21/01/2015

Afurada | Janela de Identidades

Faculdade de Letras da Universidade do Porto

"As comunidades que habitam o lugar, especialmente quando se trata de sociedades tradicionais, deveriam estar intimamente associadas à proteção da sua memória, vitalidade, continuidade e espiritualidade". Declaração de Québec, Introdução, Canada, 4 de outubro de 2008

Introdução
O lugar da Afurada, pertencente ao concelho de Vila Nova de Gaia (Portugal), na União das Freguesias de Santa Marinha e São Pedro da Afurada, localiza-se na margem esquerda do rio Douro, muito perto da sua foz. Surge assim num ponto charneira entre a Póvoa do Varzim e Aveiro, dois importantes centros de atividade piscatória. A localização da Afurada, virada à foz do rio com as suas escarpas na margem fronteira, levou a que esta visse no Douro o seu principal veículo de comunicação com o exterior. Esta exposição pretende, em primeira instância, honrar o compromisso feito com a comunidade local e enaltecer todos aqueles que ao longo de 9 meses (Set. 2014 e Jun. 2015) colaboraram com a recolha de imagens com o intuito de valorizar a cultura local. Mais do que uma exposição, a recolha e posterior apresentação destas imagens, convida o visitante a debruçar-se sobre os aspetos de continuidade e rutura que as Festas de São Pedro da Afurada têm enfrentado ao longo dos anos. Um caminho que não foi retilíneo mas que se foi construindo e moldando pela vontade desta comunidade piscatória. Selecionadas as imagens, procedeu-se à realização da reinterpretação dos momentos através do enquadramento da fotografia na paisagem real e atual.

A Afurada surge num ponto charneira entre a Póvoa do Varzim e Aveiro, dois importantes centros de atividade piscatória.

A situação geográfica e a atividade profissional dominante na Afurada colocava a sua comunidade sob grandes riscos.

Estas vicissitudes a que a natureza expõe as populações marítimas, propiciam uma fervorosa religiosidade.

A presença da comunidade de pescadores confere uma identidade específica à paisagem urbana ribeirinha

Festas S. Pedro Afurada
As Festas de São Pedro remontam ao início do século XX e estão intimamente relacionadas com a identidade cultural e religiosa da comunidade piscatória da Afurada, desempenhando um marco importante na sua memória coletiva, percetível através do seu envolvimento nestas manifestações do sagrado. Com periocidade anual, as Festa em Honra de S. Pedro da Afurada têm a duração média de 11 dias, entre o final do mês de junho e inícios de julho, devido à obrigatoriedade da procissão em honra de S. Pedro se realizar no domingo seguinte ao dia 29 de junho (dia de S. Pedro). Esta festividade existe não apenas como marca identitária das gentes da Afurada, no que à sua exultação diz respeito, recaindo a razão da sua existência sobre o traço mais forte desta comunidade. Dada a sua localização geográfica, desde os inícios do desenvolvimento urbano deste local de Vila Nova de Gaia, se assistiu ao florescimento da atividade piscatória. E sendo esta atividade sujeita a vários riscos, o ser humano tem procurado auxiliar-se na sua fé e é neste contexto que surgem as Festas de São Pedro da Afurada. A grande devoção que esta população tem pele patrono São Pedro reflete-se numa imponente celebração como forma de agradecimento pela proteção e pelas graças recebidas ao longo do ano. Esta devoção é recorrente na zona do litoral Norte de Portugal, sendo o orago de mais de trinta igrejas entre o Douro e o Mondego, e cerca de 100 em todo o país, como por exemplo em Espinho e na Póvoa do Varzim.

O cortejo religioso das Festas de São Pedro da Afurada é relatado como um espetáculo solene de grande riqueza estética e humana, no qual participa toda a comunidade.

A procissão organiza-se no adro da igreja, começando a percorrer as ruas à medida que se vão juntando os andores.

Entre eles perfilam-se crianças que envergam vestes personificando os santos, roupa de pescador e outras como as vestes da festa da sua Primeira Comunhão.

Como invocação, existe no local uma réplica em bronze da imagem de São Pedro, a que também foi dedicada a capela.

Palco importante no seio da comunidade, pelo simbolismo que acarreta.

Nestas comunidades ligadas à atividade piscatória, na maioria dos casos, o momento destinado à atracagem das embarcações é o momento mais importante dos festejos.

Nestas comunidades ligadas à atividade piscatória, o espaço destinado à atracagem das embarcações simboliza o ponto alto das festividades.

Uma riqueza devocional, como seria de esperar, mas também faustosa e que invade a população individual e socialmente, numa quase competição pelo esforço posto na decoração das varandas e dos andores.

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Créditos: história

FICHA TÉCNICA
COORDENAÇÃO: Lúcia Rosas (FLUP) e Maria Leonor Botelho (FLUP)
COMISSÃO CIENTÍFICA: Lúcia Maria Cardoso Rosas (FLUP), Maria Leonor Botelho (FLUP) e Hugo Barreira (FLUP)
CURADORIA: Lúcia Maria Cardoso Rosas (FLUP), Maria Leonor Botelho (FLUP), Hugo Barreira (FLUP)
PRODUÇÃO: Maria Leonor Botelho (FLUP), Hugo Barreira (FLUP)
EQUIPA TÉCNICA: Cátia Oliveira; Bruno Caprichoso
AUTORES: Cátia Oliveira
TRADUÇÃO: UNAPS | LETRAS
APOIOS: UNIVERSIDADE DO PORTO | FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DO PORTO | DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS E TÉCNICAS DO PATRIMÓNIO/ FLUP
CRÉDITOS DAS IMAGENS:
Cátia Oliveira;
DroneVision – Bruno Caprichoso;
Carminda Rola, Lurdes Rola, Joaquim Marques, Rosa Raquel, Lola Papeira,

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
OLIVEIRA, Cátia - Afurada | Âncora de Identidades. Relatório de Estágio no Mestrado em Historia da Arte Portuguesa apresentado à Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Porto, 2015

Créditos: todos os meios
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