Derrubada de Mourão, de MinelvinoMuseu Nacional de Belas Artes
Nesta viagem pela arte feita para os livros, um tipo de impresso se destaca como uma manifestação cultural tipicamente brasileira: a literatura de Cordel.
Originária da região nordeste do país, o Cordel é o resultado da conexão entre as tradições orais e escritas presentes na formação social brasileira e abrange não apenas a letra, mas também a música e a ilustração.
Seu nome é proveniente da forma em que os folhetos eram expostos ao público: pendurados em cordas. Dado a sua importância nacional, em 2018, a Literatura de Cordel tornou-se Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.
Retrato de homem fotógrafo, de MinelvinoMuseu Nacional de Belas Artes
A xilogravura, técnica amplamente utilizada para ilustrar este tipo de literatura, começou a ser utilizada no Brasil por volta do século XVIII, inicialmente como meio de impressão de rótulos de produtos como bebida e sabonete.
A xilogravura de cordel foi ganhando impulso no Brasil aos poucos.
A Coleção de Gravura Brasileira do MNBA abriga algumas artes feitas para brilhar em cordéis. Nesta exposição apresentamos os artistas: Ciro Fernandes, Enéias Tavares dos Santos e Minelvino Francisco Silva.
Inversão nº 1 - Capa de cordel anonima, de Ciro FernandesMuseu Nacional de Belas Artes
Nascido no sertão da Paraíba, Ciro Fernandes (1942-) é desenhista, gravador, pintor, muralista, ilustrador de livros, de capas de discos e de cartazes de cinema, show e teatro.
No começo de sua carreira, ilustrou livros de cordel e posteriormente, obras de Rachel de Queirós, Gilberto Freyre e José Cândido de Carvalho.
A briga de dois cegos por causa de uma esmola, de Enéias Tavares dos SantosMuseu Nacional de Belas Artes
Enéias Tavares dos Santos (1931- 2022), nasceu em Marechal Deodoro, Alagoas. Filho de agricultores, teve instrução primária incompleta, e, já adulto, estudou música, desenho e pintura, não chegando a completar os estudos por razões econômicas.
Aprendeu sozinho a técnica da xilogravura. Em 1947, conheceu a Literatura de Cordel na Bahia, e, ao voltar para Alagoas, tornou-se vendedor de folhetos.
Em 1953, escreve seu primeiro livro O cavalo Ventania, seguido de O cangaceiro Isaías (seu maior sucesso), O pai traidor, A carta de Satanás a Roberto Carlos e muitos outros.
A região cacaueira da Bahia, de MinelvinoMuseu Nacional de Belas Artes
Minelvino Francisco Silva (1926-1988), nasceu no povoado de Palmeiral, município de Mundo Novo, Bahia. Criado em Jacobina (BA), trabalhou como garimpeiro, radicando-se posteriormente em Itabuna (BA).
Minelvino escreveu aproximadamente 500 folhetos de córdeis, vários deles lançados pela Editora Luzeiro.
A marreta da morte é tão pesada que a pedreira da vida não aguenta, de MinelvinoMuseu Nacional de Belas Artes
A marreta da morte é tão pesada que a pedreira da vida não aguenta
Literatura de Cordel
Minelvino
O brilho do Cordel, da série “Ilustres artistas: a arte feita para os livros”
Curadoria
Simone Bibian
Verônica de Sá Ferreira
Idealizada especialmente para o Google Arts & Culture, 2025.
Realizada por ocasião do título dado ao Rio de Janeiro como Capital Mundial do Livro 2025.
Referências
CIRO Fernandes: artista visual. Rio de Janeiro, 2025. Online.
LITERATURA de Cordel agora é Patrimônio Cultural do Brasil. In: IPHAN. Notícias. Brasília, 2018. Online.
PINTO, M. R. Minelvino Francisco Silva. In: FUNDAÇÃO CASA DE RUI BARBOSA. Cordel: literatura popular em verso. Rio de Janeiro, [2025?]. Online.
POETA Eneias Tavares dos Santos – Síntese biográfica. In: MEMÓRIAS da poesia popular: informação sobre vida e obras dos cordelistas brasileiros. Paraíba, [2025?]. Online.
POETA Minelvino Francisco Silva – Síntese biográfica. In: MEMÓRIAS da poesia popular: informação sobre vida e obras dos cordelistas brasileiros. Paraíba, [2025?]. Online.
Você tem interesse em Visual arts?
Receba atualizações com a Culture Weekly personalizada
Tudo pronto!
Sua primeira Culture Weekly vai chegar nesta semana.