato, imigrantes italianos do Vêneto que vieram a São Paulo, Brasil, para trabalhar. Portinari foi criado perto de Brodowski, na fazenda de café em que seus pais trabalhavam, e o solo escuro e céu azul seriam inspiração de muitos de seus trabalhos futuros.

2. Um dos primeiros empregos de Portinari foi pintar retratos a partir de fotografias

Aos 15 anos, os pais de Portinari pagaram por uma passagem de segunda classe ao Rio de Janeiro para ele poder estudar arte. Ele teve de achar uma forma de ganhar dinheiro fácil, então, durante essa época, foi pago para pintar retratos a partir de fotografias. O artista ampliava as fotos para criar pinturas que lembravam tanto as imagens originais que foi capaz de se sustentar enquanto frequentava a Escola Nacional de Belas Artes, no Rio.

Retrato de Getúlio Vargas, Candido Portinari, Da coleção de: Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro
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Menino com Carneiro, Candido Portinari, 1956, Da coleção de: Projeto Portinari
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3. Portinari pintou mais de 5 mil obras

Durante a vida, Portinari foi um pintor prolífico, juntando mais de 5 mil obras de arte. Vão de pequenos esboços a grandes murais em escala, embora apenas um pequeno número de suas obras tenha sido exposto enquanto ele era vivo.

Purgatório, Candido Portinari, 1944, Da coleção de: Museu Nacional de Belas Artes
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Chorinho, Portinari, Candido (1903 - 1962), 1942/1942, Da coleção de: Musica Brasilis
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4. As viagens de Portinari à Europa foram essenciais para sua carreira – e sua vida amorosa

Café, Candido Portinari, 1935, Da coleção de: Museu Nacional de Belas Artes
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Em 1928, aos 25 anos, Portinari ganhou uma medalha de ouro da Escola Nacional de Belas Artes, cujo prêmio incluía uma viagem a Paris. Após voltar ao Brasil em 1930, ele foi viajar de novo pela Europa, dessa vez à Espanha e Itália. Essas visitas foram incrivelmente importantes: não só ele pôde estudar obras europeias como também conheceu sua futura esposa, Maria Martinelli.


Portinari ficou muito inspirado ao voltar para o Brasil. Chegou decidido a transmitir o verdadeiro estilo de vida e as cores do Brasil, captando a dor e as dificuldades de seu povo através da arte.

Namorados, Candido Portinari, 1940, Da coleção de: Projeto Portinari
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5. O rosto dele foi impresso numa nota bancária

Em 1986, devido à inflação, as notas de cruzado brasileiro eram emitidas em denominações de 10, 50, 100, 500, 1.000, 5.000 e 10.000 cruzados. Essas notas traziam pessoas proeminentes e, em 1988, Portinari tornou-se o rosto da de 5.000 cruzados. A nota trazia o rosto do artista com sua obra Tiradentes no fundo. O verso da nota mostrava o artista desenhando as Baianas.

Tiradentes, Candido Portinari, 1948, Da coleção de: Projeto Portinari
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Tiradentes, Candido Portinari, 1948, Da coleção de: Projeto Portinari
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Baiana, Candido Portinari, 1940, Da coleção de: Projeto Portinari
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6. O afresco de Portinari numa igreja foi condenado por um arcebispo

Portinari ficou famoso por seus murais, e uma criação notável foi sua colaboração com Oscar Niemeyer, arquiteto modernista mais importante do Brasil. A Igreja de São Francisco de Assis, projetada por Niemeyer, fazia parte de um projeto urbano em Belo Horizonte, Brasil. O arquiteto pediu que Portinari pintasse um mural atrás do altar.

Na finalização da obra, em 1943, o arcebispo Cabral se opôs à estrutura por razões estéticas, declarando: “O hangar de Niemeyer [parece] mais o abrigo de bombas do diabo [...] com um Cristo emaciado olhando num enorme afresco do pintor Candido Portinari”. Ele alegou que a igreja era “inadequada para propósitos religiosos” e ela só foi consagrada 16 anos depois. Em 1959, o arcebispo auxiliar João Rezende Costa achou que a construção tinha “grande importância artística e uma atmosfera espiritual”, e ela finalmente foi consagrada.

Café, Candido Portinari, 1938, Da coleção de: Projeto Portinari
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Descobrimento, Candido Portinari, 1941, Da coleção de: Projeto Portinari
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7. Sua exposição solo de 1940 no MoMA listou seu filho bebê como colecionador

Anunciado como “mais famoso artista moderno do Brasil”, Portinari conseguiu sua própria exposição no Museu de Arte Moderna de Nova York em 1940. O release de divulgação sobre o solo dizia que o colecionador era João Cândido Portinari, filho de 1 ano do artista (que foi à noite de estreia com sua mãe e seu pai).

Vários meses antes do nascimento do filho, Portinari começou a separar algumas de suas melhores pinturas para a coleção de arte do bebê. “Ele continuou essa prática e não vende nenhuma dessas obras”, dizia o release. “Vários dos óleos e mais de duas dezenas de desenhos a serem expostos foram emprestados pelo bebê.”

Exposição Portinari no MoMA, 1940-10, Da coleção de: Projeto Portinari
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Exposição Portinari no MoMA, 1940-10, Da coleção de: Projeto Portinari
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8. O Projeto Portinari digitalizou as obras do artista 

Em 1979, levando a sério sua responsabilidade como colecionador, o filho do artista, João Portinari, fundou o Projeto Portinari. Por mais de três décadas, a iniciativa identificou, catalogou e fotografou toda a coleção de obras de arte de Portinari. As 5 mil produções do artista foram cruzadas com 25 mil documentos, incluindo entrevistas, cartas e clippings de jornais, e também passaram a incluir tecnologia de ponta que escaneia e analisa as obras.

Retrato de João Candido, Candido Portinari, 1942-01-01, Da coleção de: Projeto Portinari
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Retrato de João Candido, Candido Portinari, 1939, Da coleção de: Projeto Portinari
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9. O artista recebeu uma encomenda da ONU

Em 1956, a Organização das Nações Unidas pediu que seus países-membros doassem uma obra de arte à nova sede da ONU. O Brasil contou com o talento de Portinari, que levou quatro anos para completar o mural chamado Guerra e paz. A peça de duas partes ilustra a guerra, agonia, medo e dor para demonstrar como as pessoas sofrem durante a guerra. Dag Hammarskjöld, então secretário-geral, disse que era “a obra de arte monumental mais importante doada à ONU”.


Quando os delegados entram na sede de Nova York, se deparam com o painel Guerra, mas quando saem do prédio, veem a Paz, um desejo simbólico do pintor, embora ele nunca os tenha visto expostos no prédio.

Guerra, Candido Portinari, 1952, Da coleção de: Projeto Portinari
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Paz, Candido Portinari, 1952, Da coleção de: Projeto Portinari
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10. Portinari sofreu por sua arte

As tintas que Portinari usou durante sua carreira acabaram tendo um impacto fatal em sua saúde. O primeiro encontro com a morte veio a partir de uma encomenda para painéis numa igreja em Batatais, em 1948. As tintas eram uma “composição tóxica” que continha arsênico, causando uma hemorragia que hospitalizou Portinari.

Sem perceber o perigo, Portinari usava no dia a dia tintas igualmente perigosas, contendo altas quantidades de chumbo. Apesar do aviso dos médicos para parar, o artista continuou pintando com elas até sua morte em 1962, causada por intoxicação por chumbo.

Untitled, Hart Preston, 1942, Da coleção de: LIFE Photo Collection
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