AVANTE SÃO PAULO!

Centro de Memória-Unicamp

A documentação fotográfica da Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas

A documentação fotográfica produzida pela Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas do Estado de São Paulo constitui um importante registro imagético das ações do governo paulista na Primeira República (1889-1930). A coleção, transferida para o CMU pelo Instituto Agronômico de Campinas em 1994, é composta por 24 álbuns, com cerca de 2.700 fotografias, datadas entre 1896 e 1925. As fotografias eram usadas pela Secretaria para o registro das suas ações, assim como instrumento ideológico e político. Produzidas em um contexto de atração da mão de obra estrangeira, figurando em diversas publicações e eventos, nacionais e internacionais, essas imagens ajudaram a forjar uma imagem moderna, empreendedora e progressista para o Estado de São Paulo, condizente com o desenvolvimento socioeconômico proporcionado pela cultura do café, substituindo a imagem de uma província interiorana, modesta e isolada. A proposta da exposição é abordar, por meio da fotografia, as transformações econômicas, sociais e políticas que mudaram a face de São Paulo no início da República e que auxiliaram a cunhar sua imagem de estado-locomotiva da federação.
A Secretaria da Agricultura (1891-1927)
A formação da Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas do Estado de São Paulo está ligada à Proclamação da República no Brasil, em 15 de novembro de 1889. Ao passo em que a República deu legitimidade e autonomia às províncias, os Estados começaram a organizar suas estruturas políticas e administrativas. Em 1891, o Estado de São Paulo promulgou sua primeira Constituição Política e criou aparatos para responder às diversas demandas, o que incluía a Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, a Secretaria do Interior e Instrução Pública, a Secretaria da Justiça e Segurança Pública e a Secretaria da Fazenda, seguindo a estrutura ministerial do governo federal. Organizada em 1892, a Secretaria da Agricultura foi a que concentrou os mais importantes instrumentos de atuação governamental de São Paulo no campo econômico.
Entre as atribuições da Secretaria estavam assuntos ligados à agricultura e pecuária, ao comércio, serviços e obras públicas em geral; aos transportes, às comunicações, às atividades industriais, à imigração e colonização e à política de terras. Várias estruturas já existentes durante o período imperial e que tinham temas correlatos àqueles tratados pela Secretaria foram a ela incorporadas, como a Hospedaria dos Imigrantes (1882), o Instituto Agronômico de Campinas (1887), a Inspetoria de Estradas de Ferro e Navegação (1896) e a Escola de Agricultura “Luiz de Queiroz” (inaugurada em 1901). Destaca-se a atuação do secretário Carlos José de Arruda Botelho (1855-1947), o qual implantou diversas reformas no órgão, mantidas até seu desmembramento em 1927. Frente ao aumento dos trabalhos e das demandas relativas aos órgãos, durante o governo de Fernando Costa (1927-1930), a Secretaria foi desdobrada, em 1927, em Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura Indústria e Comércio e Secretaria de Estado dos Negócios da Viação e Obras Públicas, passando a escrever uma nova fase de sua história.
A estrutura da Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas do Estado de São Paulo
Ensino, Pesquisa e Difusão
Os núcleos coloniais
Os núcleos coloniais foram criados pelo governo paulista, na segunda metade do século XIX, objetivando o povoamento do solo por meio da mão de obra imigrante. A fixação do trabalhador podia se dar por compra do lote, pelo sistema de arrendamento, ou ainda, por meio de prestação de serviços nas fazendas da região. Os primeiros núcleos foram instalados na Província de São Paulo ainda no Império para abastecer o mercado interno com produtos da pequena lavoura e suprir de braços a grande lavoura nos períodos de maior atividade agrícola. As primeiras experiências não obtiveram o resultado esperado, entre outros motivos, pela localização dos núcleos de difícil acesso, pelo solo não adaptado à cultura de cereais e pela distância que se encontravam das fazendas. Com a crise da escravidão, os núcleos coloniais passaram a ser uma alternativa de mão de obra, tendo sido instalados, nas primeiras décadas da República, 16 núcleos em várias regiões do estado, os quais se somaram aos criados ainda no Império.
Carlos Botelho, no período em que esteve à frente da Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas (1904-1907), empenhou-se na criação e implantação dos núcleos coloniais por meio da imigração estrangeira. Durante sua gestão foram criados os núcleos: Jorge Tibiriçá (1905), em Corumbataí; Nova Odessa (1905), em Nova Odessa; Conde do Pinhal (1907), em Ubatuba; Nova Europa (1907), em Nova Europa, Gavião Peixoto (1907) e Nova Paulicéia (1907), em Gavião Peixoto. Nesse período, o Núcleo Colonial Campos Salles, criado em 1897, atual município de Cosmópolis, já havia sido emancipado.
As publicações da Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas
Na primeira década do século XX, a corrente imigratória apresentou uma retração. Para reverter esse quadro, a Secretaria da Agricultura ampliou o serviço de propaganda no exterior, por meio de publicações a cargo do Serviço de Informação e Publicidade, criado na reforma administrativa de 1907, dirigidas aos imigrantes para estimulá-los a se instalarem nos núcleos coloniais. Para ilustrar essas publicações, a Secretaria optou pelos melhores fotógrafos do período, como Guilherme Gaensly (1843-1928), contratado em 1906 para documentar os núcleos coloniais das regiões de Campinas, Rio Claro e Araraquara.
O Recenseamento Federal de 1920
Por meio da Lei 4.017 de 1920, determinou-se a realização do IV Censo Decenal Brasileiro, buscando levantar informações demográficas e a situação econômica do país. O recenseamento foi realizado em 1º de setembro de 1920 e foi aplicado a todas as partes do país, sendo quantificado um total de 30.635.605 habitantes. Na época, o Estado de São Paulo possuía 4.592.188 habitantes, demonstrando um aumento de 231% em relação ao levantamento de 1890. No ano da realização do recenseamento, estava à frente da Secretaria da Agricultura o advogado Heitor Teixeira Penteado (1878-1947). A documentação fotográfica recebeu grande destaque, destacando-se os álbuns produzidos sob o título “Recenseamento Federal de 1920”. Com imagens da capital e de algumas cidades do interior, tal documentação é capaz de retratar a realidade paulista entre as primeiras décadas do século XX.
“Do mesmo modo o censo de 1920, quando terminado, formará o quadro mais formoso que até agora se tem levantado da população e da riqueza da grande nação brazileira no seu primeiro centenário. Muitos dos numeros, mesmo os mais brilhantes, com os quaes se festejará a data gloriosa da emancipação politica do Brazil, desapparecerão no eterno perpassar do tempo, ‘a sabia lei que rege e guia tudo que o amor fecunda e a vida gera’. O censo, porém, podeis estar seguros, não desapparecerá. E quando decorridos cem ou duzentos annos, o povo brasileiro, collimando os altos destinos que Deus lhe assegurou, for uma grande nação, de população mais densa do que a que hoje ostentam os Estados Unidos da America do Norte; quando o futuro historiador quizer verificar como estava constituída, em 1922, a poderosa nação do futuro, então o censo que levantastes será a mais segura e preciosa fonte de informação. Constituistes, pois, um monumento imperecivel, que será tanto mais valioso quanto sobre elle passarem os annos, as decadas e os seculos”. Dr. Alberto Martinez (1868- 1925), demografista argentino.
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Limeira
Créditos: história

Direção Geral:
Paulo Masuti Levy

Coordenação Geral:
Maria Elena Bernardes

Direção de Arte e Coordenação Executiva:
Ivo Marreiro

Curadoria:
Ana Cláudia Cermaria
Cássia Denise Gonçalves
João Paulo Berto

Apoio Cultural:
Associação pró-Memória de Limeira
Biblioteca Paulo Masuti Levy

Espaço Cultural ENGEP
Largo da Boa Morte, 118 | Centro | Limeira, SP
De 4 de setembro a 27 de novembro de 2015

Realização:
Universidade Estadual de Campinas
Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares da Unicamp
Centro de Memória-Unicamp
Grupo ENGEP
Espaço Cultural ENGEP

Tradução:
Lude Gomes Cardoso Nunes

Créditos: todas as mídias
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