120 ANOS DA USINA DE PARNAHYBA: A PAISAGEM

Conheça a história centenária da Usina de Parnahyba, no interior de São Paulo. (Parte 1/3)

Do Fundação Energia e Saneamento

120 ANOS DA USINA DE PARNAHYBA

120 anos da Usina de Parnahyba

Nos anos finais do século XIX e nas primeiras décadas do XX, São Paulo passou por diversas transformações. Deixando o passado rural para trás, em pouco tempo a cidade se tornou um entroncamento de fluxos e caminhos, com uma grande circulação de pessoas e bens. Com isso, os modos de viver tiveram grande desenvolvimento, mais alinhados à nascente vida urbana.

Construção da tubulação principal nº 2 (1900)Fundação Energia e Saneamento

 

A Light

A eletricidade teve papel fundamental nessas transformações. Em 23 de setembro de 1901, foi inaugurada a Hidrelétrica de Parnahyba, a primeira usina de grande porte construída no Brasil pela companhia anglocanadense The San Paulo Tramway Light and Power Company.

Eletricidade para São Paulo

Inicialmente, a energia gerada na Usina foi destinada para a alimentação do sistema elétrico de bondes e a iluminação pública da capital, além de compor um dos principais fatores para o salto industrial dado pela cidade de São Paulo ao longo dos primeiros vinte anos do século XX.

120 anos

Celebrando o 120º aniversário da antiga Usina de Parnahyba, atual Barragem Edgar de Souza, a Fundação Energia e Saneamento, que detém ampla documentação do processo de construção da Usina, apresenta imagens e curiosidades desta história por meio da exposição  “120 anos da Usina de Parnahyba”.  

Vista parcial da Cachoeira do Inferno, no Rio Tietê (1900-01-12)Fundação Energia e Saneamento

A paisagem

 A Usina de Parnahyba é resultado da ação humana com o meio, em uma interação viabilizada pelo uso de novas técnicas e tecnologias surgidas a partir do final do século XIX. 

O meio

é caracterizado pelo local escolhido para receber a Usina, a Cachoeira do Inferno, uma queda d’água natural no Rio Tietê, na cidade de Santana de Parnaíba. 

O Tietê

é o maior rio do Estado de São Paulo, que nasce no município de Salesópolis, a poucos quilômetros do Oceano Atlântico, e segue em direção ao interior do estado, até desaguar no Rio Paraná, na divisa com o Mato Grosso do Sul. 

Ao longo do tempo, o Tietê teve papel determinante na ocupação do solo paulista, sendo utilizado como percurso fluvial ou direcionador de caminhos nas proximidades de suas margens pelos indígenas e, posteriormente, durante a colonização portuguesa. No período colonial, a fundação de vilas e de aldeamentos foi realizada nas proximidades do Rio, um modo de facilitar o transporte fluvial entre as povoações, além de fornecer água e alimentos para os habitantes.

Avançando no tempo, já no período republicano, a escolha do local para receber a Usina de Parnahyba evidencia o início de uma série de decisões tomadas pelo poder público que resultou em significativas consequências para o município de São Paulo a médio e longo prazo, culminando, inclusive, na posterior retificação do Tietê — originalmente, um rio cheio de meandros, e que sofria períodos de cheias ao longo do ano.

Vista geral do Rio Tietê, no trecho próximo à Cachoeira do Inferno (1900-01-12), de Guilherme GaenslyFundação Energia e Saneamento

A força das águas

do Rio Tietê foi a fonte para a geração de energia. 

A Cachoeira do Inferno

foi escolhida por ser próxima da cidade de São Paulo. Os cálculos iniciais indicavam que, depois de finalizada a barragem, haveria uma queda de 25 metros e uma potência disponível de 20.000 cavalos, o que garantiria um significativo potencial para a produção de hidroeletricidade.

Plano geral de desenvolvimento hidrelétrico na região de São Paulo (1952-07)Fundação Energia e Saneamento

 Por meio da planta, datada de 1952, temos a dimensão da distância entre o local da construção da Usina de Parnahyba e a cidade de São Paulo. Em 1900, sem rodovias construídas, os deslocamentos, considerados pequenos agora, foram extremamente desafiadores  para toda a equipe envolvida.

Distante 30 km da capital paulista, a Hidrelétrica de Parnahyba foi construída na cidade de Santana do Parnaíba.

O americano Hugh L. Cooper foi o responsável pela escolha técnica do local de construção da Usina, engenheiro que tinha em seu currículo a construção da  represa Keokuk, no Rio Mississipi, nos Estados Unidos, e das usinas Dnieper, na Rússia.

Levantamento cartográfico do conjunto de instalações da Usina Hidrelétrica de Parnahyba (1901)Fundação Energia e Saneamento

O local

Por ser um local de difícil acesso, a Light precisou criar uma rede de estradas que atingisse os 30 km entre as duas cidades. Além disso, a companhia contava com o apoio da malha ferroviária para transportar os materiais importados que chegavam pelo Porto de Santos.

Desenho técnico da Usina Hidrelétrica de Parnahyba (1921-06)Fundação Energia e Saneamento

Inundações

Mesmo diante da importância de gerar a energia elétrica que alimentou São Paulo nas primeiras décadas do século XX, a construção da Usina de Parnahyba acabou por transformar as habituais cheias do Tietê em inundações para além das regiões de várzea do Rio. 

Clipping de outubro de 1901 (1901-10-27), de A. AschoffFundação Energia e Saneamento

“O Tietê, um dos mais poderosos tributários da importantíssima bacia hydrographica do Paraná; tem sua origem nas agrestes regiões da encosta occidental da Serra do Mar e ao approximar-se da pittoresca villa de Parnahyba, que fica à esquerda, desce rápido e espumarento,  formando numa distância de 750 metros uma queda natural de 13m,00." 
(Trecho de reportagem de A. Aschoff para o Jornal do Commércio. 27/10/1901. Acervo Fundação Energia e Saneamento)

 "A idéa, porém, de aproveitar a sua energia como factor do progresso industrial da florescente capital paulista coube aos Srs. Gualco e Souza, que obtiverão dos poderes estadoaes e municipaes a concessão que depois de várias modificações constitue a que actualmente explora a Light & Power.” 
(Trecho de reportagem de A. Aschoff para o Jornal do Commércio. 27/10/1901. Acervo Fundação Energia e Saneamento)

Trabalhadores nas obras do conduto forçado principal (1900-07-19), de Guilherme GaenslyFundação Energia e Saneamento

Os trabalhadores

Continue para a Parte 2.

Créditos: história

FUNDAÇÃO ENERGIA E SANEAMENTO

Conselho de Administração
Presidente Renato de Oliveira Diniz
Diretora Executiva Rita de Cassia Martins Souza 

Empresas mantenedoras, patrocinadoras e parceiras
Danillo Sene | Enel
José Renato Domingues | CTG Brasil
Mario Luiz do Nascimento Oliveira | EMAE
Renato Erdmann Gonçalves | Sabesp
Sergio Fernando Larizzatti | CESP 

Comunidade com notória capacidade
Gildo Magalhães dos Santos Filho
Renato de Oliveira Diniz
Sergio Augusto de Arruda Camargo
Sueli Angelo Furlan 

Representante dos empregados
Denis Quartim De Blasiis 

Conselho Fiscal
Daniel Jesus de Lima | EMAE
Francisco José Cavalcante Júnior | Sabesp
Lucas Penido Alipio | CESP 

EXPOSIÇÃO “120 ANOS DA USINA DE PARNAHYBA”
Acervo Fundação Energia e Saneamento
Curadoria: Danieli Giovanini | Tatiana Ishikawa
Projeto Expográfico: Danieli Giovanini
Pesquisa e seleção de acervo: Alexia Rodrigues | Danieli Giovanini | Tatiana Ishikawa
Textos: Danieli Giovanini | Tatiana Ishikawa
Tradução: Gabriel Almeida Couri
Revisão: Mariana de Andrade Dias da Silva
Designer Gráfico: Fernando de Sousa Lima
Apoio Técnico: Camila Cury (Google Arts & Culture)

Créditos: todas as mídias
Em alguns casos, é possível que a história em destaque tenha sido criada por terceiros independentes. Portanto, ela pode não representar as visões das instituições, listadas abaixo, que forneceram o conteúdo.
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