[Preview] Iberê Camargo – O Fio de Ariadne

Fundação Iberê

Apresentação da exposição de cerâmicas e tapeçarias de Iberê Camargo (19/09/2020 a 24/01/2021).

Sem título, Iberê Camargo, 1965, Da coleção de: Fundação Iberê
Durante as décadas de 1960 e 1980, além de sua intensa produção em pintura, desenho e gravura, Iberê Camargo realizou trabalhos em cerâmica e tapeçaria.
Signos, Iberê Camargo, c.1975, Da coleção de: Fundação Iberê

Eles respondiam a uma demanda do circuito de arte, herdada da utopia modernista, que preconizava o conceito de síntese das artes: uma colaboração estreita entre arte, arquitetura e artesanato.

Sem título, Iberê Camargo, c.1981, Da coleção de: Fundação Iberê
Movimento, Iberê Camargo, 1976, Da coleção de: Fundação Iberê

Nos anos 1960, com a assessoria das ceramistas Luiza Prado e Marianita Linck, Iberê realizou um conjunto de pinturas em porcelana, com resultados surpreendentes.

Iberê Camargo observando sua produção de pintura em porcelana no ateliê de Luiza Prado, 1961, Da coleção de: Fundação Iberê
Sem título, Iberê Camargo, 1960, Da coleção de: Fundação Iberê
Sem título, Iberê Camargo, 1960, Da coleção de: Fundação Iberê
Sem título, Iberê Camargo, 1965, Da coleção de: Fundação Iberê
Sem título, Iberê Camargo, c.1961, Da coleção de: Fundação Iberê
Sem título, Iberê Camargo, c.1965, Da coleção de: Fundação Iberê
Sem título, Iberê Camargo, 1961, Da coleção de: Fundação Iberê

Na década seguinte, selecionou um conjunto de cartões, que foram transformados por Maria Angela Magalhães em impactantes tapeçarias, estabelecendo uma parceria que prosseguiu até a década de 1980.

Variação do mesmo tema – Solução I, Iberê Camargo, 1970, Da coleção de: Fundação Iberê
Sem título, Iberê Camargo, 1975, Da coleção de: Fundação Iberê
Sem título, Iberê Camargo, 1979, Da coleção de: Fundação Iberê
Sem título, Iberê Camargo, 1981, Da coleção de: Fundação Iberê
Sem título, Iberê Camargo, sem data, Da coleção de: Fundação Iberê
Sem título, Iberê Camargo, década de 1970, Da coleção de: Fundação Iberê

No final da década, o conceito de síntese das artes caiu em desuso e cerâmicas e tapeçarias passaram a ser vistas como artes menores.

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Há algum tempo a Fundação Iberê vinha estudando essa faceta do artista e a oportunidade de apresentá-la surgiu paralelamente à realização, em Porto Alegre, da Bienal do Mercosul. A conjuntura feminina que permeou a produção desses trabalhos revelou grande afinidade com o conceito da 12ª Bienal, propiciando a ocasião perfeita para apresentar as obras que hoje encontram-se em instituições e coleções privadas, espalhadas entre as cidades de Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Lisboa.

Sem título, Iberê Camargo, c.1961, Da coleção de: Fundação Iberê
Serão 37 pinturas sobre pratos de porcelana, a grande maioria exposta uma única vez, em Torres (RS), há 60 anos.
Sem título, Iberê Camargo, 1961, Da coleção de: Fundação Iberê

Entre elas, o único prato modelado pelo próprio artista de que se tem conhecimento (imagem acima).

Sem título, Iberê Camargo, 1960, Da coleção de: Fundação Iberê
Sem título, Iberê Camargo, 1960, Da coleção de: Fundação Iberê
Sem título, Iberê Camargo, 1960, Da coleção de: Fundação Iberê
Sem título, Iberê Camargo, 1960, Da coleção de: Fundação Iberê
Sem título, Iberê Camargo, 1981, Da coleção de: Fundação Iberê
Serão 7 tapeçarias de grandes dimensões, das 10 que se estima que Iberê tenha produzido.
Sem título, Iberê Camargo, c.1981, Da coleção de: Fundação Iberê

Três delas não foram localizadas, e são conhecidas apenas pelos registros fotográficos realizados pelo artista.

Sem título, Iberê Camargo, 1976, Da coleção de: Fundação Iberê
Sem título, Iberê Camargo, c.1982, Da coleção de: Fundação Iberê

O ateliê de Maria Angela, o Artesanato Guanabara, chegou a envolver mais de 70 bordadeiras que auxiliavam também na preparação e no tingimento dos fios como seda, lã, linho e algodão.

Maria Angela Magalhães em seu ateliê Artesanato Guanabara, déc.1970, Da coleção de: Fundação Iberê

Em muitos casos, Mariangela usava mais de um fio na agulha para chegar no tom e efeito desejado, incluindo fios sintéticos com efeito metalizado.

Sem título, Iberê Camargo, 1961, Da coleção de: Fundação Iberê
A exposição destaca, ainda, a presença feminina na vida de Iberê tendo como base a linha do tempo do artista. 
Sem título, Iberê Camargo, 1961, Da coleção de: Fundação Iberê

O Fio de Ariadne faz uma referência à urdidura feminina por trás do artista, o guia que Iberê usava para sair da estrutura labiríntica de sua própria pessoa e obra.


Na conhecida lenda grega, o herói Teseu consegue se salvar graças a Ariadne, que lhe dá um novelo de lã para guiá-lo no intrincado labirinto de Creta. Um eco da contundente personalidade de Iberê.


O mito de Ariadne, que tem inúmeras interpretações filosóficas e psicológicas, mostra também como o apoio de uma mulher pode levar o herói à vitória.

Sem título, Iberê Camargo, 1964, Da coleção de: Fundação Iberê

Assim, a exposição oferece algumas camadas de leitura ao público: apresenta uma faceta menos conhecida da obra de Iberê Camargo, demonstra a qualidade artística de cerâmicas e de tapeçarias – colocando em questão algumas convenções ultrapassadas do circuito de arte – e torna visível a rede feminina que sempre deu suporte ao artista, revelando as vozes de Ariadne.

Sem título, Iberê Camargo, 1961, Da coleção de: Fundação Iberê
Será complementada por uma cronologia ilustrada reunindo fotos e depoimentos de algumas das mulheres que marcaram presença na vida de Iberê. Entre elas:
Maria e Iberê Camargo no ateliê da rua das Palmeiras, Botafogo, 1963, Da coleção de: Fundação Iberê

A esposa e companheira Maria Coussirat Camargo (imagem acima);

Iberê Camargo e Djanira na inauguração do "Salão Preto e Branco", 1954, Da coleção de: Fundação Iberê

A artista Djanira (imagem acima);

Luiza Prado e Iberê Camargo observam a produção de pintura sobre porcelana do artista, no ateliê da ceramista, 1961, Da coleção de: Fundação Iberê

A ceramista Luiza Prado (imagem acima);

Iberê e Marianita Linck na residência do artista, 1977, Da coleção de: Fundação Iberê

A ceramista Marianita Linck (imagem acima);

Maria Tomaselli, Iberê e detentos junto aos cenários pintados para o teatro da Penitenciária de Porto Alegre, 1969, Da coleção de: Fundação Iberê

A artista Maria Tomaselli (imagem acima);

A tapeceira Maria Angela Magalhães na Fazenda Borges, 1986, Da coleção de: Fundação Iberê

A tapeceira Maria Angela Magalhães (imagem acima);

Sérgio Camargo, Iberê Camargo, Ana Letycia, Edson Motta e Jaime Maurício prestando esclarecimentos sobre a importação de material artístico à Comissão de Cultura da Câmara, 1976, Da coleção de: Fundação Iberê

A gravadora Anna Letycia (imagem acima);

Dedicatória de Clarice Lispector a Iberê Camargo, c.1969, Da coleção de: Fundação Iberê

A escritora Clarice Lispector (dedicatória, acima);

Anico Herskovits, Iberê e Marta Loguercio no MAM Atelier de Litografia, 1987, Da coleção de: Fundação Iberê

As gravadoras Anico Herskovits e Marta Loguercio (imagem acima);

Tina Zappoli com a obra "Ciclistas", no ateliê de Iberê Camargo, 1989, Da coleção de: Fundação Iberê

A galerista Tina Zappoli (imagem acima);

Iberê, Maria Tomaselli e Evelyn Ioschpe, déc.1980, Da coleção de: Fundação Iberê

A produtora cultural Evelyn Ioschpe (acima, à direita da foto);

Duas formas de arte se encontram, Clarissa Berry Veiga, 08 de maio de 1991, Da coleção de: Fundação Iberê

A cantora Adriana Calcanhotto (imagem acima);

Iberê quer pintar cenas de 'Dona Doida', Cristina Gutkoski, 13 de dezembro de 1993, Da coleção de: Fundação Iberê

A atriz Fernanda Montenegro (imagem acima).

Sem título, Iberê Camargo, 1964, Da coleção de: Fundação Iberê
Sem título, Iberê Camargo, 1965, Da coleção de: Fundação Iberê
Créditos: história

Preview da exposição
IBERÊ CAMARGO – O FIO DE ARIADNE


Curadoria
Denise Mattar


Co-curadoria
Gustavo Possamai


Série de conversas que abordam os diversos aspectos da mostra:


Live com Denise Mattar e Gustavo Possamai
Apresentação da exposição, no link.


Live com Paula Ramos
“Maria Coussirat e a vigília da memória”, no link.


Live com Andrea Giunta
“A presença das mulheres na arte”, no link.


Live com Maria Amelia Bulhões
“Cerâmicas, tapeçarias e o sistema de arte”, no link.


Live com Blanca Brites
“Iberê e a cerâmica”, no link.


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Nota: Prevista para abril de 2020, a abertura da exposição foi transferida para 19 de setembro de 2020, em colaboração às medidas de controle da propagação do novo Coronavírus (Covid-19). Informações e orientações para visitação, clique aqui.


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Esta versão online não inclui a totalidade das obras da exposição.


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Todos os esforços foram feitos para reconhecer os direitos morais, autorais e de imagem. A Fundação Iberê agradece qualquer informação relativa à autoria, titularidade e/ou outros dados que estejam incompletos nesta edição, e se compromete a incluí-los nas futuras atualizações.
acervo@iberecamargo.org.br


© Fundação Iberê Camargo

Créditos: todas as mídias
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