Editorial Feature

Visita Guiada Pelo Mundo Com O Poeta Luís Vaz de Camões

O maior poeta de Portugal e os locais que visitou

Luís Vaz de Camões é considerado o maior poeta de Portugal. A forma de tratamento dos versos e a sua capacidade linguística têm sido comparadas a grandes escritores literários como Shakespeare, Vondel, Homer e Dante. Embora tenha escrito muitos poemas líricos e dramas, é recordado pela sua obra épica Os Lusíadas.

Não se sabe muito sobre Camões, mas sabemos que andou por muitos lados durante os seus 55 anos. Nascido em Lisboa em 1524, o poeta mudou-se para Coimbra para estudar na universidade. Em seguida, foi para Marrocos, onde perdeu um olho em combate como soldado do exército português. A seguir, mudou-se para a Índia, onde serviu como soldado durante três anos. Foi para a costa árabe e a costa leste africana em expedições militares a partir da Índia, comandada pelos portugueses. Foi ainda para Macau, onde trabalhou como chefe-ajudante e foi encarregue de gerir as propriedades dos soldados desaparecidos e mortos no Oriente, e para Goa. Sofreu um naufrágio no Rio Mekong, ao longo da costa do Camboja, antes de regressar finalmente a Lisboa.

Foi durante o tempo que passou em Macau que Camões começou a escrever Os Lusíadas numa gruta escondida, o esconderijo favorito de qualquer poeta. Quando Camões regressa finalmente a Lisboa em 1570, dois anos mais tarde, publica Os Lusíadas, que continua a ser considerada a obra mais importante da literatura portuguesa. O poema épico celebra a descoberta do caminho marítimo para a Índia pelo explorador português Vasco da Gama (1469–1524). Constituída por dez cantos (secções) e um total de 1102 estrofes, a obra embarca numa interpretação fantástica destas viagens dos séculos XV e XVI. Aqui utilizamos o Street View para explorar alguns dos locais descritos por Camões neste monumental poema e saber mais sobre o poeta em si.

Monte Olimpo, Grécia

Para começar em grande, o início d'Os Lusíadas descreve o chamamento dos deuses gregos para decidir se os portugueses vão ter sucesso nas suas viagens. A protegerem a viagem de Vasco da Gama desde o Monte Olimpo, os deuses dividiram lealdades. Quem não quer ver os deuses num confronto? Vénus é a favor dos portugueses, mas contra Baco, que no poema está associado ao leste e não gosta de recém-chegados ao seu território. Mais tarde na viagem, incapaz de ficar sossegado, Baco disfarçado estimula os locais a atacarem o explorador e a sua tripulação, o que coloca a expedição portuguesa em perigo. As primeiras linhas são uma magnífica introdução ao estilo lírico de Camões. Seguem-se algumas das suas descrições vívidas:

"As armas e os Barões assinalados Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana"
– Luís de Camões

Ilha de Moçambique, Província de Nampula, Moçambique

O nome da ilha tem origem em Ali Musa Mbiki (Mussa Bin Bique), sultão da ilha nos tempos de Vasco da Gama. Este nome foi então adotado pelo país continental, nos dias de hoje, Moçambique, e a designação passou a ser Ilha de Moçambique. Os portugueses estabeleceram aí um porto e uma base naval em 1507 e construíram a Capela de Nossa Senhora de Baluarte em 1522, considerada atualmente o edifício europeu mais antigo no Hemisfério Sul.

N'Os Lusíadas, a frota portuguesa chega à Ilha de Moçambique e são inicialmente recebidos por muçulmanos que, intimidados pelo poder dos navios, lhes prometem mantimentos e um piloto para os levar até à Índia. Camões estava familiarizado com a ilha, uma vez que viveu lá de 1568 a 1570. Diz a história que o poeta fez aí as revisões finais d'Os Lusíadas, antes de regressar a Lisboa.

Malindi, Quénia

Os viajantes ficaram vários dias em Melinde, atualmente conhecida como Malindi, na costa leste africana. Camões fez Vasco da Gama (o narrador principal no poema) recontar toda a história de Portugal ao rei de Melinde, desde a sua origem ao início da viagem, encontrada nos cantos III, IV e V. Embora inicialmente possa não parecer um grande truque, estes cantos contêm algumas das passagens mais descritivas no poema. Na estrofe 87, Vasco da Gama explica a apreensão sentida antes da viagem:

"Partimo-nos assi do santo templo
Que nas praias do mar está assentado,
Que o nome tem da terra, pera exemplo,
Donde Deus foi em carne ao mundo dado.
Certifico-te, ó Rei, que se contemplo"
– Luís de Camões

As leituras públicas do poema são muitas vezes acompanhadas de diapositivos para ilustrar ao que se referia Vasco da Gama no seu discurso, pois embora seja belo, nem sempre é traduzido corretamente para os ouvidos modernos!

Batalha de Ourique, Beja, Portugal

Em destaque no canto III e noutros exemplos de passagens descritivas de Camões, a batalha de Ourique é o embate entre as forças do Príncipe Afonso Henriques (da Casa de Borgonha) e o Império Almorávida, liderado por Ali ibn Yusuf. No poema de Camões, Afonso Henriques (considerado de forma impressionante o primeiro rei de Portugal) derrota Ali ibn Yusuf depois de ter uma visão de Cristo. Já todos passámos por isso, certo? Como resultado, isto leva-o a pintar os cinco escudos na bandeira de Portugal.

Delta do Rio Mekong, Vietname

N'Os Lusíadas, Camões faz alusão ao tempo que esteve naufragado no Delta do Rio Mekong, mas muito resumidamente. A história conta que o poeta estava a regressar de Goa depois de responder a acusações de apropriação indevida enquanto foi militar. Foi ao longo da costa do Camboja que Camões encontrou problemas e naufragou.

Infelizmente, a sua amada, Dinamene, que viajava consigo desde a China, não sobreviveu ao acidente. Mas não tenham medo, porque o poeta assegurou que o seu manuscrito d'Os Lusíadas estava em segurança, ufa! Mas obviamente que nunca vamos saber se poderia ter salvado os seus dois amores. A história conta que Camões arriscou a sua vida para manter o manuscrito fora de água enquanto nadava até à costa para que não ficasse encharcado. Se isso não é empenho, não sabemos o que será! Continuou a trabalhar na epopeia antes de regressar lentamente a Lisboa.

Padrão dos Descobrimentos, Lisboa, Portugal

O Padrão dos Descobrimentos é um monumento na margem norte do estuário do Rio Tejo, na freguesia de Santa Maria de Belém, Lisboa. Celebra a Época dos Descobrimentos portugueses descrita n'Os Lusíadas e localiza-se ao longo do rio de onde partiram os navios para explorar e comercializar com a Índia e o Oriente.

O monumento foi concebido em 1939 pelo arquiteto português José ngelo Cottinelli Telmo e pelo escultor Leopoldo de Almeida. O próprio Camões aparece em destaque no perfil oeste do monumento, uma vez que o seu poema sobre os descobrimentos é quase tão importante como as viagens originais. Se estiver na zona, visite a Torre de Belém, Património Mundial da UNESCO, bem como o Mosteiro dos Jerónimos, um magnífico exemplo da arquitetura gótica portuguesa. Além disso, não se esqueça de provar os famosos Pastéis de Belém durante a sua estadia!

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